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A Arquiteta da Transição

Escrito por Ligia Vargas

Isabela Menezes é uma transformadora, uma agente de mudança. Sua chegada na Granja tornou o caminho da sustentabilidade mais possível. Mudar é na maioria das vezes espinhoso e aqueles que propõem novos caminhos são vistos com desconfiança. Isso não aconteceu com a Isabela porque ela é uma pessoa simpática, acessível, divertida e muito humana. Impossível não gostar dela. E além do mais ela é chic. Sua elegância é espontânea e libertadora. Os cabelos cacheados se arrepiam e as formas são dançarinas. Não dá para saber aonde começa a Granja e aonde termina a Isabela.

1. Fale de si
Sou uma cariolista (carioca com paulista), já me sinto um tanto paulistana.15055849_1350495534962598_2177927028250264958_n
Sou arquiteta de formação e no Rio tinha uma empresa que projetava estandes de feiras. Namorava e tinha muito trabalho por aqui, amig@s, gostava da cidade, daí para acordar um dia e do nada decidir me mudar, foi um pulo.
A minha relação com a Granja Viana veio da vontade de morar perto da natureza, em um lugar mais tranquilo e ao nível do solo, morar em espaço aéreo sempre me incomodou.
Meu marido tinha um amigo na Granja e em 2003 compramos nossa casa.
Aqui achei a comunidade que sempre quis ter e amig@s maravilhos@s. Pessoas que tem a mesma levada que eu, que pensam e sonham da mesma forma.
Após minha vinda para a Granja, mudei o foco do meu trabalho e me encontrei no movimento das Cidades em transição (Transition towns).
Hoje trabalho com o que acredito, sempre em busca de ter uma região mais conectada, resiliente e que tenha um papel de protagonismo na criação do mundo que queremos ter

2. Fale da sua relação com a moda
Sempre gostei de São Paulo, era muito ligada na moda e adorava comprar aqui. A moda no Rio sempre foi muito verão e eu adorava a moda sofisticada de São Paulo, isso lá pelos idos de1999.

15036643_1350495248295960_3014584238390838917_nHoje não sou mais escrava da moda e da beleza, acredito que temos que usar aquilo que nos deixa bem e prezo muito mais pelo conforto.
Meu consumo é local, pequeno e o mais ético possível.Temos que pensar no impacto que geramos quando consumimos, o nosso dinheiro é o que alimenta o que existe no mundo.

3. Qual sua roupa ou acessório favorito e por quê?

Adoro o vestido azul pelo corte e pela estampa, tecido leve, macio e que tem uma boa caída. Nele me sinto linda e acho que passo um pouco de quem sou quando o uso.
Gosto das pulseiras de miçangas feitas pelos índios, da bolsa e da sandália colorida.

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4. Como faz compras? Sai à procura de algo específico ou vê o que tem nas vitrines e decide na hora?

15032739_1350495241629294_8191847364509094687_nHoje troco mais do que compro. É mais divertido, mais gostoso e dá menos trabalho.15095105_1350495268295958_3586637779436274558_n

O brasileiro sempre teve preconceito com roupa usada, mas em tempos de uma consciência maior em relação ao planeta e recursos cada vez mais escassos, a troca é uma opção muito bacana. Eu consumia muita moda, hoje não sou mais assim.
Não sigo o que dita a indústria da moda e beleza, sigo o que me faz sentir bem e bonita, pela indústria estamos sempre fora de moda e erradas.
Hoje me sinto bem com minhas roupas, muitas de troca e as antigas que sempre arrumo uma maneira de reciclar.
Não posso ficar muito perto da máquina de costura que acabo cortando, costumizando e muitas vezes estragando.15056338_1350495264962625_665417156639089400_n15027415_1350495221629296_8324613053580922978_n

Hoje sou muito seletiva e compro muito pouco.

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5. Qual a peça de vestuário, roupas ou acessórios, que nunca usaria e por quê?
Nunca usaria bota branca, para mim bota branco é o fim rsrsrsrs
 Nunca mais usaria calça bag e blusa de ombreira, os anos 80 a gente tem que apagar da memória, o cabelo poodle, o azul caneta bic, batom molhado nossa! Apesar dos anos 80 serem esteticamente esquecíveis, eles foram divertidos e cumpriram sua função.

Sobre o autor

Ligia Vargas

Moradora da Granja Viana desde 2003. Formada em artes plásticas, é fotografa, tendo participado
de diversas exposições aqui e em SP. Em 2014
criou com uma sócia a marca Frau Perolina, confecção de roupas e acessórios masculinos e femininos. Trabalha também peças com o conceito "no gender" ou unisex em saias, kilts e camisetas.
A marca faz uso de tecidos naturais, em sua maioria. Privilegia o conforto com estilo retrô.

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