Colunistas Daqui Heloísa Reis

Pensar, agir e comprar localmente

Escrito por Heloísa Reis

“Menos é mais” diz o pensamento contemporâneo relativo ao consumo. De fato, repensar nossos conceitos de consumo é tarefa urgente nos nossos tempos.

Dentro de nossa incapacidade sistêmica de gerar resultados a curto prazo nesse assunto, temos que encarar o fato de que consumimos, sim. Na verdade temos um longo percurso até chegarmos a uma nova cultura em direção à sociedade pós consumo.

Vamos então trabalhar sobre o que temos, a saber: produtos gerados para consumo de massa, com obsolescência programada, claro, e vendidas em grandes lojas impessoais, onde o vendedor é mal treinado e apenas deseja a venda imediata. A consciência da compra e seus excessos exige empenho e força para nadar contra a corrente. Pensar nos limites para o crescimento econômico, no esgotamento dos recursos naturais, na finitude da água, nos excessos do lixo … já é pedir demais!

Mas, estamos próximos da época do Natal… e girar a roda do comércio ainda é preciso… embora não seja necessário… e, contudo, nos dá prazer!

S e m p r e temos que comprar alguma coisa, desde ingredientes para um cardápio festivo, presentes para amigos secretos ou não, e,temos que admitir, o prazer de dar e receber tem seu significado grandioso na dimensão da valorização das relações humanas.

Vamos então pensar grande? Já que inevitável, vamos consumir localmente?

O comércio local,vem como uma posição de resistência e pode promover alguns benefícios a nós e ao nosso entorno: fortalecimento do comerciante do bairro, geração de novos investimentos e de arrecadação para o município, valorização da região onde vivemos.

É uma forma de fazermos a nossa parte nesse girar do círculo virtuoso compra-venda-lucro-investimento. Comprar de quem produz é ainda melhor. Artistas, artesãos, costureiras/os, cozinheiros/as locais têm uma pegada ecológica muito melhor pois não dependem de longas distâncias para entregar seus produtos…não há fretes.

Como consumidores locais podemos exigir melhores preços, dar sugestões, pedir mais opções e estabelecer aquele vínculo humano entre quem faz (e/ou vende) e quem compra – coisa rara no comércio formal das grandes lojas atuais.

Sejamos consumidores conscientes! Analisemos todas as vertentes que influenciam no preço final dos produtos e julguemos se a oferta é realmente tudo aquilo, busquemos nossa inserção na atitude coerente com a nossa realidade econômica. Lembremo-nos que, muitas vezes, o barato sai caro e algumas situações apenas mascaram procedências duvidosas, trabalho escravo, e falta de garantias efetivas. Compremos em nossa localidade e estaremos auxiliando o empresário a fortalecer sua posição e abrir-se às necessidades de seus clientes, sensibilizado sobre a importância de sua presença.

É o início daquele um círculo virtuoso de troca entre consumidores e comércio. Os primeiros mostrando seu interesse e expectativas e os últimos oferecendo melhores opções de acordo com os interesses demonstrados.

Fica enfim a certeza de que essa atitude confirma e colabora com os objetivos da Transição de transformar cada localidade em um modelo sustentável, menos dependente dos combustíveis, mais respeitoso com a natureza e com seus recursos e principalmente valorizador do trabalho digno e local e das relações humanas que o permeiam.

Juntemo-nos ao Movimento Transition Towns da Granja e à sua campanha.

Sobre o autor

Heloísa Reis

Artista visual e arte-educadora, pesquisa a linguagem da arte contemporânea e sua importância enquanto instrumento de transformação. “Pinta e borda”, constrói objetos e gosta de ler e escrever. Atua em grupos como MDGV, Transition da Granja e Grupo ArteJunto procurando aprender com eles a arte de refletir a cidadania.
www.encontrosheloisareis.blogspot.com

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