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Adolescente insulta professor no Facebook

Escrito por Regina Pundek

Bem perto de onde moro, o insulto de um adolescente postado no Facebook a um professor e a sua escola desestabilizou muita gente. Rapidamente na porta da casa do garoto aconteceu um tumulto com a presença de professores e da polícia!

Há quem pense que o garoto tem o direito de se expressar e que a censura é coisa do passado. Há os que se manifestam contra qualquer tipo de opinião difamatória. Há os que entendem a necessidade urgente de avaliar judicialmente este tipo de questão. Há os que acusam as famílias por não educarem seus filhos.

Mas de fato, como avaliar essa questão? Quão triste e destrutivo pode se tornar um comentário irrefletido e cheio de emoções? O que podemos aprender sobre isso? Como podemos ajudar esse garoto, essa família e essa escola? O que pensar sobre o direito à livre expressão? Qual o regulamento das mídias sociais quanto a menores de idade?

É indubitável que o exercício da honestidade numa situação nova como esta, onde o certo e o errado podem ser vistos sob diferentes perspectivas, exige que atitudes sejam tomadas, se necessário até medidas judiciais.

Contudo, a manifestação do garoto é legítima. Num mundo em que tanto se fala em inclusão e bullying, num mundo em que adolescentes armados atiram em colegas e professores, ensinar às crianças e jovens a falar dos sentimentos é avançar na direção da paz.

Do meu ponto de vista, esse é o maior problema que a situação declara. Por isso, é preciso rever se e como estamos ensinando as crianças a resolverem seus conflitos, sejam eles internos ou inter-relacionais. Como nós nos posicionamos frente a indignações? Que modelos oferecemos aos nossos filhos?

A resolução de conflitos deveria se tornar prioridade no trabalho das famílias e escolas até a adolescência.

Gasta-se tempo em grades curriculares que tanto apontam o que o próprio nome sugere: aprisionamento!

A coisa mais importante que temos para aprender na vida é a conviver em liberdade e harmonia. Aprender a reconhecer nossos próprios sentimentos, expressá-los, ouvir o outro e entrar em consenso. Para isso, os conflitos precisam acontecer ou não poderemos trabalhar significativamente.

Precisamos acreditar na competência dos aprendizes desde pequeninos, dar-lhes vez e voz e confiar em suas intenções, além disso, saber que essa aprendizagem é um processo, lento, mas que urge!

Para resolver um conflito, o educador deve despir-se de seus contextos e percepções. Zerar emoções. Fazer muitas perguntas e ouvir atentamente todas as partes. E, somente quando todos os envolvidos e possíveis testemunhas tenham falado tudo o que viram, sentiram e desejaram, lançar a derradeira pergunta: Como vocês podem resolver isso? A resposta que as crianças trazem quase nunca é a que nós daríamos, contudo na maioria das vezes, ela mostra o consenso. Em geral, é uma resposta ponderada que leva em consideração o que as partes expressaram.

Acreditar na importância dessa aprendizagem propõe uma ação amorosa, pacificadora, tolerante e incansável sobre as brigas infantis, num esforço comum tanto das famílias como das escolas, para patrocinar uma mudança de paradigmas. A criança não crescerá acumulando sentimentos de indignação nas gavetas do coração, lidará com cada um em seu tempo.

Sobre o autor

Regina Pundek

Escritora, Professora da Educação Infantil, Diretora Pedagógica,Psicopedagoga, Engenheira Civil, Educadora apaixonada pelo respeito ao Ser Humano.

Esposa, mãe, avó. Nascida em Santa Catarina e moradora da Granja Viana há 15 anos.

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