Colunistas Educação Regina Pundek

O prazer de viver – O prazer de aprender

Escrito por Regina Pundek

É comum ouvir das famílias seu desejo e preocupação sobre o futuro de seus filhos. As crianças mal começaram a andar e muitos pais já estão sofrendo sua formação profissional. O vestibular é o grande vilão desta história e em seguida vem a colocação no mercado de trabalho. Muito rapidamente a criança passa a ser estudante e precisa satisfazer as expectativas da sociedade. Mas quais são as expectativas da própria criança em relação à escola que frequenta? Em geral, as crianças alegam que as aulas são chatas e que não ensinam nada interessante, enquanto os pais têm a expectativa de que as escolas desenvolvam os processos cognitivos de seus filhos e os façam aprender os conteúdos programáticos.

Precisamos refletir o que realmente desejamos para nossos filhos. Precisamos enxergar a vida de uma maneira maior, com os olhos do amor e do encantamento, que são, de fato, os olhos da criança pequena. Somente olhando de um ponto distante é que podemos perceber que as respostas para nossas maiores dúvidas encontraremos no Hoje. O momento presente é nossa única certeza. Apostemos nele, pois ele garantirá o Amanhã. Além disto o Amanhã trará suas próprias questões, que serão outras. Não podemos responder hoje nossas incertezas do futuro, pois não sabemos da sua completude, logo não podemos garantir quais serão. Focar unicamente o futuro é desperdiçar energia, tempo e até mesmo dinheiro. Por isso, a sugestão é: avaliar a vida escolar de seu filho a cada virada de ciclo, Infantil, F1, F2 e Ensino Médio, e então fazer as mudanças se necessárias. Mas é preciso também que olhemos para ele dentro deste processo. Quem é seu filho? O que ele realmente deseja e precisa nesta etapa de sua vida?

Mas então como ajudar nossos filhos a aprender e principalmente a pensar? Acredito que a melhor resposta é que devemos ajudar nossos filhos e nossos alunos a descobrirem os significados da vida. Assim, estaremos favorecendo que se tornem bons estudantes. Respeitar e mais ainda incentivar as perguntas é ajudar a pensar. Por mais que nos pareçam simples e óbvias procuremos não oferecer respostas rápidas, estas interrompem o processo de curiosidade e o desejo de aprender. É preciso fomentar os questionadores, estimular as dúvidas, incitar a busca e oferecer os recursos de pesquisa. A criança tem dentro de si o encantamento pela pesquisa, ela é naturalmente curiosa. É importante aceitá-la com estas suas características, não permitindo que o sistema escolar e a sociedade a calem e a transformem em mero receptor de informações. Afinal, grandes pesquisas, grandes descobertas iniciaram-se com perguntas muito simples.

Para que consigamos estimular os questionamentos, precisamos desenvolver nossa escuta. Precisamos ouvir, prestar atenção ao que a criança diz, entrar em seu assunto e perguntar mais sobre o que ela nos conta. Fazê-la refletir suas falas, raciocinar em cima de suas próprias perguntas.

A criança se desenvolverá sentindo-se respeitada e segura, sem receio de se expor em suas dúvidas, sem medo de ser julgada. Enfrentando o que ignora com a naturalidade de quem simplesmente aceita tudo o que ainda não sabe, mas quer saber.

Aqueles que descobrem os significados de suas experiências encontram o sentido da vida. Assim sendo tornam-se pessoas focadas em seus objetivos, realizadas em suas vivências e com prazer em aprender.

Sobre o autor

Regina Pundek

Escritora, Professora da Educação Infantil, Diretora Pedagógica,Psicopedagoga, Engenheira Civil, Educadora apaixonada pelo respeito ao Ser Humano.

Esposa, mãe, avó. Nascida em Santa Catarina e moradora da Granja Viana há 15 anos.

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