Colunistas Esporte Gabriel Medeiros

Descanse em paz, Chape

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Escrito por Gabriel Medeiros

Demorei um pouco para falar sobre essa tragédia que mobilizou todo o mundo. Com as redes sociais tomadas por gestos de sensibilidade, acreditei que era momento para refletir sobre isto. Não é toda vez que uma tragédia mobiliza tanta gente. Olhando para o que senti, consigo entender por que essa quantidade de pessoas reagiu dessa forma. Tragédias acontecem com frequência, mas por que esta atingiu tal nível?

Sou santista, apaixonado por futebol, mas especialmente apaixonado pelo nosso futebol nacional. Sempre gostamos de times sem grande expressão que fazem algo diferente. E a Chapecoense reflete o carinho de todo o povo brasileiro, ao conquistar, passo a passo, seu espaço na elite do futebol. Foram seguidas ascensões e performances cada vez melhores no cenário internacional. E agora, prestes a disputar uma final sul-americana, uma tragédia deste tamanho quebra uma expectativa não apenas dos seus torcedores, mas de todos que conheciam seu time.

E não era um time composto de craques, que se esbaldam de dinheiro. Era composto de muitos jogadores humildes que acreditavam em um projeto de ascensão. Que continuaram no clube para conquistar seus objetivos. Era um time que destoava do padrão com que estamos acostumados. E o ano de 2016, com certeza, uniu esses jogadores, comissão técnica e diretoria de tal modo que é difícil de explicar. Afinal, chegava o momento tão esperado após anos de trabalho. Todas as entrevistas mostram a grandeza do momento que estavam vivendo.

Talvez, por todos estes fatos, o sentimento de dor tenha sido tão grande. Foi a maior tragédia do futebol.

É muito louco pensar que tudo isso foi por um acaso. Li diversos posts, alguns muito semelhantes, mas uma grande maioria reivindica: futebol não é apenas um jogo. E definitivamente não é. Acredito que qualquer meio de manifestação de extravasar, seja por um jogo, por uma música, uma arte, desenho, é muito mais do que a sua definição diz que é. É algo que nos mostrar quem somos tanto internamente quanto externamente. Vai muito além.

E isto se comprova com cada gesto feito desde o momento após o acidente onde 71 pessoas de um voo internacional faleceram. Começa a partir da aflição de cada um que lia a reportagem sobre o acidente e não acreditava ser possível e vai se comprovando com a instantânea resposta de clubes por tudo o mundo querendo ajudar. Foi um gesto onde as pessoas perceberam, através de um clube de futebol, que seres humanos precisariam de ajuda daqueles que podem oferecê-la. Cada um está fazendo o que está ao seu alcance, comprando camisetas do clube, doando dinheiro, se associando ao clube ou emprestando jogadores.

chapeAgora vamos conversar sobre o Atlético Nacional. Que homenagem! Foi algo que eu nunca vi na vida. Primeiramente sobre seu gesto honroso de solicitar que seu adversário seja campeão. Em segundo lugar, pela cerimônia maravilhosa que organizaram. Vejo os vídeos e me arrepio. Convocar 100 mil pessoas para se vestir de branco e levar velas ao estádio para a hora em que seria realizado o jogo, em apenas dois dias é algo fora do normal. Que lição o mundo teve. Foi uma das cenas mais bonitas que já vi, sem dúvidas.

Às vezes, as tragédias vêm nos mostrar que este mundo tão acelerado onde vivemos, cheio de conflitos, discussões, realmente não vale nada. Adversários de um jogo são apenas adversários, jamais inimigos. Acredito que a Chapecoense nos mostrou que a eterna pergunta que todos temos sobre qual o sentido da vida pode ser respondida: é muito mais do que qualquer título ou retorno financeiro.

É trazer felicidade para o seu entorno.

Sobre o autor

Gabriel Medeiros

Granjeiro,18 anos, cheio de sonhos e planos para a Granja Viana. Sempre estudou em escolas da região e este ano presta vestibular para Educação Física. Foi voluntário na área de esportes do Projeto Âncora. Criador e é administrador e autor do blog “Tá Por Dentro?”

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