Colunistas Crônica Thomas Hahn

Economia doméstica

Escrito por Thomas Hahn

Basta ler o jornal para se ter uma visão pouco alentadora do que é o ser humano que está sendo produzido nos lares, não só brasileiros, como também, do mundo. Crianças que crescem sem a presença contínua de pelo menos um dos pais, que não conhecem a disciplina, o respeito, o amor, que chegam às escolas despreparadas para um convívio ameno com outros, que praticam ou sofrem bullying, que agridem e desrespeitam professores, que chegam à idade adulta despreparadas para a ética do trabalho, que tudo vêm pela ótica do eu, incapazes de pensar no bem coletivo, sem apetite por compromissos de longo fôlego…

O custo social destas novas gerações é muito alto. As escolas não conseguem ensinar, porque antes tem que educar – o que seria a função dos pais. Aumento de violência, de alcoolismo juvenil, de fármaco-dependência, de crimes e vandalismo – tudo isso tem custo monetário mensurável. Baixa produtividade no trabalho, construção de presídios e aumento da população carcerária, vidas perdidas por causa do crime, do álcool e das drogas, são consequências de uma infância que se desenvolve abandonada pela família.

Gostaria de propor, para início de discussão, que se considerasse uma experiência que se desenvolve há algum tempo em países escandinavos: considerar a formação do lar uma função basilar para o progresso e bem estar de um país, remunerando, via estado, a pessoa que cuida do lar que tenha crianças abaixo de uma certa idade. Esta pessoa pode ser o homem ou a mulher. Tanto faz. O importante é que um adulto abra mão, por algum tempo, de um trabalho externo remunerado, ou até de uma carreira, sem que este ato se transforme em sacrifício exagerado para o bem estar da família. Tem muito a ser desenvolvido nesta ideia, e, francamente, não me considero capaz de levar meu raciocínio adiante sem ajuda. Um dado adicional: dizem os doutos que, a partir de 2032, a população brasileira entrará em declínio; haverá falta de mão de obra, e a pirâmide previdenciária terá sua base solapada.

Defender a família não é, tão somente, um slogan da bancada evangélica. É uma necessidade básica para a sobrevivência digna de uma nação. Convido-o, portanto, a refletir sobre o assunto, tanto com a mente quanto com o coração. E, se sua reação for positiva, colabore com suas propostas.

Sobre o autor

Thomas Hahn

Filósofo de botequim, autor consagrado (por ele mesmo) de um livro, colaborador, com muita honra, desde o primeiro número do Jornal d'aqui e morador da Granja Viana desde 1973.

Blog: www.avistadobanco.wordpress.com

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