Colunistas Duplamente Juliano e Pedro Labigalini

Ao polarizar, poluímos

Não é difícil perceber a necessidade humana de estabelecer-se em um grupo, em determinar um rótulo ou catalogar-se de acordo com ideais, gostos, preferências, ou maneiras de agir diante de determinadas situações.

O problema não está em catalogar diversos setores da sociedade, e sim em enfrentar alguém apenas por conta de um rótulo, sem enxergá-lo enquanto ser humano, nem considerar sua complexidade, colocando-o em um polo oposto ao seu.

Outro dia estava almoçando em um restaurante e, quando fui pagar a conta, uma senhora me abordou. Fiquei surpreso com a pergunta feita completamente fora de contexto, sem que eu ao menos a conhecesse ou estivesse diante de uma questão que envolvesse um posicionamento político. “Você não acha que o comunismo está acabando com a América Latina?”.

Claro, discutimos por cerca de meia hora, mas sem entrar no mérito de esta ser uma posição política sensata ou não. O que mais ficou evidente foi o fato de ela catalogar indivíduos de um partido T ou SDB e polarizar a situação como certa e errada, boa e má, bandida e honesta.

Em tempo de redes sociais, onde tudo o que vemos é filtrado, acabamos conhecendo somente o lado da história que nos convém e entramos cada vez mais em um polo, desconsiderando o oposto. Afinal, só vemos crítica ao que não concordamos e heroísmo no nosso ponto de vista.

Faltava naquela moça algo muito importante, a autocrítica. Fui mostrando a ela, que dizia ser cristã, que sua religião tinha muitos aspectos em comum com alguns ideais que ela tanto condenava. E que um dia, o messias, cujos mandamentos ela seguia, fora catalogado como opositor, perseguido pelo o que pensava ou pregava e que hoje fazemos a mesma coisa com aqueles que não pensam como nós.

O fato de polarizarmos as pessoas em “coxinhas“ ou “petralhas“ mostra que ainda colocamos como inimigos aqueles que pensam diferente de nós e os buscamos para o confronto até na hora de pagar uma conta.

O debate entre lados opostos é muito produtivo, desde que envolva algo a ser debatido e que consigamos ouvir o que o outro tem a dizer.

Repetimos exatamente o que fazem jovens nas escolas ao excluírem um e outro e colocarem classificações em grupos, passando a ter aversão a eles sem ao menos os conhecer. Polarizar situações entre o humilhado e o popular é algo que não devíamos achar normal, afinal, o bullying mata por volta de 4.400 jovens por ano nos EUA, segundo o Bullyingstatistcs.org

O diálogo é a melhor resposta aos problemas, e é necessário que ambas as partes estejam abertas a ouvir o que o próximo tem a dizer. Afinal, o outro também é um ser humano e sua visão vale tanto quanto qualquer outra.

Ideais, atos ou instituições podem e devem ser combatidos, mas o indivíduo não. Ele é um ser humano e merece ser considerado como tal.

Sobre o autor

Juliano e Pedro Labigalini

Gêmeos idênticos unidos sempre. Apaixonados pelas questões do mundo afora, buscando expressar através de imagens e textos como veem o mundo.

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