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Projeto Cerrado Infinito será apresentado na SEAE

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Escrito por Redação

“Cerrado Infinito”, do artista Daniel Caballero, revela a beleza e a importância do bioma nativo do Planalto Paulista. A SEAE promove neste sábado, em Embu das Artes, lançamento de livro, palestra com o autor e passeio no Parque Rizzo para conhecer espécies do cerrado.

É preciso muita imaginação e algum conhecimento geográfico para acreditar que na região Metropolitana de São Paulo, no Planalto Paulista, uma área localizada no topo e à beira da Serra do Mar fosse um lugar rico em biodiversidade, por ser uma área de transição entre diferentes biomas como a mata atlântica, bosques de araucárias, extensas áreas alagadas de várzea e campos de cerrado.
“Uma amostra paradisíaca da flora e fauna de cada um desses biomas dividindo o mesmo espaço”, como descreve o artista visual Daniel Caballero.

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Com inúmeras exposições realizadas no Brasil e no exterior, tratando da paisagem paulistana, Caballero resolveu criar uma intervenção artística para dar visibilidade à beleza do cerrado paulista. E com ela, despertar uma relação de afeto entre as pessoas e essas plantas. Ao contrário do senso comum, São Paulo teve seu começo no cerrado, os chamados Campos de Piratininga, que na época deram nome à nascente Vila de São Paulo de Piratininga.

Desse olhar atento, nasceu o projeto “Cerrado Infinito” e o livro “Guia de campo dos Campos de Piratininga ou O que sobrou do cerrado paulistano ou Como fazer seu próprio Cerrado Infinito”. Com tiragem de 1000 exemplares, assinados pelo autor, o livro será lançado em Embu das Artes no próximo sábado, dia 18, às 15h, na sede da SEAE – Sociedade Ecológica Amigos de Embu. Haverá palestra seguida de caminhada pelo Parque Rizzo para observação de espécies do cerrado, já que o próprio parque também tinha este bioma como nativo.

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http://cerradoinfinito.com.br/murici/

Quando explica a trajetória de seu trabalho, Daniel resgata de forma poética uma São Paulo ainda dos “Campos de Piratininga”, uma paisagem com pequis, muricis e guabirobas em abundância. Lobos-guará, tamanduás-bandeira e tantas outras espécies que já foram típicas daqui.

Se alguns nomes indicam essa presença como o rio Tamanduateí, o rio dos tamanduás, o reino vegetal dá as melhores pistas.
Além do processo artístico de reprodução em desenhos e ilustrações belíssimas de flores, frutos e animais, passou a resgatar, andando pela cidade, espécies raras de plantas deste bioma. Elas foram replantadas em dois locais: na Praça Homero Silva, no bairro da Pompéia, e na Escola Estadual Jardim das Camélias, Zona Leste.

“São plantas extremamente guerreiras, que sobreviveram apesar de todo o caos consequente da urbanização agressiva”, ressalta.

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Murici, planta típica de cerrado que foi praticamente extinta.

Em suas andanças, Daniel encontrou plantas que se tornaram raríssimas, mas que fizeram parte do cotidiano da cidade no passado, em locais deteriorados, com lixo, recém queimados e /ou com muita poluição, investigando em terrenos baldios no meio da cidade, assim como as marginais dos rios Pinheiros e Tietê, em busca de novas descobertas.

Despertar o afeto – “O que faço não se trata de paisagismo, nem me vejo exatamente como um ambientalista, com uma postura conservacionista, pois o Cerrado como bioma, ou seja uma comunidade animal e vegetal com características próprias já foi extinto em São Paulo. O projeto é um exercício de reflexão prática sobre a paisagem e o território da megalópole que definimos com o concreto e asfalto”, reflete o artista sobre sua ação. “Quero partilhar com as pessoas relações afetivas e culturais com essa vegetação, e estimular o debate sobre o que aconteceu aqui com a especulação imobiliária, e pensarmos enquanto ainda temos tempo a destruição do cerrado pelo agronégocio”.

Risco de extinção no Brasil – “O cerrado é um dos biomas mais antigos do planeta, com mais de 65 milhões de anos. A maioria das florestas são mais recentes, a exemplo da Mata Atlântica e Floresta Amazônica. O curioso é que ainda hoje encontramos pequenas áreas de cerrado que se mantiveram de tempos anteriores da formação desses domínios florestais, como era o caso dos Campos de Piratininga encravados no meio da mata atlântica paulista, ou dos campos de cerrado amazônicos”, explica o artista.

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Daniel Caballero

Daniel destaca ainda a complexidade em se recriar um bioma. Explica que não se trata apenas da vegetação, mas de todo um ecossistema que inclui animais, fungos entre outros organismos. Para ele, é uma ilusão se pensar que plantando árvores de fim de semana, mesmo que nativas da região,vamos recriar uma mata atlântica ou um cerrado. “Essas ações que se tornaram comuns na cidade de São Paulo são muito importantes para melhorar a biodiversidade da cidade, principalmente de insetos e pássaros, além de aumentar as áreas verdes, uma necessidade vital em alguns bairros paulistanos”. E exemplifica cintando os trabalhos do “Muda Mooca” ou do “Bora Plantar”, coletivos atuantes, entre muitos outros, na ampliação de áreas verdes da cidade com plantas nativas.

O autor faz um alerta: “Não podemos nos confundir! A preservação desses habitats passa por repensar o modelo de desenvolvimento que os destrói em escala industrial. Hoje já desapareceu mais da metade do cerrado brasileiro e a previsão dos especialistas no atual ritmo é de total colapso em 13, 15 anos. Infelizmente a solução não é tão fácil e não será plantando na cidade que vamos conservar esses ecossistemas”.

O Cerrado Infinito como trabalho de arte, atua no plano simbólico, dos afetos e do convívio, invertendo o senso comum da cidade em relação a essa paisagem, trazendo ela de volta para o cotidiano na esperança de promover uma reflexão crítica, que, na visão de Daniel, é uma das possibilidades que a arte pode despertar. “O Cerrado Infinito é um cerrado possível feito principalmente com as plantas que se adaptaram à cidade”.

capa-livroServiço:
Lançamento do livro Guia de campo dos Campos de Piratininga ou O que sobrou do cerrado paulistano ou Como fazer seu próprio Cerrado Infinito, de Daniel Caballero; (Editora La Luz del Fuego, 182 pág., R$ 48)
Palestra com o autor e passeio no Parque Rizzo para conhecer espécies do cerrado.
Data: 18 de fevereiro, sábado, às 15h
Local: Sede da Sociedade Ecológica Amigos do Embu – SEAE;
Endereço: Rua João Batista Medina, 358 – Jardim Maranhão (Mapa)
Telefone: 11 4781.6837

Por Fabíola Lago

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