Colunistas Põe Poesia Sílvia Rocha

Pondo Poesia no Caminho

Escrito por Sílvia Rocha

eis-me aqui
escrevendo sobre poesia
no Jornal d’aqui

Meu amor pelas palavras, pela literatura e pela poesia começou muito cedo. Filha de leitores vorazes que sou, amantes da literatura e das línguas, cresci na companhia de livros, muitos e bons livros. Até hoje a estante de casa guarda coleções inteiras de Machado de Assis, Graciliano Ramos, Eça de Queiroz, dentre tantos outros autores e autoras.

Almoçávamos na companhia de um dicionário, que ficava bem à mão, no aparador, e que era consultado com muita frequência às refeições, quando surgia alguma dúvida da língua portuguesa. Até hoje, uma frase costumeira da minha família é dizer: Estou a caminho, “sem crase”!

Ah! Porque crase é algo difícil de aprender e de usar e meu pai, formado em Letras e Direito, adorava nos explicar as regras e os usos – e principalmente os não usos! – da crase. Crase antes de verbo no infinitivo ou antes de palavra masculina, na minha casa, faz qualquer um ter um treco!

As coleções de literatura foram fazendo companhia aos livros de poesia, que venho colecionando nas últimas décadas, porque meu amor pela poesia começou há cerca de cinco. Cinco décadas de poesia.

Um dos poetas que mais admiro é o Paulo Leminski (1944-1989), que quando se refere à literatura, diz que é “a arte que tem a palavra como matéria-prima”… “Em especial, a poesia, lugar onde a palavra atinge vigência plena, máxima, substantiva”¹ (grifo meu).

A minha Campanha “Põe Poesia”, por exemplo, tem uns quarenta anos. Os adesivos eram colados na traseira dos carros dos meus amigos e familiares, e eu também fazia cartões postais “Põe Poesia” para serem enviados e colados por aí afora.

Venho pondo poesia na minha vida, na vida do meu marido e filhos, amigos e, também, na vida dos meus alunos e leitores.

Tive uma editora – a Rocha Edições – onde publiquei livros de Literatura, com destaque para a poesia. E, em 2015, publiquei a segunda edição de meus livros Estação Haikai e Gestação Haikai, num único volume, pela editora É – selo de língua.

Venho conduzindo oficinas que intitulei Haikai: Universo em Três Versos, em escolas, centros culturais, em aulas particulares e até por Skype.

Hoje, estou especialmente emocionada porque foi a finalização do segundo módulo da oficina de haikai que conduzi aqui na Granja Viana, pela Entretexto. Minhas alunas finalizaram a oficina com o próprio espírito do haikai, que não conclui e, sim, se abre.

Enviaram mensagens no nosso grupo dizendo que estão motivadas a continuar escrevendo e se abrindo para a poesia. Enfim, “pondo poesia”!

Espero que este espaço se abra para vocês se manifestarem, mandarem poemas de sua autoria e, também, poemas que apreciam.

E já que a proposta d’aqui é pôr poesia, fecho-abro com esta pérola do Leminski:

vai vir o dia
quando tudo
que eu diga
seja poesia

[1] In Folha de S. Paulo, 20 de outubro de 1986.

Sobre o autor

Sílvia Rocha

Sílvia Rocha mora na Granja Viana desde 1994.
É graduada e mestre em Comunicação Social – Jornalismo – pela Escola de Comunicações e Artes da USP.

Pratica o haikai – micropoemas de origem japonesa, inspirados na natureza – desde 1984. Publicou a segunda edição de Estação Haikai e Gestação Haikai, pela editora É selo de língua, 2015. Ganhou o Concurso de Poesia Falada do Café das Flores e da Revista Escrita com As Quatro Estações do Ano, em 1987.

Escreve matérias, artigos e crônicas para veículos impressos e virtuais e conduz a oficina Haikai: universo em três versos em grupos, individualmente, presencialmente e à distância.

Site: www.silviarocha.com.br

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