Colunistas Crônica Lívia Guimarães

Taças de cristal às segundas

Escrito por Lívia Guimarães
Uma sincera homenagem à minha amiga Serena

Tinha 19 anos quando conheci minha amiga Serena. Não posso dizer que não sabia da importância que ela teria na minha vida.

Apenas por ouvir seu belo nome minha intuição me avisou. Ela fará parte de você. O que eu não sabia na época é que Serena teria uma enorme influência sobre mim, despertaria minha alma para tantas coisas da vida.

Em pouco tempo nos tornamos amigas e passei a frequentar seu animado apartamento na Av. Higienópolis, onde ela morava com seu marido, Elliot. Já falei do Elliot para vocês, o amigo do apartamento!

A casa era pura efervescência. Lá se encontrava uma turma de amigos fiéis, para ouvir boa música, assistir filmes bacanas, ler livros em saraus divertidíssimos e jogar conversa fora.

Eu era uma espécie de mascote da turma, mais nova, protegida da Serena e do Elliot.

Tudo ali era especial. O ar rescendia a perfume, as paredes eram coloridas, da cozinha saiam receitas maravilhosas das mãos talentosas da Serena. Mas o que mais fascinava ali era o calor daquela casa, a capacidade que ela tinha de nos fazer bem vindos a qualquer hora. E isso era muito a Serena.

Uma das coisas mais bonitas na Serena era a capacidade do bem viver. Sua firme crença de que o bom da vida deve ser usufruído, todos os dias.

Taças de cristal mofando em cristaleiras? Não eram com ela.

E assim ela levava a vida. Assim aprendi com ela.

Cristais e velas acesas às segundas, toalhas rendadas no café da manhã, louças de estimação no jantar da semana e, intensidade no amor, todos os dias.

Outra coisa muito Serena era sua capacidade de se levar a sério rindo de si mesma, de fazer conviver as duas coisas, com a sabedoria de quem sabe que a vida também abraça o ridículo.

Nisso sempre fomos parecidas. E rimos muito, sempre, da vida.

Serena era uma irmã divertida, novidadeira, impetuosa, com a coragem que muitas vezes me inspirou. Uma gitana. Aliás, quantas canções flamencas escutamos juntas, sonhando como meninas que ainda éramos.

E era também meu porto seguro no começo da vida adulta. Alguém que cuidava de mim e me introduzia pelas mãos em um novo mundo. Na época, nem desconfiava que tanto quanto eu, a Serena sabia pouco da vida.

Com ela conheci comida japonesa, passei a gostar de Bossa Nova, de amarelo, a prestar mais atenção nas flores e a me arriscar na vida. Coisa que ela sempre fez e faz até hoje.

Saí da juventude ainda uma menina. E entrei pelas mãos da Serena na idade adulta. Com muito mais brilho e apetite para ser feliz.

Sobre o autor

Lívia Guimarães

Proprietária da Ponto Luz, Consultoria de Marketing.

Escreve no seu blog maletaamarela.com.br, por puro prazer, textos sobre o cotidiano através de um olhar sincero e divertido.

Blog: maletaamarela.com.br

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