Colunistas Crônica Thomas Hahn

Excesso de déjà vu

Escrito por Thomas Hahn

Em quase seis anos de guerra morreram uns 500 mil sírios. Em Ruanda foram 1 milhão que sucumbiram ao genocídio de uma tribo contra a outra. Há 75 anos 6 milhões de judeus perderam suas vidas durante o nazismo. Há 90, 40 milhões de russos foram imolados ao deus Comunismo. Há 100, os turcos tentaram extirpar os armênios da face da terra. No Brasil, perdemos 130 conterrâneos por dia às armas de fogo.

Em 1969 eu dirigia uma instituição financeira, e precisava de um tesoureiro, cargo de extrema confiança. Surgiu um candidato ao posto, nortista. Havia sido secretário de segurança no seu estado; perdera seu posto devido ao AI-5 do governo militar, cassado que fora. “Mas não foi por subversão”, afirmou ele ponderadamente. Naqueles tempos, a alternativa era ser cassado por corrupção. É claro que tamanha franqueza me comoveu. O cargo foi seu, e ele cumpriu suas funções com perfeição.

Na Roma Antiga era comum a muitos homens da casta superior afirmar que a mulher só servia para a procriação, para a perpetuação da família. Amor era algo que só poderia acontecer entre homens – mulher não tinha alma.

Durante décadas, após a segunda guerra mundial, vivi sob a sombra da ameaça de uma guerra nuclear entre duas grandes potências. Numa, o chefe de estado se embriagava com vodca; na outra, com whisky Bourbon (muito mais grave).

Nestes quatro parágrafos sucintos escrevi a razão pela qual tenho deixado, aos poucos, de contribuir com minhas profundas, brilhantes e/ou divertidas crônicas para este jornal.  Tudo que acontece, já aconteceu antes, e pouco ou nada aprendemos da História. O ser humano não se aperfeiçoa eticamente pelo conhecimento científico. A voz do povo continua não sendo a voz de deus – muito menos de Deus.

Não, não sou um velho dado ao negativismo, um chato pessimista. Estou, apenas, tendo dificuldade de escrever algo novo. Deve ser excesso de déja vu.

Um abraço,

Thomas Hahn

Sobre o autor

Thomas Hahn

Filósofo de botequim, autor consagrado (por ele mesmo) de um livro, colaborador, com muita honra, desde o primeiro número do Jornal d'aqui e morador da Granja Viana desde 1973.

Blog: www.avistadobanco.wordpress.com

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