Educação Território

Projeto Âncora: um sonho que começa para uma Cidade Educadora

Escrito por Redação

por Toninho Kalunga

Existem alguns dias na vida da gente que merecem registro para que fiquem marcados como daqueles dias que valeram a pena termos existido! Dia 04 de Setembro de 2017 é um desses dias.

Neste dia foi realizada a primeira reunião oficial entre a prefeitura de Cotia e a direção do Projeto Âncora, no sentido de iniciarmos a construção de um projeto pedagógico para Cotia!

E essa reunião inicial não teria acontecido se não fosse à autorização do prefeito Rogerio Franco! Não teria acontecido se não fosse a coragem de Almir Rodrigues e o protagonismo de Raphael Camargo.

Fazer política e ser político neste momento da história é tarefa difícil! As desconfianças e pessimismo estão por toda a parte. Facilmente se é confundido com o comum.

Dizem que a política é a arte de dialogar com as diferenças. E, em tese, neste momento de tantas contendas e crises, teria tudo pra não acreditar no diálogo como forma de transformação em nossa cidade!

papelzinhoCom esse papelzinho colado na porta de uma das salas de aula do Projeto Âncora, se abre uma perspectiva que a escola tradicional perdeu em sua grande maioria no decorrer do tempo! O que é ser uma pessoa? Isso daria uma dissertação… Mas agora, em razão do tempo, vamos à prática!

Por isso, insisto em dizer: Foi acertado ter apoiado Rogério Franco pra prefeito! A proposta que ouvimos hoje é uma proposta gestada pela prática corajosa de um grupo de pessoas ligadas ao terceiro setor, de pedagogos e educadores de várias matizes e realidades, que não estão conformadas com o modelo de escola que temos atualmente.

Empresários e mães de família. Gente importante e gente simples. Crianças e adolescentes. Todos sentados ao redor de uma mesa pensando uma proposta pra cidade!

Temos muito a avançar, um caminho todo pela frente! Apenas fizemos hoje uma reunião e tivemos o privilégio de conhecer uma experiência inovadora! Vimos gente que transborda conhecimento e vontade de transformar. Agora, vamos amadurecer diversos posicionamentos. Conversar com os educadores, com os administradores, com os políticos e com os principais atores deste objetivo! Nossos estudantes e pais.

Construir uma cidade educadora e fazer parte de um processo que as gerações futuras reconhecerão como sendo um divisor dos tempos, é de fato algo que faz alegrar a vida e dar sentido à existência!

Hoje, conheci uma adolescente, chamada Jady Santos! Ela é estudante do Projeto Âncora e um belo exemplo do significado transformador do modelo pedagógico proposto por este formato.

A naturalidade com que se apresenta e o resultado daquilo que acumulou de conhecimento,

Jady, explicando o funcionamento da Escola Âncora para Almir (vice prefeito) Raphael Camargo (secretario de Inovação e Tecnologia e eu. (representando a Secretaria de Governo)

Jady, explicando o funcionamento da Escola Âncora para Almir (vice prefeito) Raphael Camargo (secretário de Inovação e Tecnologia e Toninho Kalunga (representando a Secretaria de Governo)

mostra o quanto é acertado buscar novas formas de ensinar e aprender a ser escola.

E acreditem, Jady não é uma exceção, nem mesmo é uma pessoa especial. Ela é o resultado comum daquilo que o Âncora esta produzindo! Existem ali, quase duas centenas de “Jadys”, espero poder ver milhares espalhados por nossa cidade.

Obrigado querida Jady. Seu pai, o amigo Hailton Santos, tem muitas razões pra se dedicar tanto a esse projeto!

A menina Jady ensinou muito sobre o significado de aprender. Em certo momento perguntei pra ela sobre o que ela entendia como diferencial entre o modelo que ela estava me mostrando e o modelo de escola que conheço. A resposta foi uma aula.

Disse mais ou menos o seguinte: “Os médicos de hoje utilizam uma metodologia de medicação e de operação, em sua rotina de trabalho, diferente do que faziam há 300 anos, e me perguntou se eu me sentiria confortável em sofrer uma cirurgia com os métodos que estes médicos utilizavam nos anos de 1700 a 1800. Lhe respondi que não… que prefiro o método atual.

Então, ela arrematou… pois então, precisamos utilizar um método novo de ensinar, pois a forma como se ensina hoje é muito parecida com a que se ensinava há 300 anos !” O mesmo vale para e engenharia, e para todas as ciências. Houve evolução em praticamente tudo, mas o modelo de escola, com um professor à frente e alunos enfileirados atrás deste professor copiando lições num quadro negro, é praticamente o mesmo. De fato!

Obrigado querida Jady. Seu pai, o amigo Hailton Santos, tem muitas razões pra se dedicar tanto a esse projeto!

Então andamos mais um pouco e lhe perguntei novamente sobre o acúmulo de conhecimento que ela adquirira até ali e como ela aprende com aquele formato pedagógico tão diferente do tradicional. Ela riu e com o olhar de uma adolescente que faz graça com adulto, respondeu:

“Aqui, eu aprendo a aprender. Não preciso saber de tudo, preciso saber como encontrar o que preciso pesquisar. Numa aula preparatória para intercâmbio, aprendo sobre navegação, que me remete à geografia e por consequência à história! Preciso saber como funciona o câmbio de moedas, então, preciso fazer porcentagem e outros mecanismos da matemática. Então, aprendo a aprender!” E riu.

Precisamos então, aprender a aprender. E isso é uma tarefa diária!

Ninguém tem tanto conhecimento que não possa receber mais, bem como ter tão pouco conhecimento que não possa dispor pra ensinar ao outro.

Fotos: Ana Alcântara

Sobre o autor

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