Redação Território

Neil Ferreira e o Jornal d’aqui

Escrito por Redação

Neil Ferreira partiu. E nós do Jornal d’aqui não podíamos deixar de falar da sua importância na Granja Viana. Quem veio para cá nos anos 70 e 80 certamente o conheceu. Fazia parte da nossa comunidade, pequena e unida naquela época.

A nova cara do Jornal d’aqui. Presente do Neil ao completarmos 20 anos.

Foi entrevistado várias vezes por nós, escreveu também muitas vezes mas o mais importante é que sempre que solicitado, disse presente. Quando fizemos um concurso de fotografias, participou do júri com outros publicitários e fotógrafos moradores da Granja Viana. E quando, em fins dos anos 90, achamos que estava na hora de mudar a cara do Jornal, falamos com ele e de pronto nos presenteou com um novo layout que saiu direto da DPZ, a importante agência de propaganda onde ele atuava.

Soubemos pela Eliana, sua mulher,  que chegaram aqui em 1972, instalando-se na Avenida São Camilo e mudando-se posteriormente para a Granja Velha. E foi com tristeza que a Eliana comentou que recentemente cortaram todas as árvores da sua primeira casa.

Falar do Neil profissional competente, que criou anúncios inesquecíveis, frases que continuam por aqui sem que se lembre do autor, não é preciso.

Aqui ele viveu com sua família até um ano e pouco atrás, criou seus filhos José Bento e Juliana e recebia seus netos. Curtia a natureza e os animais.

Procurando em nossos arquivos, achamos um depoimento a respeito do Jornal d’aqui, datado de 2011, por ocasião de nosso 32º aniversário. Escrevia Neil “É quase impossível resumir um jornal local que dure tanto tempo sem esmorecer. Jornal d’aqui fala por nós.”

E para finalizar, segue um “anúncio” e uma crônica escrita por ele em 2012, com seu eterno bom humor:

                                              Pedágio nas Rodovias São Camilo e José Felix.

Os imensos e pesadíssimos caminhões que saem da avenida Raposo Travadis e seguem na direção das rodovias São Camilo e José Felix, na direção acho que do Rodoanel Mário Covas, destroem rapidamente a frágil camada asfáltica que essas rodovias possuem, além de se constituírem em perigo real e imediato para quem é condenado a passar diariamente por perto.

A Rodovia São Camilo não tem largura suficiente para suportar em mão dupla o comprimento e a largura desses caminhões, cada vez mais gigantescos e nem dos ônibus, que poderiam ser substituídos com ampla vantagem por vans de tamanho médio.

Além disso, nunca teve espaço para pedestres nem ciclistas. Andar a pé ou pedalar é tentativa de suicídio assistido (assistido por todo mundo que passa por perto). O asfalto, uma colcha de retalhos de remendos dos buracos, não aguenta o peso de cada um desses grandalhões, que beira ou ultrapassa as 20 toneladas.

Esses dinossauros entopem o infernal cuzamento da Rodovia São Camilo com a Rodovia José Felix e na sua maioria tomam a mão direita, na ladeira à margem da Muralha do Palos Verdes, na direção da Aldeia. A prefeitura de Cotia prometeu apresentar um plano para esse cruzamento até o fim de fevereiro, já estamos em meados de abril e néris de pitibiriba.

Antigamente, esse caminho então bucólico, chamava-se “Estradinha da Aldeia” mas agora, nos tempos do progresso e da modernidade, encaminha-se para as bandas do Rodonoanel (isso é palpite meu, a Aldeia não tem infra para receber nem utilizar toda aquela carga).

A rodovia José Felix oferece a esses caminhões uma ladeira quase perpendicular, que eles descem na banguela, apavorando os que a sobem; não dá mais para andar a pé nessas alturas; é um risco enorme levar o Chicão passear mesmo pela guia.

Mas há pior do que isso; os buracos. Na mão que desce, há buracos imensos, verdadeiras crateras, alguns invisíveis. Os caminhoneiros que de tanto transitar por ali os conhecem de cor e salteado, desviam-se deles numa manobra brusca para a esquerda, invadindo a pista contrária; só não atingiram até agora quem sobe por sorte e proteção de São Cristóvão.

Há boatos de que a rua Zurique estaria sendo asfaltada, para servir de marginal alternativa para a Rodovia São Camilo; está. Passei lá para ver e cai na risada, a camada asfáltica até agora aplicada não aguentará nem um dia o trânsito dos caminhões que saem da avenida Raposo Travadis. Com todo capricho possível, a empreiteira conseguiu reproduzir a Rodovia São Camilo e constrói uma via sem lugar para pedestres nem escoamento das águas das chuvas.

Há uma solução, embora radical mas possivel; você pode pensar que essa é mais uma das inúmeras idéias de tiririca que às vezes me occrrem.
Não é. Esses caminhões vem de algum lugar, vão para outro e escolheram passar pelas Rodovias São Camilo e José Felix, em defesa dos seus interesses econômicos. É justo. Mas nós deveríamos, em defesa dos interesses de manutenção dessas rodovias tão maltratadas e esburacadas, instituir a cobrança de pedágio para caminhões de mais de 10 toneladas; até 10, acho que o nosso tapetinho de asfalto suporta. Não ria, falei sério – “Quem usa cuida” (vox populi vox Dei).

Por Neil Ferreirapublicado no Jornal d’aqui em abril de 2012.

Sobre o autor

Redação

O Jornal d'aqui digital é uma prestadora de serviços que atua com comunicação na região da Granja Viana, Cotia (SP). Nasceu originalmente em 1979 como mídia impressa e assim atuou durante 35 anos. O formato atual surgiu a partir de um movimento de amigos/leitores inconformados com o encerramento de suas publicações.

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