Arte Colunistas Solange Viana

Impermanência

Escrito por Solange Viana

Ainda sob impacto, escrevo este texto.

É inacreditável que esta artista, Néle Azevedo, não tenha uma matéria à sua altura aqui no Brasil, pois nos países por onde passa, além de carregar multidões, tem um amplo espaço na mídia.

artemaoMonumento mínimo são esculturas de gelo. Seu trabalho é efêmero. Dura minutos: 40, 50, no máximo. E isso aconteceu no último sábado, 19, nas escadarias do Paço das Artes. Nada mais oportuno, pois a Instituição, tão presente entre nós, está com os dias contados. Uma pena. Um atraso. Nossa cultura está se derretendo, se desmanchando a “olhos nus” perante todos. E é isso que a obra, tão importante de Néle, reforça.

São museus, instituições fechados, outros abandonados e por aí vai. Tudo por conta de um governo que não dá a mínima para nossa cultura. Um descaso.

Nada mais propício do que terminar uma programação, no caso, no Paço das Artes, com a obra impactante de Néle. Um protesto silencioso, mas forte. Um soco no estômago.

As esculturas são postas uma a uma, por cada visitante que participa da ação. Todos são convidados a atuar. É uma obra colaborativa, participativa. Esculturas de 20cm, que, em minutos – ainda mais sob o sol escaldante do último sábado, vão derretendo, dissolvendo, desmanchando…. Exatamente como se encontram muitos dos nossos espaços expositivos, já tão poucos e precários, neste nosso país, carente de cultura, educação, saúde.

A delicadeza e a força da obra de Néle Azevedo deixou todos que acompanhavam a intervenção, usada como ato político na despedida do Paço das Artes, local tão representativo das artes, estarrecidos e emocionados, pois nada tão contundente, obrigatório e triste, do que ver nossos espaços derretendo, exatamente como as esculturas de Néle…

Portanto, aproveito o meu “espaço” aqui para deixar registrado o lindo e poético trabalho da artista e tentar chamar atenção para esse descaso absurdo do nosso governador. Queremos o PAÇO DAS ARTES DE VOLTA, assim como o MAC USP (também largado às moscas), o Museu da Língua Portuguesa, que completa aniversário hoje (21/3) e, depois do incêndio, ainda permanece fechado. Tem mais: Museu do Ipiranga. Museu de Artes e Ofícios…e por aí vai…

Uma lista sem fim. É de chorar.

Que os deuses das artes nos acudam. Longa vida a Néle Azevedo e seu Movimento Mínimo. E pode contar comigo, pois não vou me cansar de divulgar e acompanhar!!

Em tempo: a imprensa local, NENHUMA, estava presente, mas muitos artistas, curadores e público em geral, estavam lá para saborear essa delicadeza da nossa arte.

Nossa colunista Solange Viana e a artista Néle Azevedo

Nossa colunista Solange Viana e a artista Néle Azevedo

curadora

Nancy Betts, curadora

VIVA A ARTE. VIVA NÉLE.

21 de março de 2016

 

 

 

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Sobre o autor

Solange Viana

Solange Viana é jornalista e galerista. Mora na Granja Viana há 12 anos. Possui uma microempresa de Assessoria de Imprensa & Comunição, especializada em cultura com destaque nas áreas de artes plásticas, cinema, arquitetura e design. Há 5 anos inaugurou um espaço dedicado a cultura na Granja, a Galeria de Arte e Fotografia Solange Viana, que tem como um dos objetivos principais, mostrar a arte dos moradores daqui.

http://galeriadearteefotografiasolangeviana.blogspot.com

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