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Triste Dia Mundial do Meio Ambiente

Escrito por Redação
Pensar global, agir local, esse é o desafio para dar sustentabilidade ao planeta.   Confira a visão de três ambientalistas de Carapicuíba, Cotia e Embu das Artes, sobre avanços e desafios para preservar o meio ambiente na região

Está difícil comemorar o Dia Mundial do Meio Ambiente este ano. Nos últimos dias, Donald Trump, presidente dos EUA, segundo maior emissor de poluentes do mundo, retirou-se do Acordo de Paris. Um tratado assinado por 195 países que, cientes da seriedade das alterações climáticas, se comprometeram a criar ações, novas tecnologias e legislações para reduzir a emissão de gases de efeito estufa e assim, reduzir a temperatura global até 2025, em até 2%. A decisão foi duramente criticada por lideranças europeias e até economias emergentes, como a China. Um enorme retrocesso.

Foto: XinguVivo

Foto: XinguVivo

No Brasil, o governo de Michel Temer conseguiu aprovar no Senado a Medida Provisória (MP) 759, apelidada de “MP da Grilagem”, porque abre a possibilidade de transferência de terras da União a grandes especuladores fundiários, anistia grileiros de terras, enfraquece a reforma agrária e acaba com o conceito de uso social da terra. Com isso, a medida resultará em aumento do desmatamento de florestas, a disputa pela posse de terras e, consequentemente, a violência no campo. Ainda no governo Dilma, o Código Florestal conseguiu ficar pior do que já era, um consenso entre ambientalistas, urbanistas, biólogos e sociedade em geral. Só mesmo produtores de soja e de gado ficaram satisfeitos

Pensar global, agir local – Apesar das más notícias, ambientalistas, voluntários e moradores criam ações e seguem em frente em seus bairros e municípios para preservar o meio ambiente.  Délia Costa, por exemplo, moradora da Granja Viana há 11 anos, faz parte de dois Conselhos de Meio Ambiente, o de Cotia e de Carapicuíba, além do MDGV, Movimento de Defesa da Granja Viana. Também é gestora do Parque Cemucan, faz uma análise dos principais desafios da região.

“Um dos problemas são os planos diretores e as alterações que são feitas na calada da noite, em votações não divulgadas para a população. Fizemos um trabalho intenso em Carapicuíba em 2011 para construir um Plano Diretor, inclusive com a participação de urbanistas e outros especialistas, do porte de Nabil Bonduki. Ficamos satisfeitos, principalmente pelo envolvimento de vários segmentos da cidade, apesar de não estar 100% ideal. Mesmo assim, tempos depois depois de aprovado, soubemos que a Câmara de Carapicuíba fez uma mudança no zoneamento, com uma lei sancionada e aprovada no mesmo dia”, conta Délia.

Para sua surpresa, e demais membros do conselho, a Lei parecia não prejudicar, até que no artigo sétimo, mencionava um “anexo”, este sim, com medidas bastante prejudiciais, que atropelavam o planto diretor aprovado, como por exemplo uma Área de Interesse Ambiental, ao lado do condomínio Fazendinha. “A especulação imobiliária quer construir milhares de apartamentos ali, passando por cima de todo o processo de consulta e aprovação dos moradores”, explica a conselheira.

Delia Costa, moradora da Granja e ambientalista

Delia Costa, moradora da Granja e ambientalista

Em Carapicuíba, Délia acredita que a grande bandeira deve ser, “chega de cortar árvores”, devido à aridez na maior parte da cidade, extremamente adensada, sem parques, hortas urbanas e áreas verdes de lazer para as crianças.  “É preciso arborizar urgentemente. Existe uma população de grande sabedoria, que veio para cá nos últimos 50 anos, vieram de áreas rurais de Minas Gerais, do Nordeste e certamente poderiam participar de hortas comunitárias, ensinar seus filhos e netos a plantar”, destaca.

Sua esperança é que o prefeito, Marcos Neves, eleito pelo Partido Verde, legenda que se propõe a uma política ambiental, tenha melhor atenção com essas questões. Segundo Délia, Cotia, por sua vez, nem de Plano diretor dispõe. A população nunca foi mobilizada para discutir o da cidade.

Investir fortemente em educação ambiental, com a participação de estudantes, Nobrepais e professores. Essa é a aposta de Wilson Nobre, um dos pioneiros da luta pelo meio ambiente, não só em Embu das Artes, mas no Brasil. Professor da área de Inovação da FGV, é membro da SEAE desde sua fundação, há mais de 40 anos. Nobre se orgulha ao dizer que a SEAE foi a primeira ONG ambientalista do país. “Fizemos um simpósio na época que ganhou muita visibilidade, com a presença dos Irmãos Villas Boas, o geógrafo Aziz Ab’Saber, Augusto Rusk,  fundada em meados da década de 70.  Embu ficou conhecida como capital da ecologia no Brasil”, lembra Nobre.

Entre as tantas lutas da entidade nas últimas décadas, destacam-se a luta para impedir o aeroporto em Caucaia, a mobilização pelo Plano Diretor em Embu em 2012 e ações de educação ambiental, a exemplo do “Sábado Écomigo“, que em parceria com a Secretaria de Educação, ocupa os sábados letivos de recuperação de aulas nas escolas públicas com oficinas de “Seedball” (bomba de sementes), jogo “Carta da Terra”, hortas verticais de garrafas PET, entre outras atividades envolvendo pais, filhos e professores.

O ambientalista, assim como Délia, denuncia mudanças no Plano Diretor de última hora, como nos últimos dias do mandato de Chico Brito, depois de duas ocupações na Câmara para impedir a votação, aprovado sem divulgação para alterar as leis de zoneamento, amplamente discutidas,  áreas de interesse social e ambiental, para zonas de comércio. “Pretendem vender a cidade. Com o Rodoanel, Embu virou um grande negócio, com vários galpões em áreas de APA na gestão de Brito. Querem  lotes de qualquer forma, sem planejamento, escolas, postos de saúde, áreas de lazer”, argumenta.

Para o gestor ambiental e ativista André Luiz Domingues, 31 anos, morador deAndré Caucaia do Alto são muitos os problemas: implantação de condomínios em áreas de preservação, praticamente zero saneamento (em todo o município de Cotia, apenas 6% do esgoto é tratado). “O coletor da Sabesp despeja o esgoto sem qualquer tratamento no córrego Forges, que corta o centro de Caucaia. Desmatamento, grilagem e o fato da polícia ambiental contar com apenas uma viatura para fiscalizar oito municípios.

André também destaca a falta de um plano de manejo, antes de se discutir qualquer projeto de ecoturismo na reserva de Morro Grande. “Por incrível que pareça, se chegou a aprovar um projeto para se fazer um campo de golfe na área, um projeto que custou três milhões aos cofres públicos e não foi adiante, pelo absurdo de sua proposta. Mas o dinheiro nunca foi reembolsado”. Com o plano de manejo, aí vamos discutir como a área será ocupada, com que impacto, para capacidade de quantas pessoas, são estudos imprescindíveis para preservar a reserva Morro Grande”, conclui o ambientalista.

Por: Fabíola Lago, jornalista, colaboradora do Jornal d’aqui.

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O Jornal d'aqui digital é uma prestadora de serviços que atua com comunicação na região da Granja Viana, Cotia (SP). Nasceu originalmente em 1979 como mídia impressa e assim atuou durante 35 anos. O formato atual surgiu a partir de um movimento de amigos/leitores inconformados com o encerramento de suas publicações.

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