Colunistas Daqui Geni Alburquerque

Favela ou Fluxo 26?

foto1
Escrito por Geni Alburquerque

Favela: Assentamento urbano informal densamente povoado caracterizado por moradias precárias desprovido de serviços básicos e sem qualquer regularização fundiária constituindo a expressão viva das desigualdades sociais, da marginalização e exclusão social de uma parte da cidade.

Fluxo: Denominação que assinala um aglomerado de dependentes de crack.

26: Dispositivo de retorno localizado neste Km da Rodovia Raposo Tavares.

Model

Favela: Nome popular para Cnidoscolus quercifolius , arbusto endêmico do Brasil com espinhos, flores brancas, frutos e sementes que alimentam nossa biodiversidade.

Fluxo: Neste caso, fluxo gênico, é uma medida da fertilização, no caso pólen ou sementes, em razão da distância percorrida da fonte até o local onde a dispersão ocorreu.

26: Projeto inédito e inovador de construção de uma paisagem que permita que insetos e aves atravessem em segurança a Rodovia Raposo Tavares, fazendo a interligação entre um lado e outro da Rodovia, polinizando e dispersando sementes e oferecendo aos que trafegam pela mesma, conforto visual exclusivo através de cores e formas o ano inteiro a um baixo custo de manutenção, em meio ao imenso congestionamento crescente neste trecho.
foto 3

Coincidência, destino ou ponto fora da curva?

Há poucos anos, estive com uma amiga no escritório do D.E.R. para expor perspectivas do projeto que poderia vir a ser apresentado mais adiante.

Durante a reunião, fomos informadas pelo representante do mesmo, de que havia um morador temporário no local, o que colocou o projeto em compasso de espera, contudo, a notícia despertou a minha curiosidade.

Quem seria este morador? Por que foi se instalar em um local completamente inadequado para habitação? Está desempregado? Tem família?

E como o tempo passou, acabei por deixar de lado tantos pontos de interrogação, até o dia em que vi três homens e um cachorro, saindo de sua moradia temporária em direção à Raposo.

A curiosidade voltou como inspiração para imaginar o que de fato poderia estar acontecendo no retorno do 26.

Atualmente, a rocha que abrigaria espécies rupestres resistentes, serve de parede, as árvores que sobreviveram à implantação do dispositivo, suportam a lona que serve de telhado, galhos são cortados para servirem a fogueira que aquece e talvez cozinhe o alimento.

Os galhos poupados se transformaram em varal para a secagem e armazenamento de roupas.

O talude fortemente inclinado, que abrigaria espécies reptantes e pendentes floridas, que eliminariam o custo de manutenção em um trecho perigoso para trabalhadores munidos de roçadeiras, equilibra o lixo descartado pela ocupação que não obedece às leis, promovendo o risco de acidentes para quem passa pela Rodovia.

foto5

E assim germinou e se desenvolve a futura Favela do 26, que já dobrou o seu tamanho inicial, sendo que seu progresso poderá ser acompanhado por todos em tempo real, porque nem o órgão responsável pelo dispositivo de retorno (D.E.R.) e nem a Prefeitura de Cotia, representada por diversas Secretarias, estão preocupados com sua expansão.

foto6

Por coincidência, a Prefeitura da cidade de São Paulo acionou uma ofensiva recentemente para acabar com a Cracolândia no centro de São Paulo e esta ação me fez lembrar os semblantes extasiados daquelas pessoas.

Será? Isto é, existe a possibilidade de acompanharmos o desenvolvimento de uma Cracolândia Cotiana como ponto turístico degradante na Rodovia Raposo Tavares?

A CNM – Confederação Nacional de Municípios – aponta em seu Observatório do crack, uma Cotia com nível alto de problemas relacionados ao consumo desta droga.

foto7

Do ponto de vista social, os pioneiros da ocupação irregular possuem os mesmos direitos constitucionais que a biodiversidade brasileira e a população que percorre a rodovia, seja ocasionalmente ou diariamente.

Se a droga ilícita precisa de apenas 10 minutos em seu cérebro para transformá-lo em dependente, de quanto tempo precisaremos para ver um fluxo em movimento?

O local se apresenta como um refúgio muito apropriado, tal como uma ilha, em que qualquer operação policial será percebida de imediato, facilitando a fuga dos traficantes que se sentirão à vontade para armar seu feirão de drogas por ali mesmo e bem próximo de seus consumidores.

foto8

Entretanto, do ponto de vista emocional, como conviver com um flagelo social, estando consciente de que estes ocupantes poderiam receber assistência social agora?

Não será o caso de remover esta ocupação antes que mais pessoas ocupem a área?foto9

Contudo, como impedir que este dispositivo de retorno, em que um dia, foi sonhado um imenso jardim seja ocupado novamente?

Futuramente, nomear de comunidade não vai amenizar o estigma que a palavra favela ou fluxo, representa crescendo diante de seus olhos, tendo consciência de que a arrecadação de impostos é crescente, mas as administrações pertinentes são inoperantes.

Mais uma vez, o tempo dirá com certeza!

Sobre o autor

Geni Alburquerque

Autodidata multidisciplinar. Sócia-proprietária da Taúna e consultora em paisagismo ambiental e jardinagem.

Blog: qualidadedevidaejardim.blogspot.com.br

Facebook:
• https://www.facebook.com/qualidadedevidaejardim
• https://www.facebook.com/Paisagismo-e-jardinagem-por-Geni-Albuquerque-393059724187938

Deixe um comentário