Arte Território

Shoko Suzuki recebe Diploma de Honra ao Mérito do Governo do Japão

Escrito por Redação

Em cerimônia ocorrida no último dia 31 de outubro, na residência oficial do Cônsul Geral do Japão,  Shoko recebeu o diploma de Honra ao Mérito do Governo do Japão, importante e merecida homenagem por sua contribuição para o reconhecimento da cerâmica como obra de arte por parte do público brasileiro, além de ter  orientado muitos aprendizes que hoje atuam no mundo artístico.

 

Shoko Suzuki: mestre ceramista e artista

Para além de Mestre Artesã, Shoko é hoje uma das artistas em cerâmica de maior renome, com exposição individual no Museu de Arte de São Paulo (MASP, 1975) e participação em exposições coletivas por todo o país, além de no Japão e na Alemanha.

Nascida em Tokyo no ano 1929, Shoko vivenciou a guerra e o preconceito de ser uma mulher fazendo cerâmica no Japão. Num país onde os mestres em cerâmica são homens, delegando à mulher um papel secundário de mera ajudante, Shoko conseguiu fazer seu trabalho artístico apesar dos preceitos rígidos da tradição.

No início da década de 60, ao ver um documentário sobre Brasília na televisão japonesa, soube que era no Brasil o seu lugar e aqui se estabeleceu em 1962, junto com seu marido, o também renomado pintor Yukio Suzuki.

Em 1966 montou seu ateliê em Cotia, num terreno com inclinação perfeita para a construção de um forno Noborigama, de acordo com o projeto que um amigo lhe dera antes de embarcar para o Brasil. Munida de um torno manual, argila que recolhia do próprio terreno e esmaltes que fabricava a partir das folhas das árvores, Shoko iniciou uma carreira em cerâmica que, mal sabia ela, teria fortes repercussões no desenvolvimento dessa arte no Brasil.

Suas peças apresentam formas femininas e naturais, apesar da aparência rústica e rugosidade ao toque, característica essencial na cerâmica utilizada na cerimônia do chá. Mas Shoko vai muito além dos utilitários. Suas esculturas em cerâmica, de formas esféricas, cilíndricas e ovóides, são plenas obras de arte contemporânea. Nelas transparece a alma e a essência da artista.

* Noborigama é um tipo de forno a lenha tradicional japonês, de origem chinesa, utilizado no Japão desde o século XVII. Construído num declive aproveitando a inclinação do terreno, contém várias câmeras interligas entre si, cada uma num determinado nível. A duração de uma queima em noborigama pode ser de até 35 horas. Por esse motivo é geralmente considerado um trabalho masculino.

Por Liliana Moraes, em 2011.

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