Colunistas Educação Regina Pundek

Heróis e Heroinas

Escrito por Regina Pundek

Fim de tarde na escola de Educação Infantil. A professora propôs um momento de relaxamento no qual todos deveriam fechar os olhinhos e imaginar algo agradável. Ela sugeriu que ouvissem a música e tentassem sentir algo bom.  Logo que todos se aquietaram o pequeno Tomas, de 5 anos, deixou escapar num suspiro: “Escutei um barulho e senti um gostoso! Era a Maria Joaquina me beijando na boca igual na novela!”.

Algumas pessoas acreditam que os meninos e meninas do século XXI são mais antenados e precoces do que no século passado.  A afirmação deve considerar que aqueles que vivem em grandes cidades e têm muito contato com as mídias e informações instantâneas são estimulados a isto e, a infância se torna mais curta. Aqueles que, de maneira mais protegida, são preservados destes estímulos vivem a infância como um período de inocência e descobertas naturais.

Acompanhar, estar junto com os filhos durante o tempo em que estão assistindo TV ou jogando eletronicamente oferece aos pais a oportunidade de conversar sobre os enredos.  As crianças conhecem o mau, o bem, o pobre, o rico, o feio, o bonito, o gordo, o magro… e por aí vai.  Quando assistem um filme ou novela veem todos esses personagens reforçados em seus papeis. A tendência é que admirem e procurem repetir aqueles que lhes encantam ou provocam dúvidas.  Quais seriam?   São aqueles que a família e a sociedade lhe incutem continuamente.

A compreensão do que se ouve ou vê só acontece depois que neurologicamente é feita uma associação e comparação com contextos similares. De maneira inconsciente são resgatadas na memória as vivências anteriores que então são confrontadas com o fato atual. A referência vai ser checada para então acontecer a compreensão e a reação.

Nosso mundo supervaloriza beleza física, viagens, roupas, carros, etc. As famílias precisam fazer o contraponto oferecendo modelos cujos valores sejam mais profundos e espirituais. Nos identificamos com aqueles que preenchem nossas próprias expectativas, e assim são também as crianças.

Quando a criança brinca de faz-de-conta ela está tentando reelaborar e compreender vivencias e sentimentos. É necessário que o faça, especialmente porque ainda não consegue falar sobre sentimentos.  Cabe aos adultos educadores essa função da conversa, especialmente fazendo-lhe perguntas e ouvindo com atenção as suas colocações, para então agir qualificando sua rotina, os jogos e programas que assiste, os amigos que frequenta, os programas que faz.  O diálogo estabelecido entre pais e filhos surge da confiança que os pequenos vão sentindo por reconhecerem que seus pais o ouvem e respeitam.

Os adultos costumam remeter-se a infância como a uma boa fase da vida de um ser humano.  A literatura é plena destes exemplos, são muitos os poetas e escritores que falam com enlevo sobre suas memórias infantis. Em sendo assim, fica aí a sugestão para que as famílias e educadores revejam os estímulos dados bem como os modelos oferecidos para que nossas crianças cresçam e tenham também eles lembranças singelas deste período.

Sobre o autor

Regina Pundek

Escritora, Professora da Educação Infantil, Diretora Pedagógica,Psicopedagoga, Engenheira Civil, Educadora apaixonada pelo respeito ao Ser Humano.

Esposa, mãe, avó. Nascida em Santa Catarina e moradora da Granja Viana há 15 anos.

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