Gastronomia Território

Receitas para amar, cozinhar e brincar

Escrito por Redação

Festa de aniversário de criança sem leite condensado, glúten, leite ou açúcar. Mas com cupcake de feijão branco, limão e coco. Ou espetinhos de frutas e trufinhas de castanhas com cacau. O bolo de aniversário? Com massa feita de casca de banana orgânica, tâmaras e amêndoas e cobertura de cacau. Não, não é festa na casa da Bela Gil. E faça o favor de não torcer o nariz, porque você não experimentou! E tudo é realmente uma delícia.

Muito antes da filha vegana de Gilberto Gil estrear no GNT, um grupo de mães da Casa Redonda se surpreendeu com as gostosuras que Mille Bojer, uma dinamarquesa gente boa, servia em festas coletivas da escola, reuniões em casa com os amigos dos filhos, pais e aniversários.

E não tinha amante de “trashfood” que não se rendia aos sabores, texturas e combinações inusitadas da gringa. Thais Roji, cozinheira como gosta de ser chamada, apesar de ser chef mesmo, ex-editora do site Panelinha de Rita Lobo, achou que a alegria daquelas reuniões e o interesse coletivo por uma comida mais saudável – sem deixar de ser alegre e gostosa -, deveria se transformar em um livro. E arregaçou as mangas.

Entraram no projeto outras duas mães da Casa Redonda, fãs das gostosuras de Mille: a fotógrafa Luciana Napchan e a ilustradora e designer, Graziela Mattar, (veja a minibiografia do grupo no final). Foram três anos de trabalho, entre a concepção da ideia, o conceito do livro, selecionar receitas e a parte mais deliciosa, encontros para fazer as comidas e fotografá-las. O resultado é um livro para se comer com os olhos, objeto de desejo, se não para veganos, para amantes da arte gráfica, do texto e da boa fotografia.

São 184 páginas de beleza, em papel pólen bold, 90g, organizado em seis capítulos: Café da manhã, Sobremesas, Ao ar livre, Lanches da tarde, Festa de Aniversário e datas especiais. Tem para toda ocasião, nível de habilidade e preferência. De pipoca a cookies de jatobá. Aliás, jatobá é comestível, sabia? E tem um glossário desses ingredientes para neófitos, tanto de seu sabor como suas benesses pra saúde. E dá-lhe castanhas, tâmaras, óleo de coco e diversas alternativas à lactose, açúcares e farinhas refinadas.

Se os pratos por si já são de dar água na boca e acabar com qualquer resistência a novos ingredientes, a produção fotográfica impecável – cores com toalhas, flores, bules, pratos -, além dos filhos das organizadoras se lambuzando com picolés, espetinhos de frutas e cookies, arrematam o sabor de um bom livro de receitas.

Por enquanto, a produção é independente e os 100 exemplares da primeira edição já acabaram! A fila de pedidos só cresce e a segunda edição já é inevitável. Fazer oficinas para ensinar as receitas, também já está em projeto!

“Estamos muito felizes com a receptividade do livro. Já esgotado, pessoas comprando não só para si, mas para dar de presente para outras pessoas queridas. Está inspirando pessoas, da mesma forma que fomos inspiradas pela Mille. Ele foi feito dentro do tempo possível, sem pressa, com convívio e alegria e acho que isso reflete no resultado final”, comemora Thais, coautora e cozinheira.

Quem botou a mão na massa?

Da esquerda para direita: Luciana, Mille, Graziela e Thaís

Mille Bojer, mãe do Felix e do Emil, de 10 e 6 anos, é autora e criadora das receitas. Dinamarquesa, cientista social, desde criança curtia cozinhar. Quando descobriu a resistência à lactose por conta de fortes dores de cabeça, passou a experimentar outros ingredientes. Já viveu nos Estados Unidos, Egito, África do Sul, e Brasil e agora, na Suíça. É cofundadora da empresa social Reos Partners.  Formada pela Cornell University e pela Universidade de Copenhagen e coautora do livro “Mapeando Diálogos: Ferramentas essenciais para mudança social”.

Thais Roji, mãe do Tomé, 8 e Alice, 12 anos, é coautora, cozinheira e atriz. Foi editora do site Panelinha, trabalhou nos restaurantes de Alex Atala (DOM), Carla Pernambuco (Carlota) e Rita Lobo (Oriental). Passou uma temporada na Europa, entre Londres e Paris. Trabalhou com Lionel Poilâne, referência mundial em panificação e ainda passou pela Tailândia para se especializar na comida local. Faz pães com fermentação natural, dá aulas de culinária e trabalha com eventos gastronômicos.

Luciana Napchan, mãe de Yasmin, 10 e Isabela, 8, é cineasta formada pela USP e pela Escola de Cinema de Munich, Alemanha. Trabalhou como assistente de fotógrafos europeus e ao retornar para o Brasil, trabalhou como fotojornalista para a Folha de São Paulo, Marie Claire, Caminhos da Terra, Viagem e Turismo, Vogue entre outras. Seu olhar está voltado para temas sociais e ambientais. Já fez exposições em museus e centros culturais dentro e fora do país. Seu trabalho “Gritos da Rua” foi exposto no Art Museum of the Americas em Washington DC, USA e publicado na Times Magazine. Lançou o livro “Parques Nacionais da América Latina”.

Graziella Mattar, mãe de Raul, sete anos, é psicóloga formada pela PUC/SP, trabalhou com crianças por dez anos e se apaixonou por esse universo. Relembrou do prazer de desenhar, recortar e colar e em 2003 iniciou sua carreira como ilustradora e publicou seu primeiro livro infantil em 2010. Desde então, colabora com editoras e agências de publicidade.

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Por Fabíola Lago
Fotos: Luciana Napchan

Sobre o autor

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