Colunistas Põe Poesia Sílvia Rocha

#vamosdemaosdadas

Escrito por Sílvia Rocha

A também colunista do Jornal d’aqui e minha amiga querida Jany Vargas está na Índia. Tem feito relatos muito apurados e com o jeito tão Jany de escrever sobre sua jornada!

No entanto, o que a tem entristecido muito são os assédios a que ela e a filha vêm sofrendo, e os demais assédios dos quais ficam sabendo ao longo da viagem.

Vou torcer muito para que suas experiências sejam, em breve, compartilhadas com seus leitores.

Por ora, vou adiantar o que eu disse a ela diante das situações revoltantes e constrangedoras que ela e a filha vêm passando. Jany, nunca fiquem sozinhas! Jany, lembra das palavras do Drummond: Vamos de mãos dadas.

Por isto, imaginei a hashtag #vamosdemaosdadas.

Porque acredito que um jeito é a gente se unir, e sair sempre sempre de mãos dadas.

E, enquanto isto, #vamosdemaosdadas lutar pela conscientização, pela educação, fazendo orações, vibrações e meditações para que os seres humanos sejam respeitados; para que o não seja ouvido e atendido, para que não sejamos violentadas ou violentados, para que as crianças e jovens sejam poupados das crueldades a que vêm sendo submetidas.

Sim, leitoras e leitores, #vamosdemãosdadas. Há muito o que fazer, há muito o que superar, há muito pelo que lutar. E a vida presente é um presente, não é mesmo, Drummond?

Mãos Dadas
Carlos Drummond de Andrade

Não serei o poeta de um mundo caduco
Também não cantarei o mundo futuro
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças
Entre eles, considero a enorme realidade
O presente é tão grande, não nos afastemos
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas

Não serei o cantor de uma mulher, de uma história
Não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista da janela
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida
Não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes
A vida presente

Sobre o autor

Sílvia Rocha

Sílvia Rocha mora na Granja Viana desde 1994.
É graduada e mestre em Comunicação Social – Jornalismo – pela Escola de Comunicações e Artes da USP.

Pratica o haikai – micropoemas de origem japonesa, inspirados na natureza – desde 1984. Publicou a segunda edição de Estação Haikai e Gestação Haikai, pela editora É selo de língua, 2015. Ganhou o Concurso de Poesia Falada do Café das Flores e da Revista Escrita com As Quatro Estações do Ano, em 1987.

Escreve matérias, artigos e crônicas para veículos impressos e virtuais e conduz a oficina Haikai: universo em três versos em grupos, individualmente, presencialmente e à distância.

Site: www.silviarocha.com.br

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