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Urbanização conecta divisas

Escrito por Redação

Diante de tamanha integração física,
os municípios perceberam a necessidade de criar espaços para discutir e aplicar ações em conjunto.

Maior concentração urbana do país, São Paulo possui 36 municípios ligados a ela, com mais de 1,7 milhão de pessoas se deslocando em suas 491 ligações – a principal delas entre Guarulhos e Osasco.

Maior concentração urbana do país, São Paulo possui 36 municípios ligados a ela, com mais de 1,7 milhão de pessoas se deslocando em suas 491 ligações – a principal delas entre Guarulhos e Osasco.

O crescimento horizontal da ocupação humana juntou algumas cidades de tal maneira que ficaram “emendadas”. No processo denominado conurbação urbana, os municípios estão tão conectados que já não é possível delimitá-los, o que requer integração das administrações de cada um deles para promover o bem-estar da população.

Com o aumento da urbanização e o advento da indústria, muitas distantes do local de moradia dos operários, os arranjos populacionais começaram a se transformar. No Brasil, especificamente, isso se deu a partir de 1950, com a formação das primeiras metrópoles.

O estudo “Arranjos Populacionais e Concentrações Urbanas do Brasil”, publicado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra um quadro mais atual da urbanização, que se intensificou e assumiu formas cada vez mais complexas ao longo dos anos. O panorama foi pensado a partir de critérios que privilegiaram a integração entre os municípios.

A análise identificou 294 arranjos populacionais no Brasil, formados por 938 municípios que representam 55,9% da população residente no país. A maioria se concentra na região Sudeste, com 112 unidades, seguida da Sul (85), Nordeste (56), Centro-Oeste (24) e Norte (17).

A pesquisa do IBGE aponta que 90,1% dos arranjos populacionais são formados por cinco ou menos municípios. Maior concentração urbana do país, São Paulo possui 36 municípios ligados a ela, com mais de 1,7 milhão de pessoas se deslocando em suas 491 ligações – a principal delas entre Guarulhos e Osasco.

Mauricio Gonçalves e Silva, geógrafo e analista em geoprocessamento, e Paulo Wagner Teixeira Marques,
geógrafo e gerente de regionalização da coordenação de geografia, ambos tecnologistas em informações geográficas e estatísticas do IBGE, acreditam que a melhoria e ampliação da infraestrutura de transporte e a consequente diminuição do tempo de deslocamento contribuem para a conurbação urbana. “As novas tecnologias de transporte e comunicação, muitas vezes acompanhadas de diminuição do custo, diminuem as distâncias e aumentam o fluxo”, explicam.

Para eles, a tendência das médias concentrações é atrair cada vez mais população em busca de trabalho, que residirá nos municípios centrais ou no seu entorno. Os geógrafos do IBGE acreditam que, quanto mais elevado o dinamismo econômico, maior o potencial de atrair habitantes, que buscam “por amenidades locacionais na escolha da moradia. Não podemos esquecer, porém, que tudo isso está atrelado ao seu poder de compra, o que, muitas vezes, leva à distribuição perto de eixos viários, onde o custo de deslocamento geralmente é menor, ou em municípios em que o preço do imóvel é mais barato”, afirmam.

O diretor de gestão urbana da Secretaria de Desenvolvimento Urbano de Guarulhos, Plínio Soares dos Santos, diz que um dos principais impactos é a sobrecarga do sistema viário, pelo intenso fluxo de veículos e de transporte coletivo e de carga. Ele explica que as recentes alterações feitas no Plano Diretor de São Paulo devem trazer reflexos no território metropolitano, em particular na cidade de Guarulhos.

Santos destaca a intensa pressão do mercado imobiliário, em busca de novos vetores de expansão e adensamento, que nos últimos anos tem visto a cidade como uma boa opção de investimento. “Esta intensa dinâmica de uso e ocupação do solo pressiona o poder público local por infraestrutura, sobretudo quanto ao saneamento básico, mobilidade urbana, iluminação pública e pavimentação e drenagem”, afirma o diretor de gestão urbana.
Segundo ele, mesmo com os investimentos realizados em infraestrutura nos últimos anos, ainda há importantes gargalos a serem superados, como a melhoria nas condições da mobilidade urbana, a ampliação da oferta de transportes coletivos e o fortalecimento de outras modalidades.

Impacto Negativo

O professor emérito da Universidade de Brasília (UnB) e atual diretor da Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), Aldo Paviani, acredita que a maior desvantagem da conurbação se dá na perda de qualidade ambiental, porque as novas construções e a busca por mais territórios destroem a vegetação. “As cidades se afogam nas secas, dificultando a diminuição da poluição no futuro. São Paulo, com os bairros todos emendados, tem pouco verde e apresenta um dos deslocamentos mais lentos do mundo”, diz.

Para Paviani, o ideal é fazer com que as cidades sejam verdadeiros satélites e dependam menos da infraestrutura das vizinhas, como hospital, escola e universidade. “Além disso, os municípios precisam apresentar vários núcleos, com oferta difusa de emprego, e menor concentração em seus centros”, explica o professor.

Acordos

Diante de tamanha integração física, os municípios perceberam a necessidade de criar espaços para discutir e aplicar ações em conjunto. O Secretário de Desenvolvimento Urbano da cidade de São Paulo, Fernando de Mello Franco, cita um exemplo: a preservação ambiental atinge a região metropolitana como um todo. “A água que abastece São Paulo vem de outros municípios e o abastecimento depende da preservação ambiental de outros locais, como Rio Grande da Serra. Se há má conservação, o município fica penalizado por conta da importância ambiental”, diz e explica que, por causa desta função, por vezes tais municípios não podem se desenvolver, afetando indicadores como a geração de empregos.

Na região metropolitana de São Paulo, algumas cidades firmaram acordos para aumentar a qualidade de vida da população. Um exemplo comum é o caso dos consórcios. Os municípios de Barueri, Carapicuíba, Cotia, Itapevi, Jandira, Osasco, Pirapora do Bom Jesus e Santana do Parnaíba formaram o Consórcio Intermunicipal da Região Oeste Metropolitana de São Paulo – CIOESTE.

Criado em 1990, o do Grande ABC reúne sete municípios (Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra) com objetivo de planejar, articular e definir ações de caráter regional.

O secretário executivo da presidência do consórcio, Luis Paulo Bresciani, explica que os recursos das cidades são aplicados na elaboração de estudos e implantação de políticas públicas regionais. “Além disso, é possível captar das esferas estadual e federal para aplicar em projetos específicos, como o PAC Mobilidade”, diz.
Segundo ele, o modelo de governança regional baseado no consórcio e na Agência de Desenvolvimento do Grande ABC permitiu que a região se mantivesse como um dos principais centros econômicos do país, resistindo especialmente à grave crise dos anos 1990. “A formação da Câmara Regional do ABC resultou em iniciativas que ancoraram a reversão do processo de degradação pelo qual a região passava à época”, conta o secretário executivo.

Ele cita algumas ações, como a ampliação do polo petroquímico, a retomada dos investimentos nos setores automotivo e metalúrgico, a redução das cifras de desemprego pela metade, a implantação da Universidade Federal do ABC como meio de alavancar um novo modelo de desenvolvimento regional e o apoio a aglomerados produtivos do plástico e da ferramentaria.

Bresciani afirma que hoje o Grande ABC é, somadas as sete cidades, a quarta economia “municipal” do país e a terceira economia industrial, além de estar entre os cinco maiores polos de consumo do país. Guarulhos integra o Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat), formado por 11 municípios da região metropolitana de São Paulo em busca de planejamento regional através da integração de ações de interesse comum. De acordo com Plínio Soares dos Santos, diretor de gestão urbana da Secretaria de Desenvolvimento Urbano de Guarulhos, apesar dos avanços na constituição da rede, os resultados efetivos ainda são pouco notados.

Sorocaba

A Estância Turística de São Roque compõe a recém-criada região metropolitana de Sorocaba, no interior de São Paulo. O prefeito da cidade, Daniel de Oliveira Costa (PMDB), explica que os governos municipais farão um levantamento de suas demandas para encaminhar ao governador do Estado, Geraldo Alckmin. “Poderemos somar forças políticas para efetivação e conquista destas mesmas reivindicações em favor da população. A ligação deixa de ser interurbana. O transporte público pode reduzir custos e ter mais eficiência, assim como outras questões como destinação do lixo, por exemplo”, explica Costa.

Por Beatriz Santos em: brasilamericaeconomia.com.br

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