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Raízes!

Escrito por Geni Alburquerque

Tataravós, Bisavós, Vovós e até, a grande maioria das Mães que o digam…
Sim, deixamos raízes por todos os lados, mesmo que sejam em lembranças!
Alguns recordam com saudades, outros nem tanto e ainda existem aqueles, tipo, eu? Jamais!?

Viver em sociedade, seja representada por um município, um bairro, um condomínio fechado, um bolsão residencial (tão comum por estas bandas), uma rua e ainda, em uma comunidade, tem o poder de aglutinar histórias e de alguma forma, entrelaçar raízes.

Cidades tem a atribuição de representar através da maneira como se desenvolvem, as características de origem de seus habitantes e algumas delas revelam sua adequação com os anseios de sua população.

Infelizmente, isto não acontece em Cotia e chego à conclusão de que esta realidade se deve ao fato de nossa cidade ser única em diversas características, afinal, o Plano Diretor da Cidade de São Paulo, traçou diretrizes para que a expansão da região metropolitana aconteça para o lado oeste e a Granja Viana é sua porta de entrada que, por consequência, tem o dever de receber de tudo e de todos, sendo que os governantes de Cotia, simplesmente se submetem ignorando seus próprios habitantes e eleitores.

Cotia possui espaço, muito espaço, espaço suficiente para bater recordes e transformar em pequenas aglomerações, exemplos de ocupações desordenadas, deficientes em infraestrutura, a exemplo de Serra Leoa, Kibera e Maharashtra, não se assuste se você já está por aqui e ainda não colocou seu imóvel (mais um) à venda, apenas apele para o conformismo ou se rebele de vez.

Por outro lado, a cidade tem uma característica que revela seu diferencial ainda não percebido por governantes e especuladores imobiliários, que se intitulam empreendedores do futuro, mas que são ignorantes em gestão e avaliação mercadológica, que é a oportunidade de se desenvolver em um híbrido genuíno e inédito entre a região preservada, rural e urbana, unindo raízes.

Ora, para quem percorre infindáveis quilômetros para vivenciar o silêncio no meio preservado ou rural, respirando ar puro sem contar com a possibilidade de sinal de comunicação…

Ou, poder compartilhar momentos indescritíveis e inéditos logo ali…
Este é o ponto.

O que você procura por aqui?
Metro quadrado barato confinado?
Ar puro, céu estrelado, silêncio que ainda não teve a oportunidade de conhecer com infraestrutura, para não se perder imobilizado na Raposo a caminho do trabalho ou na volta para o seu lar-doce-lar?

Tal como dizem: Não existe ingresso tão fácil se você não conhece a porta de entrada.

E a porta de entrada por aqui se chama mobilização, não aquela do auê, manifestação, protesto, quebra-quebra e sim, questionamentos, sugestões propositivas e boicotes.

Como?
O mercado sobrevive da relação entre a oferta e a procura e quem dita as regras é você, feliz, porém desavisado consumidor.

Avalie a planta daquele empreendimento que se diz sustentável e pergunte:
E o esgoto? Para onde vai? E todas estas árvores? O que vai acontecer com elas?

Um exemplo aqui.

Lembre-se que está conversando com um corretor de imóveis que quer mais é vender e se livrar de você para faturar com o distraído.

Se ele ou ela não souberem responder ou não conseguirem apontar onde se encontram as estações de tratamento dentro do projeto e para onde vai seu produto resultante e, pior, que árvores, não sei quais, serão plantadas, sei lá aonde, se é que serão plantadas…

… AH! Boicote, afinal se você quer estar por aqui acreditando que será um diferencial como consumidor sustentável de qualidade de vida…

Entretanto, só você que sonha em viver por aqui tem o potencial de propor mudanças positivas; todavia, cuidado com a herança urbana ou rural, porque ela tem o poder de destruir nossos remanescentes do bioma original, que é a quase extinta Mata Atlântica, enriquecida de biodiversidade exclusiva mundialmente, portanto, se abra para o novo que é conviver com o que não conhece, mas que tem total consciência de que está desaparecendo da face da Terra por omissão.

Dificilmente vou deixar de lembrar daqueles que já estão por aqui há algum tempo, se conformaram com seu triste destino de desvalorização de seu imóvel ou mais alguns e fazem cara de paisagem como se o assunto não fosse de seu interesse.

Um município só muda de perfil se seus cidadãos atuarem neste sentido.
Como?
AH! Você tem vergonha de onde vive ou acredita que vive no meio do caminho e por este motivo acredita que Sampa impacta muito mais em seu estilo de vida e que por aqui, você apenas, dorme??

Enquanto você não assumir a sua cidadania, através do voto e de acompanhamento do que de fato acontece com o que você paga de impostos, você contribuirá para que a previsão lá de cima se confirme.

O ar puro? Surpresa! É você quem garante a sua produção através das árvores, palmeiras, arbustos, herbáceas e trepadeiras que você planta, ou demanda que sejam plantadas ao seu redor, e por favor, não caia em modismo exóticos, valorize o bioma original que você ainda desconhece e predomina por aqui.

E será sempre assim que as raízes continuarão a existir por todos os lugares independentes de origem.

Leia também: Bons tempos…, Rodovia Raposo Tavares , Aqui e agora e Morar na Granja Viana

Sobre o autor

Geni Alburquerque

Autodidata multidisciplinar. Sócia-proprietária da Taúna e consultora em paisagismo ambiental e jardinagem.

Blog: qualidadedevidaejardim.blogspot.com.br

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