Colunistas Daqui Heloísa Reis

Arte … antiga … moderna … contemporânea …

Escrito por Heloísa Reis

Olhar para a arte e observar sua diversidade nos faz sentir seu grande enigma: afinal que mistério fez com que ao longo de toda a história da humanidade – durante séculos e séculos – ficassem registrados em paredes, pedras, telas, papéis e em muitos outros materiais as inquietações e celebrações dos pensamentos do animal homem?

Que impulsos levaram os homens das cavernas a registrar o contorno de suas mãos nas paredes enquanto abrigados das intempéries e perigos da vida selvagem?

Que razões havia para que reis e papas poderosos contratassem os serviços de habilidosos profissionais para o registro de episódios interessantes a seus propósitos de manutenção de poder?

Decifra-me”, diz a Esfinge – “ou devoro-te”.

De fato, se não compreendemos a história de nosso pensar e fazer, somos todos devorados pelas anulações, esvaziamentos e desvios de nossa conduta como seres humanos, pensantes e atuantes.

Ana Mae Barbosa, autora de diversos livros e artigos sobre Arte, questionada sobre como definir a Arte Contemporânea afirmou ser impossível dar uma definição já que a pluralidade de nosso tempo aponta sim para uma série de qualidades acumuladas que qualificam a arte hoje muito diferentemente da Arte Moderna do século XX. E que Arte Moderna foi essa, plena de movimentos sucessivos e/ou concomitantes, mas sempre surpreendentes em suas rupturas?

Na busca por respostas há o perigo de se tentar expressar ou condensar a expressão simbólica de toda a humanidade através das parafernálias digitais que hoje estão ao nosso alcance. Contudo, podemos fazer a tentativa de pensar pós- contemporaneamente buscando os parâmetros da sacralidade e dos valores essenciais, para que – pelo amor de Deus – escapemos dos mares de lama em que nos debatemos hodiernamente.

baudelaire

Charles-Pierre Baudelaire, poeta e teórico da arte francesa (1821 – 1867)

leonard cohen

Leonard Norman Cohen, cantor, compositor, poeta e escritor canadense (1934 – 2016).

Precisamos urgentemente de algo que nos transporte ao retorno dos verdadeiros valores que sabemos existir! Só precisamos atentar para as circunstâncias. Charles Baudelaire, no século XIX, dizia que: “É preciso ser de seu tempo”. E agora, no Terceiro Milênio, Leonard Cohen, reafirma a mesma ideia nos versos de sua canção: “Parecia ser verdade, mas não é a verdade de hoje”.

Sobre o autor

Heloísa Reis

Artista visual e arte-educadora, pesquisa a linguagem da arte contemporânea e sua importância enquanto instrumento de transformação. “Pinta e borda”, constrói objetos e gosta de ler e escrever. Atua em grupos como MDGV, Transition da Granja e Grupo ArteJunto procurando aprender com eles a arte de refletir a cidadania.
www.encontrosheloisareis.blogspot.com

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