Colunistas Duplamente Juliano e Pedro Labigalini

Da fila da cantina à lava jato

Em meio a um enorme caos político o qual estamos vivenciando no momento em nosso país, fica o questionamento: como queremos o país para os nossos filhos?

Tal questão foi utilizada como argumento na votação do impeachment no dia 15 de abril, na qual muitos deputados proferiram discursos que citavam seus filhos e afirmaram seus votos para o bem das futuras gerações.

Pergunta-se, muitas vezes, se política é o que vimos naquele domingo; aquele show, carnaval, festa, ou circo; como queira chamar. Mas a política vai muito além de partidos, de golpes nas costas, de espetáculo caótico e esquemas de corrupção abafados por aqueles que a condenam. Política é a forma como nos relacionamos com os outros para resolver conflitos, e está muito próxima de nós.

Que todos queremos um país melhor não resta dúvidas. Mas a questão real está no que fazemos para que ele melhore. Não existe ninguém a favor da corrupção e, de fato, ela é um mal a ser combatido; mas combatido por todos e em todas as formas, afinal, não é somente a corrupção do outro que é crime.

O falso moralismo está encrustado em nossa maneira de agir, afinal, ver a Globo transmitindo uma passeata contra a corrupção chega a ser irônico, uma vez que, em 2006, a emissora chegou a sonegar os valores exorbitantes de 615 milhões de reais para a Receita Federal.

Como jovem, é difícil enxergar que tal hipocrisia não está presente somente no mundo empresarial e político-partidário e sim em nosso cotidiano. Vemos adulto subornarem guardas de trânsito, furarem filas, sonegarem à Receita e viverem do “jeitinho brasileiro”.

Conviver com as pessoas mais velhas agindo dessa maneira é preocupante, afinal, normaliza a sonegação, o suborno e outras práticas ilegais que passam a ser consideradas um espectro de nossa cultura e deixam de ser condenáveis, passando a ser algo banal.

Todos nós já erramos. E erramos muitas vezes. Nós, jovens, falsificamos documentos, colamos nas provas, furamos filas na cantina, compramos produtos ilegais, consumimos drogas ilícitas.

Sim, está tudo fora da lei, mas muitas vezes não enxergamos isso. Devemos parar de achar normais tais atos, pois são tão condenáveis quanto as propinas da Lava Jato. E, se de fato queremos um país melhor para nós, devemos começar a mudá-lo da base, modificando aquilo que fazemos que prejudica o coletivo.

É perceptível que nossa ânsia em julgar os outros é muito maior que a de olharmos no espelho. Condenar aqueles envolvidos em esquemas é muito mais fácil que enxergar nossa sonegação anual, a nossa “malandragem” e ímpeto para sair sempre por cima dos outros, mesmo que de forma atropelada.

Todos queremos um futuro melhor, mas de fato podemos exigir isso? Podemos questionar com todas as forças a corrupção e apontá-la somente com um mal do mundo político? Todos desejamos um lugar melhor, mas de fato o merecemos?

Sobre o autor

Juliano e Pedro Labigalini

Gêmeos idênticos unidos sempre. Apaixonados pelas questões do mundo afora, buscando expressar através de imagens e textos como veem o mundo.

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