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Acne: o que é?

Escrito por Débora Vieira
Acomete com maior frequência a face, mas também pode ocorrer nas costas, ombros e peito.

A acne é uma afecção de pele bastante frequente, que acomete a maior parte dos adolescentes, porém não se restringe a eles. É bastante comum em adultos, principalmente nas mulheres.

A adolescência é um período de muitas mudanças no organismo, tanto do ponto de vista físico como psíquico. É também uma das fases da vida em que a aparência é muito importante, ou seja, o comprometimento estético determinado por alterações da pele pode tornar o adolescente inseguro, tímido, deprimido, infeliz, com rebaixamento da autoestima e com consequências sérias que podem persistir pelo resto da vida.

As principais modificações que ocorrem na pele e nos cabelos estão relacionadas à atividade hormonal que se inicia nessa fase. São os hormônios sexuais, que começam a ser produzidos na puberdade, os principais responsáveis pelas alterações das características da pele, assim como pelo desencadeamento da acne (pele oleosa, cravos, espinhas, nódulos, cicatrizes). Acomete com maior frequência a face, mas também pode ocorrer nas costas, ombros e peito. Esses hormônios são chamados andrógenos e estrógenos e são produzidos tanto pelos ovários (mulher) e testículos (homem) como pelas glândulas supra-renais (duas pequenas glândulas situadas sobre os rins) em ambos os sexos. A produção dos andrógenos é maior nos homens e a dos estrógenos é maior nas mulheres. São os andrógenos os responsáveis pelo início do funcionamento das chamadas glândulas sebáceas que são mais ativas na face, peito, costas e couro cabeludo. Essas glândulas estão presentes desde o nascimento, mas são inativas até a puberdade, época em que, em pessoas com predisposição genética, desencadeia mudanças relacionadas ao conteúdo de gordura (secreção sebácea) da pele e do couro cabeludo.

A acne deve ser tratada o mais precocemente possível. Não se deve tomar mais a postura de não se preocupar e não tratar a acne por ser considerada “própria da idade”, “de desaparecimento espontâneo com o tempo” ou “de não ser doença”. O controle dessa afecção é recomendável não só por razões estéticas (melhora da aparência geral), como também para preservar a saúde da pele e a saúde psíquica, além de prevenir cicatrizes (marcas da acne) tão difíceis de corrigir na idade adulta.

Ressalta-se, a seguir, uma série de noções e recomendações essenciais para o controle da acne:

1) pode ocorrer piora relacionada ao estresse, período menstrual, certos medicamentos como os corticoides, exposição exagerada ao sol, contato com óleos, graxas ou produtos gordurosos, e, principalmente, ao hábito de mexer nas lesões (“espremer cravos e espinhas”).

2) a acne não é contagiosa e não se relaciona à “sujeira” da pele ou do sangue.

3) o bom cuidado começa com higiene adequada da pele com um sabonete ou produto de limpeza indicado. A limpeza excessiva é prejudicial à pele como um todo (irrita a pele) e pode piorar a acne.

4) a acne pode ser piorada por alimentos gordurosos ou açucarados. Os grãos integrais também devem ser evitados; são ricos em vitamina B que leva à piora da acne. O leite em excesso também pode ser prejudicial.

5) a acne pode melhorar após a exposição ao sol, porém essa melhora é apenas temporária e a exposição exagerada acarreta piora do quadro e com acentuação das manchas residuais. As pessoas com acne, como todos, devem se expor ao sol de maneira cuidadosa, racional e orientada, sempre usando protetor solar adequado para pele oleosa.

6) a acne é uma afecção que tem tratamento e que pode ser curada ou controlada. Isso leva tempo e não acontece da noite para o dia. O tratamento vai variar de acordo com a sua gravidade e localização e em função de características individuais. Há opções tanto de tratamento local, quanto por via oral ou combinação de ambos.

7) o procedimento denominado limpeza de pele, quando bem indicado pelo dermatologista e bem executado por esteticista treinada, pode ser um ótimo complemento do tratamento de algumas formas de acne. Mas nunca a limpeza de pele feita, às vezes, por leigos, pode ser considerada uma forma de tratar a acne, mesmo leve. Da mesma forma, os chamados “peelings” ou esfoliações químicas podem ser úteis como coadjuvantes ao tratamento, assim como microdermabrasão, alguns tipos de laser e luzes.

8) o portador de acne não deve em nenhuma hipótese manipular (“cutucar, espremer”) as lesões, pois isso pode levar à infecção, inflamação e cicatrizes.

9) é importante compreender como fazer o tratamento e criar uma rotina para que ele seja realizado com facilidade e possa levar aos resultados desejados. Persistência e paciência são fundamentais!

10) vale lembrar que a melhor forma de se evitar as cicatrizes da acne é o seu tratamento adequado e o mais precoce possível.

Muitas vezes a acne, tanto em adultos como principalmente em adolescentes, é motivo de angústia. Bem tratada melhora ou se resolve em algumas semanas. Por isto procure o seu dermatologista para obter as orientações adequadas e o melhor tratamento para o seu caso.

 

 

 

Sobre o autor

Débora Vieira

Formada pela Faculdade de Medicina da USP e com Residência Médica no Hospital das Clínicas da FMUSP. Desde 1995 na Granja Viana. Título de Especialista pela Sociedade Brasileira de Dermatologia Membro da AMB,SBD e SBCD.

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