Colunistas Duplamente Juliano e Pedro Labigalini

A jovem histeria virtual

O lançamento do jogo Pokémon GO foi de fato um sucesso. O assunto permaneceu ativo durante dias nas redes sociais desde antes da estreia do aplicativo no país e exaltou a Nintendo, fazendo-a ter o dobro do valor de mercado dias após seu lançamento. Mas é possível notar um clima estranho ou um cenário dificilmente já visto.

Jovens andam cabisbaixos, notando somente o que está em sua suas mãos e seguem outros que fazem o mesmo. Direcionam-se todos aos mesmos lugares e, quando algum deles grita um nome, um aglomerado se junta a quem anunciou e agem todos de maneira semelhante. Parece realmente um episódio da série Black Mirror (vale a pena assistir), mas é um cenário comum em um lugar que possui tantos atrativos no entorno como o Parque Ibirapuera.

O tema perdura nas redes sociais até agora e é mais uma onda de histeria coletiva jovem, como aconteceu com o tão comentado caso do suposto sequestro da youtuber Maria Joyce. Há uma tendência jovem de colocar em um patamar elevadíssimo coisas que nem sempre tem a dimensão imaginada.

Foi criada uma história mirabolante sobre uma garota e jovens ao redor do mundo passaram noites em claro preocupados com ela, sem ao menos questionarem as informações, e mergulhando em uma paranoia conjunta na internet. Um fato que sequer existia passou a ser um dos mais comentados do mundo e tomou proporções assustadoras, disseminando angústia em diversas pessoas. E veja bem, não foi o único caso recente de algo que toma rumos assustadores.

O aplicativo não havia sido sequer lançado e passou a ser uma tendência única nas redes sociais. Claro, não há problema nenhum em jogá-lo e se divertir, a questão é a maneira como você lida com ele e a dimensão que tal jogo ocupa no seu dia. A histeria coletiva que veio à tona com o Pokémon transformou lugares antes frequentados pelo seu ambiente propício a atividades na natureza, em locais de utilização massiva de celulares.

Sempre existiram tendências ou hábitos seguidos por uma maioria, como o da foto, mas as novidades talvez não ocupassem tanto espaço na vida das pessoas e transformassem tanto o comportamento dos indivíduos, seja ele em relação ao espaço ou na forma com a qual lidam com um simples boato.

Fato é que, de fato, estamos cheios de novidades e possibilidades que podem ocupar espaços em nossas vidas também, porém ocupamos grande parte do nosso tempo e preocupação com pontos que não têm tanta significância. Ambos os casos geraram comportamentos bizarros, marcados pela cegueira de uma massa de jovens atrás de seus smartphones.
O que acontece fora da vida real merece ser vivido com tanta intensidade?

 

Sobre o autor

Juliano e Pedro Labigalini

Gêmeos idênticos unidos sempre. Apaixonados pelas questões do mundo afora, buscando expressar através de imagens e textos como veem o mundo.

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