Colunistas Daqui Geni Alburquerque

Última chamada!

Escrito por Geni Alburquerque

Agora é sério!

Tudo o que conheci, aprendi e apliquei na prática tem seus dias contados.

Todas as boas lembranças se não forem registradas em fotos e vídeos serão enterradas no passado.

As esperanças de ver, acompanhar e um dia poder se orgulhar do lugar onde passei mais da metade da minha vida estão se transformando em lágrimas da mais pura tristeza.

Palavras quando ditas ou escritas não podem ser devolvidas e suas entrelinhas escondem emoções e intenções.

O Primeiro Fórum de Urbanização promovido pela prefeitura de Cotia mostrou que seus palestrantes estão bastante convencidos de que para solucionar a demanda (Reserva Raposo e outros) de pelo menos 30.000 unidades habitacionais por ano, na cidade de São Paulo, devem adotar a solução mais do que simplista de delegar este saldo habitacional negativo para Cotia e municípios vizinhos, sem qualquer implantação de infraestrutura, respeito ao meio ambiente, descentralização econômica e pior, sem uma total reestruturação do sistema de transportes local e intermunicipal.

A expectativa dos que acompanham as decisões municipais que afetam diretamente nossa qualidade de vida, foi a de se pensar e imaginar quais soluções seriam discutidas para resolver os diversos problemas estruturais decorrentes do crescimento desordenado da cidade e da população, contudo o que se viu, será uma novela com o objetivo de nos fazer engolir e digerir a verticalização, como se ela fosse a solução, mesmo que indigesta destes mesmos problemas.

O centro de qualquer cidade representa o seu povo.

Em Cotia podemos encontrar não apenas seus habitantes mais representativos, mas vislumbrar a maneira como a cidade será no futuro.

Andando por Cotia existe uma população que se acostumou com filas, greves, que inalam o cheiro de esgoto, combustível, churrasquinhos, caminhando pelas ruas porque as poucas calçadas existentes foram tomadas por carros, lixo, ambulantes que escancaram o comércio informal.

Estes cidadãos são conscientes de que, ao carregarem uma sacola plástica com seus pertences, serão implacavelmente roubados por meliantes e se encontram estagnados na resiliência porque conhecem profundamente a ganância do poder público por arrecadação, e o quanto são ignorados quando as eleições municipais estão distantes.

Onde estarão as soluções para o crescimento ordenado e sustentável para estas pessoas, que representam 90% da população de Cotia, no país da desigualdade social?

Por outro lado, temos aqueles que representam os 10%, que vivem cercados por muros, sem saberem ao certo se residem em um condomínio de fato ou bolsão residencial, em que sua liberdade de ir e vir há muito foi cerceada pela Raposo, que não votam em Cotia, mas que de alguma forma, direta ou indiretamente, geram empregos para os que representam os 90% dos que habitam a cidade.

Esta mesma parcela da população que contribuiu para o inchaço populacional, estará disposta a admirar como paisagem, edifícios com dezenas de andares em seus caminhos?

Existe um consenso de todos os que vivem por aqui, de que já não precisamos de Mensalão nem de Petrolão, e muito menos da Lava-jato, para comprovar que a administração pública nada mais é que um balcão de negócios, em que apenas uma minoria será beneficiada, impondo a conta a pagar para a maioria.

A qualidade de vida das pessoas foi exterminada com o zoneamento misto, uma vez que na prática, bairros residenciais passaram a conviver com comércio, prestação de serviços diversos e indústrias, com suas consequências diretas, como imobilidade, poluição do ar, sonora e visual, apagões diversos e falta de segurança e ainda querem nos fazer acreditar que a verticalização   na cidade será uma quebra de paradigmas?

Crescer de forma sustentável, preservando seu bioma original, gerando empregos que distribuem riquezas, dificilmente será possível com a cidade tendo que acolher ainda mais pessoas, sem infraestrutura adequada; o que gera um constrangimento enorme é saber que pessoas com nível de entendimento tão baixo sobre qualidade de vida, utilizem o termo indiscriminadamente.

Ao acompanhar a propaganda oficial do que a prefeitura tem feito pela cidade, fui remetida ao tempo em que fui criança, brincando de corda-bamba na guia, e nunca imaginei que o prefeito desta cidade fosse impor aos seus habitantes uma calçada com 50cm de largura, por todas as ruas de Cotia, para dar mobilidade às carretas, porque em futuro próximo, qualquer cidadão terá que andar com um implante de câmera Go-pro nas costas para que a família e o IML possam identificar quem o atropelou.

O sentimento que predomina além da revolta é o de tristeza por uma cidade que teve oportunidade de se diferenciar na região metropolitana, mas será engolida por ela pelo que tem de pior.

Ou será que a população finalmente sairá de sua letargia com esta última chamada para resgatar e praticar o seu direito à cidadania???

E desta vez, não será apenas o tempo a mostrar, como também os livros de história sobre a cidade, cuja porta de entrada é a Granja Viana.

Sobre o autor

Geni Alburquerque

Autodidata multidisciplinar. Sócia-proprietária da Taúna e consultora em paisagismo ambiental e jardinagem.

Blog: qualidadedevidaejardim.blogspot.com.br

Facebook:
• https://www.facebook.com/qualidadedevidaejardim
• https://www.facebook.com/Paisagismo-e-jardinagem-por-Geni-Albuquerque-393059724187938

Deixe um comentário