Colunistas Educação Regina Pundek

Elogio e Harmonia

Escrito por Regina Pundek

“Na saída da escola meu filho (de 7 anos) insistiu que parássemos para comprar figurinhas..  Eu estava cansada, mas acreditei que o fim de dia poderia ser melhor se concordasse com ele.  Então, entreguei-lhe a única nota que eu tinha na carteira e disse-lhe: eu ficarei no carro, estou te cuidando daqui.  E, lá se foi ele.  Quando voltou para o carro, eu disse: ‘Estou orgulhosa de ti, filho!  Tu aguardaste tua vez, fizeste teu pedido, pagaste, recebeste o troco e te despediste da moça.  Parabéns!’ Lá do banco de trás ele sorriu, lindo. Quando chegamos a nossa casa larguei-me no sofá e liguei a TV.  De repente, lá vinha ele, nas mãos carregava uma bandeja e um copo de suco de laranja, que fizera para mim.”

Pois é, o relato acima mostra como as palavras são poderosas.  Um elogio sincero, bem colocado, provoca o ouvinte a retribuir, a agir mais de acordo com o coração de quem fala para receber mais e mais elogios.  O elogio produtivo inicialmente diz da emoção do ouvinte e depois faz uma leitura do fato que causou a emoção. Simples, direto, discreto. As palavras trazem uma carga de energia boa ou ruim. Elas também podem gerar  traumas, desarmonia, confrontos.

Falando de extremos, podemos citar uma criança que ouça com frequência “Cai fora, estrupício, traste inútil”  ou  “ Sai daqui, vadia!”. Vamos lá, que chances  tem essa criança de virar a mesa?  Que referências ela tem de amor e confiança? Como conseguirá construir uma boa autoestima?

Os filhos dão à palavra dos pais total crédito!  É a palavra sincera, firme, coerente e amorosa que nutre o equilíbrio emocional das crianças.  E, esse equilíbrio tão importante, acrescido da nutrição física e dos bons estímulos sociais e intelectuais, aponta a possibilidade de um desenvolvimento saudável e feliz e consequentemente da construção de paz.

Para desenvolver o hábito de elogiar é necessário refinar a prática da escuta e observação do outro, mas também de si.  Olhar para seus tempos, sua agenda, analisar  suas prioridades, e mais profundamente refletir o propósito da vida.

Gosto de entender que o propósito é amor e paz.  O trabalho, o dia a dia, a rotina têm que ser ferramentas para atingirmos esse estágio. Depois disso, depois de avaliar nossas próprias necessidades, humanas e espirituais, estamos aptos a olhar para o outro, seja a criança que educamos, seja o marido, a esposa, ou o colega de trabalho.

E para encerrar nossa reflexão aí vai mais uma história de elogio bem sucedido:

“Todos os dias, ao sair do trabalho ela pegava os três filhos na escola e começava sua segunda jornada – o trabalho de mãe.  Ajudava os meninos com a lição, o banho, a janta e a resolver as infindáveis brigas entre eles.

Quando o marido chegava,  ela estava se sentindo um bagaço.  Então reclamava que ele nunca chegava cedo para participar daquela função e que tudo sobrava pra ela.

O marido procurava chegar cada dia mais tarde, para quem sabe pegá-la dormindo e escapar de tantas lamúrias.

Mas houve um dia em que o pessoal do escritório desistiu do happy hour, a turma do futebol furou e, ele sem querer, chegou cedo em casa.  

A esposa se surpreendeu e instintivamente, calou.  Os meninos ficaram felizes e o pai participou do final do dia, até contando a historinha para que adormecessem.  E, contou história de boca, história de sua vida de criança, o que encantou os filhos.  

Enquanto isso a esposa descongelou uma lasanha e colocou um vinho para gelar.  Depois do jantar, os dois namoraram.  Em seguida ela disse:  – Hoje fiquei tão feliz.  Você chegou cedo, os meninos ficaram alegres, você também parecia estar alegre e, participou do final do dia conosco.  Jantamos, namoramos e agora estamos conversando.  Que gostoso, obrigada!”  

Sabem o que aconteceu no dia seguinte? Bidú! O marido começou a chegar cedo em casa.

Sobre o autor

Regina Pundek

Escritora, Professora da Educação Infantil, Diretora Pedagógica,Psicopedagoga, Engenheira Civil, Educadora apaixonada pelo respeito ao Ser Humano.

Esposa, mãe, avó. Nascida em Santa Catarina e moradora da Granja Viana há 15 anos.

Deixe um comentário