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Cenários de um pai

Escrito por Redação

Morador da Granja há 15 anos, Álvaro Egas, cenógrafo, 53 anos, casado com Viviane Tricerri, pai de Flora, com 15, acha que ser pai é tudo de bom. E sempre foi o que se chama de um pai moderno, como ele mesmo diz, um “pãe”, mistura de pai e mãe. A esposa é testemunha: “ele nunca considerou uma ajuda, sempre achou que fazer de tudo, dividir, era também seu trabalho. ”

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Para Álvaro, mudou muito a forma de encarar a paternidade na sociedade. Acredita que hoje a conversa é muito mais aberta, existe mais troca de informações. “Você pode falar sobre qualquer coisa, namorado, feminismo, menstruação, o que for. Temos mais proximidade com os filhos, trocamos informações. E acompanhamos cada fase, também relembramos nossa própria vida. Quando a Flora era criança, eu lembrava da minha infância, das brincadeiras, do que fazia. “

Apesar dessa mudança, sente que muitos pais ainda são ausentes, abandonam a família, não contribuem. “Tenho muitas amigas que reclamam dos pais de seus filhos. Um filho, um ser humano, tem que ser amado. ”

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Também acha que ser um pai aberto, não quer dizer que é um amigo. “Ser pai é ter outra postura. Existe uma responsabilidade em acompanhar o filho em suas fases, dizer não quando necessário. Meu pai se tornou meu amigo depois que me tornei adulto. Acho que é um caminho natural. ”

Conta que agora a família está vivendo o momento da adolescência de Flora. “Ela se afasta, mas também se aproxima. Quando peço para se desconectar da internet, das redes sociais, cria-se um conflito. Mas estou sendo pai, não o amigo.”

Álvaro avalia que esse excesso de conexão virtual cria um afastamento do convívio social. “A gente pede para ir brincar, conversar, valorizar o contato humano. Esse é um mundo completamente diferente, não temos controle de que informações estão recebendo. “

“Quando você é pai, seu filho aprende com o que você diz, com o que você faz. Criar filho é muito bonito, quanto menos você põe, mais bonito ele vem, sem cercear. “

Recentemente Álvaro perdeu o pai. A morte, conta, aumentou sua reflexão sobre a paternidade. “Aí você sente a importância que um pai tem na sua vida. Era um porto seguro, uma segurança que se vai. Seja pai ou mãe. Você só entende o que é ser pai, quando se torna um. “

Por Fabíola Lago, Jornalista, colaboradora do Jornal d’aqui.

Sobre o autor

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O Jornal d'aqui digital é uma prestadora de serviços que atua com comunicação na região da Granja Viana, Cotia (SP). Nasceu originalmente em 1979 como mídia impressa e assim atuou durante 35 anos. O formato atual surgiu a partir de um movimento de amigos/leitores inconformados com o encerramento de suas publicações.

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