Colunistas Crônica Thomas Hahn

Dois mil e dezoito vem aí

Escrito por Thomas Hahn

2017 já era. Faltam apenas alguns detalhes finais – 17 prisões do Lava Jato, nova denúncia contra Temer, 17.428 mortes violentas, meu Palmeiras chegar lá, compras de Natal, e pronto. Página pronta para ser virada.

O 2018 que vem aí é o que deve nos preocupar a todos. É ano de eleição de presidente, senador, governador, deputado estadual e deputado federal.

Seremos chamados para exercer nosso dever e direito soberano de votar – e será uma Missão Impossível. Não temos a menor ideia de como serão as regras políticas, se ainda teremos que conviver com coligações partidárias, se vai ter o distritão, se existirá verba federal para uma campanha minimamente esclarecedora, e se algum candidato terá condições de me informar quem é, o que faz, e o que defende como plataforma e proposta política. E se ainda perdurará a triste figura do suplente a senador, pessoa oculta cujo nome é apenas revelado quando o titular assume uma pasta ministerial por algum tempo.

Tenho plena consciência do fato de estar na contramão política de muitos dos meus conterrâneos. Acho, por exemplo, que o voto deve ser obrigatório, sim. Vejo o exemplo dos países que o tem facultativo, e noto que a participação nas eleições dificilmente chega aos 50%. Terminada a votação, vai-se às ruas contra o novo governo, sem ter tido o cuidado de ter votado. Penso, também, que promover verbas públicas para as eleições é a forma mais neutra de se promover uma disseminação de propostas e candidaturas, permitindo a cada cidadão formar sua própria escolha sem o excesso de marketing político que tem nos dominado ultimamente.

Mas, confesso estar pessimista. Este arremedo de Congresso, cuja visão natural é preservar e renovar seu próprio mandato, jamais será capaz de votar algo que seja bom para o cidadão. E Assembleia Constituinte só existe quando há uma ruptura no governo, isto é, quando, de repente, as instituições são violadas pela força. Já vi este filme algumas vezes e, francamente, é impróprio para todas as idades. É bem plausível, no entanto, que cheguemos (outra vez) a este ponto se a eleição de 2018 for um fracasso, tendo mais votos nulos e ausências que votos válidos.

Na minha perspectiva cética de ancião, estou vendo um futuro mais para verde oliva do que para cor de rosa.

Sobre o autor

Thomas Hahn

Filósofo de botequim, autor consagrado (por ele mesmo) de um livro, colaborador, com muita honra, desde o primeiro número do Jornal d'aqui e morador da Granja Viana desde 1973.

Blog: www.avistadobanco.wordpress.com

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