Redação Território

Na trilha da paternidade

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Escrito por Redação

Ao ver a filha Tatyana pela primeira vez, Fabrício Soares, 51 anos, morador da Granja, olhou para aquele ser tão pequeno e sentiu que um outro tipo de amor se apossava dele. Um amor transformador, como nunca havia imaginado antes. Incondicional. Sentiu também uma responsabilidade imensa em sua nova caminhada.  Cuidar daquele bebê tão dependente do pai e da mãe. Isso foi há dezesseis anos, quando Tatyana nasceu. E depois, mais experiente, reviveu a emoção com Caetano, hoje com 12 anos e o caçula Santigo, de 9.

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Tatyana e Fabrício

Entre os tantos receios de pai de primeira viagem, cuidar de uma menina. Fabrício achava que por ter crescido com irmãos, em um ambiente mais masculino, sabia pouco do que seria educar uma garota.

“Eu me sentia perplexo e também ansioso. Mas gente vai aprendendo junto. Quando bebê, o tratamento é o mesmo. Quando cresceu um pouco e virou uma menina, confesso que fiquei meio perdido. Mais tarde a pré-adolescente e agora com a adolescente. Ela dá um passo a frente e vou me adaptando para lidar com essa nova fase”, conta.

Com os meninos, já achou mais fácil, mais simples. “Talvez pela cultura de que moleques podem se machucar, brincar, cair, que não tem muito problema. Mas com todos três, a preocupação se eles estão assimilando os valores que passamos é o mesmo. Fico pensando sempre se passei orientação suficiente, como eles vão reagir em uma situação que apareçam drogas, por exemplo. Vão experimentar? Terão disciplina para dizer não? Não tenho como saber. ”

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Em Monte Verde, com Caetano, Santiago e um amigo

Acredita que sim, existe sim uma nova geração de pais. Com mais liberdade para ser carinhoso, mais próximo, sem o peso daquele padrão de pai de antigamente. “Somos mais relaxados, abertos, conversamos, estamos mais próximos do dia-a-dia. Mas eu priorizo ser pai antes de ser amigo”, analisa. “Temos que ser influenciadores. Claro, com uma boa relação, naturalmente amigos, mas esse papel de observar, cuidar, restringir quando necessário, continua como antigamente.

Para Fabrício, ser um pai presente, cuidador, mesmo que não seja moderno, mas que esteja ali sempre que necessário, traz um impacto muito grande para a autoestima da criança, uma segurança que será importante para o resto da vida. “Ela ganha mais consistência e solidez para lidar com as dificuldades da vida”, diz.

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Fabrício, com Tatyana nas “Highlands” da Escócia

Desafios  –  Fabrício comenta que hoje já existem estudos que afirmam que essa é uma geração que ouve mais os amigos do que os pais, consequência das redes sociais, do conteúdo da internet. “Essa é uma situação nova, um grande desafio, porque é praticamente impossível ter controle sobre tudo o que estão vendo, assistindo, trocando com os amigos. ”

Divorciado, como milhares de outros pais de hoje, ele acha que esse é outro desafio da paternidade nos tempos atuais: manter o senso de equipe na criação dos filhos mesmo separado da mãe. “Ambos temos que ser um pouco pai e mãe no dia-a-dia e realizar muitas tarefas sozinhos”

Melhores momentos – “Fazer trilhas, todos juntos, desconectados, mas fazendo uma caminhada em comunhão com a natureza, para mim é um sentimento de plenitude. Quando chegamos no alto de uma montanha e olhamos lá de cima, sentimos que algo muito maior está junto com a gente”.

Por Fabíola Lago, Jornalista, colaboradora do Jornal d’aqui.

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O Jornal d'aqui digital é uma prestadora de serviços que atua com comunicação na região da Granja Viana, Cotia (SP). Nasceu originalmente em 1979 como mídia impressa e assim atuou durante 35 anos. O formato atual surgiu a partir de um movimento de amigos/leitores inconformados com o encerramento de suas publicações.

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