Colunistas Mundo Sílvia Rocha

Influência Materna

Escrito por Sílvia Rocha

influência materna
na vida eterna
amém

Quando a editora do Jornal d’aqui, Toni Somlo, me convidou para escrever sobre o Dia das Mães, me deu até um frio na barriga. – Que responsabilidade, pensei.

No minuto seguinte, já estava eu a elaborar e a construir o artigo dentro de mim. Queria seguir um caminho não apelativo, não piegas. Fugindo da máxima “ser mãe é padecer no paraíso.”

Pedi para pessoas que respeito e que gostam de escrever mandar seus recados, e muitas mandaram! Tanto que seus depoimentos ganharão o final deste texto.

E o meu recado?

Ah! Vou compartilhar aqui que minha relação com a minha mãe não foi das mais fáceis. Quando me dei conta disto, jovem que era, dediquei, digamos, toda uma vida, principalmente enquanto ela era viva, para trabalhar esta questão.

Experimentei diversas religiões, crenças, terapias – das mais ortodoxas às mais alternativas – e, aos poucos, fui compreendendo minha mãe, que me deu à luz, e que fez tudo o que lhe foi possível pelas suas três filhas. Tive a oportunidade de “subir num palanque invisível” e fazer um discurso para ela, cujas palavras jorravam do meu coração, quando ela me contou que, finalmente, tinha saído sua aposentadoria complementar, há tanto tempo esperada.

Eu disse a ela que aquela aposentadoria era mais do que merecida, que ela era uma mulher extraordinária, era uma feminista guerreira e pioneira, que abriu o caminho para suas outras duas irmãs, desafiou meu avô e foi trabalhar fora e estudar na USP, que ele dizia, na época, ser um “antro” de prostitutas. Disse a ela, entre outras coisas, que ela era a melhor tradutora do mundo, dentre muitos outros elogios. Dois dias depois desta conversa telefônica, minha mãe faleceu dormindo…

Minha experiência me leva a sugerir que sejam quais forem as questões e os conflitos que permeiem a relação mãe-filha e mãe-filho, um caminho possível é o da tentativa da cura e da reparação das arestas existentes, o quanto antes. Ai, não consegui fugir da pieguice…
Meus convidados, sim!

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Mãe, pra mim acolhe, ama incondicionalmente, gera, cuida, mãe é colo, mãe é casa, mãe é muito bom!
Para mim, o chavão: todos os dias são dias das mães!
Mas é também um dia de encontro de família.

Daniela Terracini
Artista plástica, designer de joias e ativista em sustentabilidade

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Mãe, pra mim, é amor infinito, colo de domingo a domingo, meu refúgio.

Patrícia Jota
Jornalista e comunicadora corporativa

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Ser mãe é esquecer-se de si e passar a existir como uma ideia, um etéreo, um vazio nebuloso envolto em sentimento e sensação involuntária de catarse e temor… O medo, antes desconhecido, passa a existir como uma sombra constante de perda e ansiedade: -“será que se agasalhou?”, -“será que está bem?”, -“como foi a prova?”, -“aonde estará a essa hora?”.

E, quanto à catarse, o sublime acontece no momento da concepção! Quando se dá conta da capacidade intrínseca de toda mulher, a impressionante maternidade inerente compõe as fêmeas, mesmo as que nunca parirão, seja por qual motivo for…

A possibilidade de gerar nos torna naturalmente fortes, e cientes da dor e da delícia de ser mulher! Eis o que nos torna unas, em meio a todas as diferenças possíveis!

Mônica Kimura
Jornalista, assessora de comunicação e arte-terapeuta

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O Sermãe é um ser muito especial: carrega no próprio corpo o coração de seus filhos pela vida afora, chama para si a responsabilidade de dar colo, nutrir, e de aplacar sofrimentos  sabendo, no entanto, a hora de retirar-se, mas continuando a emitir seu amor incondicional.

Heloisa Reis
Artista plástica e professora de artes visuais e história da arte e ativista em sustentabilidade.

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Ah! Nós, Mulheres, Mães, somos o máximo!
Mesmo se não formos perfeitas.
Amamos nossa cria nascida dentro de nós.
Maternidade que antecede a genética, que se desenvolve no laço do amor incondicional.
Mães prenhas dos seus filhotes, mães grávidas dos seus filhos, mães habilitadas para a adoção esperando preencher o berço vazio, homens-mães dotados de toda responsabilidade e afeto que permeiam o coração materno. Desejo a todos os lares e a todas as famílias muitos dias de amor materno, amor de mãe!
Feliz Dia das Mães!

Ângela Maluf
Secretária Adjunta da Saúde de Cotia

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Sempre tive uma ideia do Dia das Mães como um dia de festa, como era nas casas das minhas avós materna e paterna. Com os passar dos anos, comecei a perceber que a festa era para os outros, pois tínhamos um trabalho danado em organizar almoços ou jantares para filhos, genros, noras e netos e alguns agregados de última hora que não tinham mãe para abraçar naquele momento tão especial e que alguma alma caridosa da família trazia de improviso. Depois de muito reclamar, começaram a me convidar para comemorar esta data almoçando ou jantando fora e aí era pior, pois além da fome incontrolável das crianças e de alguns adultos, tínhamos a impaciência do pais das crianças e de esperar horas numa fila para sentarmos à mesa e, apertados, almoçarmos sem poder conversar, devido ao barulho dos copos, talheres, correria das crianças, bebês chorando na mesa ao lado e vozerio dos clientes: vamos combinar que ninguém merece!

E os cartões que nós recebemos? Acho que nem preciso comentá-los, são todos lindos! Cheios de palavras de amor e de reconhecimento. Minha mãe tinha razão quando dizia, rindo: “Mãe é bom, pena que dura muito!” Acho que é verdade. Chega um momento nas nossas vidas em que o que mais a gente quer é sossego: os filhos já estão criados (ou mais ou menos), os netos … ah! os netos, são ótimos quando chegam, mas melhores quando voltam para suas casas. Adoro todos eles, filhos, netos, genros, noras, agregados e, porque não, os desagregados, que um dia já foram agregados, mas que precisaram ir embora para fazer seu próprio caminho. Todos cabem no coração das mães que aprendem a duras penas o valor da solidariedade e da compaixão, aprendem o que é realmente serem generosas, humildes e acolhedoras. A mãe aprende muito rápido que não adianta ir de encontro aos desejos dos filhos, mas ir ao encontro do filho que deseja crescer e seguir cambaleante nos caminhos da vida, cabendo a ela apenas esperar inevitavelmente o seu retorno, porque sabemos que, mais cedo ou mais tarde, ele, um dia, voltará. Ah! Quantas saudades de todas as mães que me ensinaram a ser quem sou, às vezes boas, outras nem tanto, mas quem foi que disse que ser mãe é ser “santa”? Ser mãe é ter o privilégio de gerar pessoas e passar o resto da vida educando e sendo educada por esses seres humanos que farão coisas muito parecidas com as que fizermos para eles, mesmo que eles digam “serei bem diferente do que foi para mim” e a gente só responde “hum, hum, tudo bem, faça melhor, pois tudo o que eu mais desejo é que vocês sejam felizes como eu sou”.

Por tudo isso desejo, com todo amor, boa sorte, filhos e filhas, por terem as mães que têm. Poderia ser bem pior sem elas, acreditem!

Maria Cecília Castro Gasparian
Psicóloga individual, de casais e família e professora universitária

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Mãe é um ser que se constrói ao longo de todo um processo de vida, da criação ao desenvolvimento de um outro ser.
Vamos nos cocriando, nos esculpindo nesta relação com os filhos.
A cada momento, somos chamadas a desempenhar um papel até então desconhecido.
Somos instigadas também a crescer e a amadurecer.
Cada filho desperta aspectos diferentes da maternidade.
Somos chamadas a uma infindável transformação.
E, como tal, desafiante, muitas vezes dolorosa, mas profundamente enriquecedora.

Sonia Maria Silva
Professora de reeducação do movimento e terapeuta ayurvédica

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Ser mãe é querer esticar as asas dos filhos para que atinjam sua maior envergadura e ao mesmo tempo querê-los debaixo das suas.

É sentir-se inteira por poder gestar o milagre da vida e vazia quando eles passam o fim de semana fora de casa.

É amar até a sua última gota de sangue e também odiar quando os filhos são cruéis, malcriados ou desobedientes, testando todos os seus limites.

É passar a vida refletindo, comparando, estudando como ser a melhor mãe do mundo e depois descobrir que bastava um sorriso, um abraço e a frase: “estou aqui”.

Angélica Bonfiglioli Lopes
Administradora de empresas e ativista em sustentabilidade

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Nascemos filhas. Um dia, passamos a ser mães – algumas de nós mães de filhos/filhas, outras maternando projetos, livros, frutos diversos. Nesse momento, começamos a atravessar uma ponte e gradualmente passamos a ver o rio da outra margem. Na travessia, escolhemos fazer muitas coisas diferentes e algumas outras tantas coisas iguais ao que foi conosco.

Em direção à outra margem, vamos ganhando novas perspectivas, um novo olhar.
O primeiro fato de que nos damos conta nesse ponto do caminho é que muitas das coisas iguais e diferentes que fazemos são exatamente contrárias às decisões que havíamos tomado.

Serão nossos filhos/nossas filhas que nos darão notícias disso. Muitos aprendizados aí. Com dor, com amor, desespero e suavidade, alegrias e tristezas, despreparo e intuição, magia, humanidade, incomensurabilidade sempre. Sendo mães, transcendemos em muito o que nos era destinado na condição de ser humano.

Então, de aprendizado em aprendizado, transformação em transformação, um dia vemos que há novos movimentos na ponte. Mães? Nossas filhas também estão gestando suas vidas, nossos filhos pavimentam seus caminhos. Encontramo-nos, assim, no meio da travessia. É um momento emocionante. Iguais. Mulheres. Homens. Adultos. Condutores de seus próprios destinos.

Que toda diferença, toda individualidade e todas as particularidades sejam aceitas e bem vividas. Isso cabe a quem se tornou mãe primeiro abençoar. E dar a certeza de que um fio nos conectará para sempre. Não tenho dúvidas disso.

Iana Ferreira  (foto:Ana Andréis e Bárbara Toledo)
Psicóloga e escritora


 

Imagem em destaque: Quadro de Gustav Klimt

Sobre o autor

Sílvia Rocha

Sílvia Rocha mora na Granja Viana desde 1994.
É graduada e mestre em Comunicação Social – Jornalismo – pela Escola de Comunicações e Artes da USP.

Pratica o haikai – micropoemas de origem japonesa, inspirados na natureza – desde 1984. Publicou a segunda edição de Estação Haikai e Gestação Haikai, pela editora É selo de língua, 2015. Ganhou o Concurso de Poesia Falada do Café das Flores e da Revista Escrita com As Quatro Estações do Ano, em 1987.

Escreve matérias, artigos e crônicas para veículos impressos e virtuais e conduz a oficina Haikai: universo em três versos em grupos, individualmente, presencialmente e à distância.

Site: www.silviarocha.com.br

3 Comentários

  • Día das mães… mães? desfrutei do texto de Silvia e de cada uma de todas vocês..
    Acredito que uma frase lida em uma parede de algum lugar… sintetiza todas essas sérias, reais, duras e doces palavras ditas sobre as mães: Mãe é sinônimo de Amor.
    Amor e não só aquele de violinos senão também aquele dos cabelos em pé, dos risos e gritos, de andar e desandar, de sofrer e de reviver a cada madrugada quando abrem a porta e sabemos que estão bem… nossa, como consegue uma mãe viver tantas emoções, as melhorar, as amadurecer e ainda saber sorrir, perdoar e amar incondicionalmente?

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