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Ao músico iniciante

Escrito por Gabriel Corrêa

A decisão em se tornar musicista é algo transformador. Mas, entender o tamanho do caminho a ser perseguido e continuar decidido é o que nos torna musicistas.

Poder trabalhar, estudar ou praticar diariamente algo que dá prazer é uma oportunidade incrível de ser feliz e nos deixa mais livres das amarras do mundo moderno.

Ao mesmo tempo, ser músico é comprar muitas brigas e, para sobreviver a elas, será preciso muita disposição para enfrentar uma a uma.

Existem as brigas periódicas como, por exemplo, quando os familiares não aceitam sua decisão, ou quando faltam instrumentos, faltam escolas gratuitas, etc.

Mas, uma briga será eterna: a relação de amor e ódio, a superação, o autoconhecimento e a relação viva que terá com seu instrumento e com a música. Uma briga pessoal onde o desafio é não desistir.

Existe até uma brincadeira no meio musical que fala que o gato do João Gilberto pulou da janela de tanto ouvi-lo estudar o violão. Piadas a parte, a questão principal é o envolvimento do músico com seu instrumento.

Assim, se você realmente quer viver e sobreviver como um musicista, será necessário muito swing, muita rebolação para se virar e, acima de tudo, muito, muito, muito estudo mesmo.

Pensando nisso, gostaria de passar algumas dicas que julgo importantes para o aprendizado musical.

Vejo a música em quatro linhas de frente: técnica, percepção, improviso e prática de conjunto.

Técnica:

 Independente do instrumento, busque sempre o repouso muscular e a lei do mínimo esforço nos movimentos. Isso fará com que você consiga estudar mais tempo sem se machucar.
 Busque fazer os exercícios técnicos diariamente, mas tente variar os exercícios em cada dia. Isso ajudará também na prevenção de tendinites ou calos vocais.

Percepção:

 Cante tudo que você tocar, o som das batidas, das frases melódicas, das linhas harmônicas.
 Use sempre o metrônomo para estudar.
 Caso seu instrumento seja voz ou percutido aprenda também um instrumento harmônico.
 Treine diariamente os intervalos de notas.

Improviso:

 Conhecer as escalas pelos sons das notas e não só pelo desenho visual.
 Conhecer as notas que formam cada acorde (arpejos).
 Conhecer bem os ritmos e saber discriminá-los na hora de tocar.
 Estudar as diferentes células rítmicas e aplicá-las cantando no improviso.
 Aprender o máximo possível de temas melódicos.

Prática de conjunto:

 Procure fazer som com todos, tente ver a música como meio de união entre as pessoas.
 Ao pensar em montar um grupo tente variar os timbres dos instrumentos escolhidos.
 Distinga o timbre de cada instrumento durante a prática.
 Tente ao máximo ensaiar com metrônomo.
 Invente diferentes arranjos para as músicas do seu repertório.
 Procure sempre novas músicas para ouvir.

Ser musicista é sentir falta de tocar ou cantar, querer fazer música sempre. Cantarolando no chuveiro, batucando no terreiro, na avenida, no bar o tempo inteiro, até mesmo quando a gente não quer.

Sobre o autor

Gabriel Corrêa

Gabriel Ribeiro Corrêa, músico. Foi violonista, vocalista, compositor e arranjador do Grupo Olaria. Atualmente, leciona música no Colégio Ofélia Fonseca. É sócio fundador, violonista e cantador do Grupo Saracura, um coletivo de músicos que desenvolve práticas musicais em hospitais.

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