Colunistas Crônica Thomas Hahn

E se o PIB…?

Escrito por Thomas Hahn

O Brasil pode estar vivendo um inferno econômico, mas não está sozinho. O crescimento do tal Primeiro Mundo, desde a crise de 2008, não está lá estas coisas. A Europa e o Japão andam devagar, quase parando; na Espanha, por exemplo, o desemprego ronda os 20% faz tempo, a Grécia foi para o brejo, Portugal está em ritmo de austeridade, e os Estados Unidos mantém uma política monetária frouxa sem incidir em inflação – sem falar da existência de juros negativos aqui e acolá. Em suma: os economistas são marcados por calvície, pois arrancaram seus cabelos no afã de encontrar fórmulas certeiras para impulsionar o PIB de suas nações – só que o PIB teima em empacar.

Economistas, dizia Mário Henrique Simonsen, são profissionais capacitados a explicar hoje porque erraram ontem. Não sendo economista, atrevo-me a fazer algumas perguntas imbecis. Primeiro: ao longo dos anos, o mundo industrializado acostumou-se a impulsionar a economia pelo crédito ao consumidor, na base do “compre hoje e pague em suaves prestações”. E se o consumidor, que penou para pagar as tais prestações, que de suave não tinham nada, resolver ter bom senso e evitar dívidas? Como fica o PIB?

Em segundo – e aí é uma pergunta local: noto que as pessoas estão comprando menos carros. Em parte, vem do que já perguntei acima. Desconfio, no entanto, que pode ocorrer outro fenômeno. No Rio, por exemplo, encontro muitas pessoas que abandonaram, por completo, a ideia de ter um carro só para si. Fica mais barato (e conveniente) andar de taxi, metrô ou no novo bonde – sem mencionar o fato que não existe vaga de estacionamento na cidade. Creio que São Paulo segue um caminho semelhante. O transporte coletivo está, aos poucos, servindo melhor à população.

Finalmente, as grandes invenções, que alteraram bruscamente os desejos de consumo, parecem ter ficado para trás.O novo celular inteligente não difere muito do anterior, e, quem sabe, seus novos feitos não são tão desejáveis a ponto de rifarmos o modelo anterior. Eletricidade, motor de combustão interna a gasolina, reprodução de som, ar condicionado e geladeiras – estas, sim, foram invenções que mudaram drasticamente o mudo de vida das pessoas. A informática parece ter empacado no hábito das pessoas de grudar seus olhos numa telinha e digitar adoidado (isto passará!).

Talvez tenhamos que nos acostumar a uma economia que é o que é, que não vai a lugar nenhum, no qual compramos o que precisamos e não o que o marketing tenta nos empurrar a qualquer custo.

E, quem sabe, tenhamos que aprender a encontrar nosso bem estar na convivência, nos relacionamentos, na cultura, ou mesmo na fé.

Sobre o autor

Thomas Hahn

Filósofo de botequim, autor consagrado (por ele mesmo) de um livro, colaborador, com muita honra, desde o primeiro número do Jornal d'aqui e morador da Granja Viana desde 1973.

Blog: www.avistadobanco.wordpress.com

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