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Crianças!

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Escrito por Geni Alburquerque

O olhar curioso e principalmente, seu sorriso encantam e sou convidada a sorrir também!

Inevitável, sempre foi e sempre será…

Acontece em qualquer lugar independente da origem, é só encontrar aquele par de olhos curiosos.

Há muito tempo, consigo me definir como Curióloga por natureza, pelo simples fato de que mantive como princípio ou linha de ação, com tendência a propulsão, esta característica maravilhosa com que são dotadas todas as crianças durante a primeira e segunda infância.

Por instinto materno, defino que cada criança representa o futuro de um município, independente do número de habitantes e que, na adolescência, irá influenciar as políticas públicas de um estado e, como adulto, representará os anseios dos habitantes de um país.

Segundo James Heckman, as primeiras impressões e experiências nos primeiros anos de vida, preparam o terreno no qual o conhecimento e as emoções vão se desenvolver no futuro.

De tempos em tempos e quando existe verba pública disponível, surgem pesquisas sobre a população e percebo que nestes quase 34 anos de Cotia, nunca fui convidada a responder a qualquer pesquisa, ou sequer, tive notícias sobre um senso a respeito das crianças que nascem e crescem no município e que representam a forma como a cidade irá se desenvolver no futuro.

Quantas estão para nascer? Suas gestantes que também são gestoras de um futuro promissor estão sendo bem orientadas fisicamente e psicologicamente? Ao nascerem, recebem cuidados e estímulos necessários para um bom desenvolvimento físico, mental e emocional?

Frequentam creches e escolas onde os envolvidos na nobre tarefa de estimular futuros talentos são profissionalmente aptos para a função e a desempenham com orgulho?
Como nossas crianças crescem? Sim nossas, porque dependeremos delas um dia como nação!

Será que o ambiente familiar é saudável e equilibrado?

Eu que estudei até o ensino fundamental em escola pública, lembro das temporadas em cada modalidade de esporte e quando apresentava uma aptidão, automaticamente meus pais eram convidados a conhecer o esporte e autorizar sua prática.

Será que ainda é assim? Ou se busca a fama e dinheiro como sustento no país do futebol?

O esporte, a arte e a música tem o poder de desenvolver diversas habilidades e orientam princípios que afastam as crianças da violência, das drogas e de gestações na adolescência, contudo, será que os que gerenciam o nosso município possuem este discernimento em seus programas sociais?

Quando adolescentes, se veem no corredor das definições quanto ao seu futuro vocacional e nós, quando os vemos sorrindo sonhadores, porque até então suas responsabilidades se restringem apenas à organização de seus pertences, nos perguntamos se estarão preparados para o mercado de trabalho.

Complacentes, cientes e mais do que conscientes de que o mercado de trabalho não mais absorve o conhecimento acumulado, exigindo novas habilidades para a conquista do emprego que lhes permitirão alcançar sua independência financeira.

Como se comportam nossos governantes diante da impossibilidade de oferecer a concretização daqueles sonhos adolescentes interrompidos pela violência, tão bem expostos nas palavras de Mariana Alves (Diretora de cursinho no Rio de Janeiro): será que na favela do Macaco em Cotia também é assim?

Pelo tipo de ocupação que observo ao redor, percebo que teremos demanda apenas por empregos que não oferecem o desafio do crescimento profissional, obrigando a população talentosa a se deslocar para cada vez mais longe de suas casas, porque São Paulo, a cada novo empreendimento, está cada vez mais distante.

Com os espaços destinados a moradia cada vez mais reduzidos, levarão as crianças a brincarem novamente nas ruas e sem calçadas, sem o contato mais do que saudável com árvores e animais silvestres, porque não vejo espaços se transformando em praças e parques atualmente.

Que bom seria se Cotia transformasse cada olhar curioso e cada sorriso infantil em esperança de desenvolvimento sustentável ao invés de proporcionar frustações e lágrimas por oportunidades perdidas.

Sobre o autor

Geni Alburquerque

Autodidata multidisciplinar. Sócia-proprietária da Taúna e consultora em paisagismo ambiental e jardinagem.

Blog: qualidadedevidaejardim.blogspot.com.br

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