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Paranapiacaba: ótimo programa para um feriado de sol

Escrito por Joelma Somlo

Considero que é um privilégio morarmos em uma região tão diversa do ponto de vista do turismo histórico, cultural, gastronômico e natural. Para exemplificar o que digo, hoje indico um local onde a influência inglesa se faz presente e, embora não esteja tão próximo da nossa região, é um ótimo programa para aproveitar um lindo feriado de sol.

Aqui, já descrevi várias localidades que tiveram sua origem em uma atividade produtiva ou religiosa. Paranapiacaba é diferente, nasceu no serviço de transporte ferroviário do café que era escoado do interior para o Porto de Santos, passando pela íngreme Serra do Mar. Por isso, a cidade, cujo nome significa em tupi “lugar de onde se avista o mar”, foi planejada na segunda metade do século XIX e tem uma estrutura urbanística e arquitetônica cujos tamanhos das casas e sua distribuição ao longo da topografia seguem uma hierarquia administrativa que atendia às atividades ali desenvolvidas.

Para comprovar estas características, basta visitar, do outro lado da linha do trem, na parte alta, a Vila Portuguesa que surgiu como centro comercial e moradia de trabalhadores aposentados da São Paulo Railway. Nessa parte da cidade, as construções não possuem recuos laterais ou jardins e eram unidas umas às outras dando a impressão de falta de planejamento arquitetônico e de pobreza de sua população. Ali também está a Igreja do Bom Jesus do Alto da Serra, onde os trabalhadores católicos da Companhia podiam frequentar cerimônias apostólicas, visto que na parte baixa da cidade os cultos eram protestantes.

Mas falemos sobre as atrações de Paranapiacaba. A própria cidade é um museu a céu aberto, onde se pode observar as residências, prédios públicos, administrativos e igrejas entre os quais destaco:

– o Museu Tecnológico Ferroviário que nos ajuda a compreender as inovações daquela época, necessárias para tracionar os trens em um percurso tão íngreme quanto aquele que leva do alto da serra ao litoral.

– o Museu Castelo, que nos proporciona a vista completa da vila, do Pátio Ferroviário e da vila portuguesa, era a residência do engenheiro-chefe da empresa SPR – São Paulo Railway Co. responsável pela operação. Ali você também vai observar uma belíssima maquete da vila, mas suba para visitar o castelinho no horário do almoço, pois pela manhã ou no final do dia muitos são surpreendidos pela serração que impede a observação da paisagem. Se você quiser aprofundar ainda mais seus conhecimentos do local, agende uma visita monitorada pelo telefone do CIT: 11 4439 -0237, aos sábados, domingos e feriados, das 10 às 16h com sessões de 30 minutos.

– O passeio de Maria Fumaça, que ocorre apenas nos domingos e feriados, tem o percurso de 1km e possibilita, ao turista curioso das coisas do passado, a sensação de uma viagem no tempo. Se você estiver com crianças, então, é uma oportunidade única de ajudá-las a compreender o funcionamento de máquinas setecentistas movidas a vapor, origem de toda essa bagunça que está aí.

– A Vila Portuguesa vai exigir boa preparação física, pois é uma subida e tanto até lá, mas vale a pena, não só pelos motivos já mencionados, mas pela possibilidade de observar a Vila Inglesa do alto e de conhecer a Igreja do Bom Jesus do Alto da Serra

– Restaurantes são vários, todos muito aconchegantes e, dizem, gostosos, mas eu nunca consigo resistir ao Acarajé e Cia que fica na Rua Direita, primeiro porque é um acarajé fantástico e um joelho de porco de comer de joelhos, segundo porque o lugar é de uma rusticidade enternecedora.

Mais do que um programa cultural interessante para um dia de sol, esta é uma oportunidade para refletir com clareza sobre a racionalidade anglo-saxã, a latinidade portuguesa e a miscigenação que influenciam tão significativamente nosso dia a dia.

Sobre o autor

Joelma Somlo

Por sua formação em História e Educação, considera o espaço matéria de observação, vivência, aprendizagem e deleite. Como professora de Português para Estrangeiros, enfatiza características da nossa cultura e da nossa história.

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