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Que NATAL é este?

Escrito por Regina Pundek

O que queremos ensinar aos nossos filhos?

a-menina-dos-fosforos-conto-de-hans-christian-anderson-ilustracao-de-rachel-isadoraQuando criança, lá pelos meus nove anos de idade, li A Menina dos Fósforos, um dos Contos de Andersen. Trata-se da triste história de uma menina pobre que vendia fósforos e que em determinada noite de Natal, morre de frio sentada numa calçada de onde via, através de uma janela, uma família rica celebrando fartamente a data. Esta história marcou minha infância e minha relação com o mês de dezembro. A melancolia do final do ano somada à constatação de que muitos não terão o peru sobre a mesa, nem presentes, nem abraços… nem fé.

Porém, as comemorações na minha família acabavam aquecendo meus pensamentos e a Menina dos Fósforos ficava esquecida mais um ano até o dia de montar a árvore novamente. Assim fui crescendo e adormecendo meus conflitos internos ao som de Jingle Bells.

Nos anos de minha infância e adolescência o Natal foi vivido com todos os símbolos e rituais próprios da celebração cristã. A ingenuidade própria da idade, as luzes, cores, somadas ao calor do encontro familiar e a fantasia do Papai Noel e seus presentes eram determinantes para estabelecer o clima do momento.

Quando me tornei mãe revivi a velha história da Menina dos Fósforos. Precisei trazer à memória valores, resgatar as emoções e então decidir como seria o Natal para meus filhos. Que Natal eu queria ensinar-lhes? Meu desejo sempre foi o de passar-lhes o real significado da celebração cristã. Num mundo globalizado, onde os valores, símbolos e rituais correm o risco de deturpação pela sociedade secularizada e dominada pelo mercado, é preciso ser objetiva e forte para educar dentro dos valores pretendidos. Mas nada melhor do que repetir a dose daquilo que se acredita. Então procurei mostrar-lhes um Natal próximo ao que vivi na minha infância. Singelo. Alegre. Fraternal.

Atualmente, como educadora, quando outros filhos além dos meus, me despertam amor e preocupação, procuro ensinar o Natal através dos sentidos. No que vêem: através de todos os símbolos expostos na cidade; no que ouvem: através das canções natalinas tão tradicionais; no olfato pelo cheiro do pinheiro, do panetone, nozes e castanhas; no paladar por todas as guloseimas que são típicas desta data; no tato por todo abraço que podem dar. O sexto sentido é o da espiritualidade. Aqui então, cabe a cada família mostrar o seu caminho. E juntos precisamos realizar práticas que comunguem a PAZ.

Afinal o Natal é a grande festa da solidariedade universal. É comemorado até mesmo em lugares onde a população cristã é minoria. Para muitas pessoas o sentido religioso transcende. Celebram o encontro dos povos com toda a diversidade que lhes é peculiar.

Desejo uma festa de Natal harmoniosa àqueles que pensam em comemoração. E um encontro de paz e fé àqueles que acreditam no nascimento do Menino Jesus.

Sobre o autor

Regina Pundek

Escritora, Professora da Educação Infantil, Diretora Pedagógica,Psicopedagoga, Engenheira Civil, Educadora apaixonada pelo respeito ao Ser Humano.

Esposa, mãe, avó. Nascida em Santa Catarina e moradora da Granja Viana há 15 anos.

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