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A comunicação humana e suas linguagens

Escrito por Regina Pundek
Não há dúvidas sobre a importância de conhecer e dominar diversas formas de expressão.

Quando se fala em linguagem, a primeira ideia que nos vem à cabeça é a oralidade. Contudo a linguagem é toda a ferramenta usada para efetivação da comunicação. Temos linguagem na expressão corporal, na expressão artística, na escrita e também na oralidade. Quanto mais formas de linguagem um indivíduo possui, mais garantias de comunicar possui.

Foi-se o tempo em que falar uma segunda língua era visto somente como um ponto a mais no currículo de um candidato a uma colocação profissional. Atualmente a comunicação tem ferramentas facilitadoras que permitem que as pessoas se relacionem independente do local, do contexto sociocultural ou da língua que falam. De nada serviriam essas ferramentas se o uso dessas linguagens se limitasse à língua mãe, ou à língua verbal.  A juventude usa e abusa da tecnologia e de idiomas distintos, especialmente em busca de entretenimento, mas também de relacionamentos e de informações.  O desejo de comunicar-se provoca a busca pelo conhecimento, favorecendo desta forma uma aprendizagem significativa.

Muitas pessoas ao se tornarem pais, questionam quando oferecer o desafio da aprendizagem de uma segunda língua para seus filhos? Há risco de prejudicá-los quando o contexto bilíngue é precoce? Não existe uma idade certa, mas sim uma prática adequada, ou seja, a naturalidade e o respeito ao indivíduo aprendiz. Para que haja qualquer aprendizagem é necessário haver equilíbrio emocional e vínculo afetivo, o que deve ser garantido às crianças através da língua mãe, do aconchego e de estímulos positivos para o enfrentamento dos desafios.

É um grande equívoco pensar que a criança pequena, que ainda não tem domínio da língua mãe, não tenha vantagens ao frequentar uma escola bilíngue.  O simples fato de ser exposta rotineiramente provoca sinapses que beneficiam todo o desenvolvimento neurológico. Aquilo que é tão difícil para um adulto, é simples e natural para a criança. Toda a preparação biológica do aparato cerebral espera encontrar um ambiente em que ao menos uma língua seja falada, para que então essa capacidade de comunicação exclusivamente humana se desenvolva. A prontidão biológica para aprender a língua materna também facilita a aprendizagem de uma segunda língua pela criança, porque são utilizados os mesmos circuitos e funções cerebrais.

A aprendizagem das línguas é considerada de extrema importância, pois afeta diversos aspectos do desenvolvimento do indivíduo, como por exemplo, o desenvolvimento linguístico, neuropsicológico, cognitivo e sócio cultural. De acordo com a idade de aquisição da segunda língua, dá-se o bilinguismo infantil, adolescente ou adulto. No infantil, o desenvolvimento do bilinguismo ocorre simultaneamente ao desenvolvimento cognitivo, podendo consequentemente influenciá-lo positivamente. O bilinguismo infantil pode ser ou simultâneo ou consecutivo.

No bilinguismo simultâneo, a criança adquire as duas línguas ao mesmo tempo, sendo exposta às mesmas desde o nascimento. Por sua vez, no bilinguismo consecutivo, a criança adquire a segunda língua ainda na infância, mas após ter adquirido as bases linguísticas da língua mãe. A maior facilidade de aprendizagem acontece de acordo com a presença ou não de indivíduos falantes da segunda língua no ambiente social da criança que está adquirindo esta língua.

No caso de pais que falam línguas distintas, a criança tem a oportunidade de aprender, simultaneamente e de maneira nativa, as duas línguas, com grande vantagem sobre os indivíduos monolíngues.

Há também a oportunidade de tornar-se bicultural além de bilíngue, o que enriquece significativamente a comunidade, pois cada vez mais se compreende que o planeta precisa de pessoas que tenham uma visão tolerante e de maior amorosidade perante as diferentes culturas. Neste caso estamos falando de indivíduos bilíngues e também biculturais. Deve-se tomar o cuidado para não desvalorizar a primeira língua em detrimento da segunda, assim como a cultura a elas associada.  O indivíduo bicultural se identifica positivamente com os dois grupos culturais e é reconhecido por cada um deles.

Também há casos de indivíduos bilíngues, fluentes nas duas línguas, mas que se mantêm  monoculturais porque de alguma forma o entorno desvaloriza uma das duas culturas. A importância do reconhecimento de identidades culturais pelas crianças faz parte do processo de desenvolvimento do ser humano, tanto cognitiva como afetiva e socialmente.

Por meio da compreensão ampla sobre o desenvolvimento do bilinguismo, de suas relações com o desenvolvimento cognitivo e também das condições sociais, econômicas, históricas e psicológicas que envolvem a questão, vem ocorrendo uma desmistificação da educação bilíngue, esclarecendo assim, as diversas possibilidades existentes e suas possíveis consequências.

Num mundo em que o respeito à diversidade é meta para atingir a tão sonhada paz, há que se aprender o jeito do outro se expressar, sem contudo dirimir o valor de nossa própria cultura e forma de comunicar.

Sobre o autor

Regina Pundek

Escritora, Professora da Educação Infantil, Diretora Pedagógica,Psicopedagoga, Engenheira Civil, Educadora apaixonada pelo respeito ao Ser Humano.

Esposa, mãe, avó. Nascida em Santa Catarina e moradora da Granja Viana há 15 anos.

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