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Conferência do Transition Towns

Escrito por Isabela Menezes

Essa conferência foi bem especial para mim.
Depois de cinco anos volto ao local da minha primeira conferência do Transition. Sinto que estou fechando um ciclo. Uma etapa da minha atuação dentro da Transição.
Foram cinco anos de muito aprendizado, alegrias, troca, conexão e crescimento interno. Estou sonhando já com os próximos 5 anos. Porque a verdade é que não me canso de fazer a Transição. Não é uma etapa, é um sonho de futuro que constantemente se renova. E quando tem esses encontros então …. se renova com mais força ainda.
Por isso tudo e muito mais, voltar a Seale-Haynes foi reviver todos esses anos em que venho me dedicando, com todo amor, a esse movimento que mudou literalmente minha vida. Para muito melhor, vale dizer.

 

Seale-Haynes, Newton Abbot - Uma antiga escola de agricultura, que em 2010 se transformou em um centro inovador para pessoas com deficiência, uma vez que atingem a idade adulta. Acontece de um tudo por lá, artes, música, festivais e tudo o que uma comunidade criativa consegue produzir.

Seale-Haynes, Newton Abbot – Uma antiga escola de agricultura, que em 2010 se transformou em um centro inovador para pessoas com deficiência, uma vez que atingem a idade adulta. Acontece de um tudo por lá, artes, música, festivais e tudo o que uma comunidade criativa consegue produzir.

A Conferência abriu na sexta de noite, depois de muitos reencontros com os amigos da transição do mundo todo. E sempre é a mesma sensação, a de que estamos sempre tão próximos pelo propósito, mesmo estando tão afastados geograficamente.
Às 18h30, fomos saudados pelo Coral Local: Glorious Chorus que nos chamou para a abertura oficial da conferência no Salão Principal.
Sophy Banks e Anna Maris foram as facilitadoras da abertura e nos levaram para nosso famoso exercício de mapeamento. Do mais antigo para o mais novo, do mais distante ao mais próximo geograficamente, pelo maior e pelo menor núcleo de transição e por último medimos o tempo, novos e já antigos no movimento, puderam falar sobre como estávamos nos sentindo nessa percepção que o exercício de mapeamento nos traz.

Fechamos o dia no pub tomando cerveja, cantando e dançando, afinal, onde têm latinos, tem diversão. Xaba, brasileiro que já estava na área para a Conferência, fez a alegria do pub com sua percussão.

O segundo dia, foi cheio de sol, especialmente encomendado para a data, segundo Rob Hopkins. E a missão era escolher nosso rumo do dia. O cardápio de workshops e atividades era incrível, foi bem difícil de escolher entre: “ Como a mudança acontece”, “Conflito como uma possibilidade”, “Co-criando um movimento global ao workshop de REconomia”, tinha tanta coisa boa que ficou aquela sensação de que estava perdendo algo de muito interessante. Mas me joguei na minha escolha, feliz da vida.
Acabei participando do workshop do Emilio, Jay e Juan: Transition in Post-Crash Economies. Muito interessante ouvir sobre a viagem que Jay e Emilio fizeram pela Espanha, coletando as ações que estão acontecendo por todo o país e que são também uma resposta à crise econômica. O debate foi intenso e muito rico. Ver que quando a situação aperta, a criatividade toma conta.
Na parte da tarde, eu fui chamada para contribuir no Global WebCast, e só consegui dar uma espiadela no workshop de Sociocracia do James Priest, assunto fascinante pelo qual ando bem apaixonada.
Pessoas do mundo todo conversando pelo chat (eu era responsável por essa parte) e se conectando via skype, uma plateia de primeira qualidade, convidados vindo diretamente de seus workshops para dar uma “palhinha” sobre os assuntos abordados, ou seja, pura troca ao vivo e à cores! No final, fomos todos tomados por uma energia indescritível de realização e de conexão. Uma experiência para se guardar.

Para quem estiver com o inglês em dia ou em teste, assista ao vídeo do Global Webcast. Vale a pena.

Último dia de conferência.
Dia de Open Space!! Uma metodologia sempre mágica onde os resultados são incríveis!
A abertura foi um acontecimento à parte, com direito a uma performance divertida dos comissários de bordo do Open Space.
Eu aderi à mesa do Transition Latin America. Esse desenho tão necessário e precioso da Transição no nosso continente que já é muito rico de ações, grupos, ecoVillas, pemaculturores e pessoas criativas e totalmente alinhadas com o mundo que todos nós queremos e estamos criando. Este ano tivemos uma presença expressiva de pessoas de toda a América Latina: Raul do México, Andrea da Colômbia, Saul e Javiera do Chile e Sebastian da Argentina. Fizemos uma turma bem especial que vai se dedicar a engrossar as fileiras da transição no nosso continente.
Muitas ideias boas surgiram, inclusive a de um encontro latino para o próximo ano.
Na parte da tarde, um momento super especial. A celebração do Equinócio de outono. Foi muito mágico. Um momento de celebrar e refletir sobre o nosso impacto sobre o planeta.

Círculo de fechamento, muitos agradecimentos, trocas e a foto final. Reabastecidos, nos preparamos para a partida, cheios de novidades e mais capacitados para continuar com a Transição. O movimento que nasceu como uma resposta ao pico do petróleo, as mudanças climáticas e à crise económica, se redesenha para ser um movimento de comunidades unidas. O mais precioso para mim nesse movimento é a capacidade do desenho coletivo. É o fato de que todos os grupos, de todo o mundo, participarem dessa criação. Não é um movimento estático onde tudo está decidido, é um movimento vivo, onde o caminhar contribui para sempre se reescrever essa história.

O Movimento acontece na Granja desde 2009 e vem realizando muitas ações importantes, como a Feira de Trocas, a EcoFeira, A Hora do Planeta, O Mão na Massa e por ai vai.

– Veja mais fotos da Conferência

– Relato Internacional da Conferência por Rob Hopkins

– Saiba mais sobre o Transition Granja Viana

TRANSITION1

 

Sobre o autor

Isabela Menezes

Cursou Educação Gaia (www.gaiaeducation.org), baseado em currículo do GEESE (Global Educators for Sustainable Earth) que desenvolvem cursos em design e desenvolvimento de assentamentos humanos sustentáveis.
Atua com o desenvolvimento de projetos de educação para sustentabilidade e responsabilidade social pela Oficina da Sustentabilidade (www.oficinadasustentabilidade.com.br).
É articuladora e facilitadora da rede nacional do Transition Towns Brasil e uma das iniciadoras do movimento na Granja Viana – SP.

Transition Granja Viana: http://transitiontownsgranjaviana.blogspot.com.br/

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