Arte Heloísa Reis

A Arte e sua História em 2020

Escrito por Heloísa Reis
“…a vida é, de um lado, anseio de ser, e, de outro lado, temor do nada. Essa é a angústia. Pois o nada amedronta….”
García Morente.

Em nossa existência temos apenas uma certeza: a de nossa finitude. A inquietação com o sentido da vida nos torna entes peculiares cuja propriedade mais estranha é a de termos consciência do resto das coisas e de fazermos parte delas.

Os seres humanos, desde cedo, apresentaram seus relatos, questionamentos, anseios e faltas.

Pinturas rupestres Serra da Capivara. Pará/Brasil

Quando vivíamos submissos às leis da Natureza e buscávamos abrigo nas cavernas fixamos nossa necessidade de expressão pintando cenas marcantes nas paredes. Assim, surgiram os mais excitantes e primitivos museus de arte da humanidade.

Sabe-se que, para enfrentar sua jornada, o homem precisa ir ao âmago das questões, chegar à essência da alma, que, para Sócrates, era a sede da razão, o eu-consciente moral, intelectual e sensível fazendo-se distinto de todos os outros seres da natureza. A pergunta essencial que Sócrates tentava responder era: o que é a essência do homem? E disse que o homem é a sua alma e que, para tomar posse de si mesmo, precisa tornar-se dono de si – pelo saber.

Já Santo Agostinho interpreta essa inquietação humana como sendo a necessidade de encontro com a figura divina. O homem que não entra em contato com Deus, seria, em sua visão, inacabado, incompleto e vazio. Em contrapartida, aquele que entra e compartilha do divino torna-se iluminado, completo, descobrindo a verdadeira felicidade.

Com as ciências e os anseios de liberdade de Voltaire a Rousseau e Kant, surge a ênfase nas idéias de progresso e perfeição humanas, assim como a defesa do conhecimento racional como meio para a superação de preconceitos e ideologias tradicionais. O Iluminismo vem como uma atitude geral de pensamento e ação, buscando um mundo melhor pela introspecção e engajamento político-social. E nasce o homem moderno.

Seguindo, encontramos o pessimismo de Schopenhauer dizendo que apenas pela arte e pelo abandono de si, o homem poderia se libertar da dor; Kierkegaard considerando que tanto é possível a dor como o prazer, o bem como o mal, o amor como o ódio, no entanto, enfatizando a eterna insatisfação humana, onde a relação do homem com Deus seria, talvez, a única via para a superação da angústia e do desespero, marcada pelo paradoxo de ter de compreender, pela fé, o que é incompreensível pela razão.

Husserl, Heidegger, Sartre, Ortega y Gasset analisam, a seu modo, como, onde e porque o homem não assume a sua própria cura. Perde-se e se aliena, já que o ser autêntico exige o mergulho na angústia do nada.

Em seus anseios de liberdade, o homem torna-se responsável por tudo quanto faz e, sem qualquer apoio e sem qualquer auxílio, está condenado a reinventar-se constantemente.

Aqui, trazemos a vida para o agora. A vida humana é sempre minha, a de cada qual, a de cada um de nós. É individual, pessoal e consiste no eu que se encontra em uma circunstância no mundo, sem ter a certeza de existir no instante imediatamente posterior e tendo sempre que estar fazendo algo para garantir essa existência.

A ação humana supõe, então, um sujeito responsável, e a vida é, por essência, solidão.

Entender o vazio existencial numa perspectiva histórico-filosófica nos permite ter um panorama geral amplo e abrangente, que abarca diversas linhas de pensamentos dos mais diversos autores e filósofos. Compreender esse apanhado histórico significa tomar posse dos conhecimentos, teorias e visões que influenciaram e influenciam o que hoje entendemos sobre a vida.

Já, conhecer a História da Arte, nos possibilita empreender uma jornada de identificação das causas para o vazio existencial que tomou conta do mundo contemporâneo, ajudando a aceitar esta pandemia de 2020, que vem trazendo enormes implicações no nosso cotidiano, no sentido de nossa existência e nas nossas vidas particulares como um todo.

Em destaque: “O Nada de Cordélia” Encáustica Heloisa Reis
                           Apresentada em “O Jantar do Poder” Galeria de Arte Solange Viana 2005


História da Arte com arte

Este curso propõe-se a estudar vivamente a História da Arte, aplicando-a em exercícios práticos.

A cada encontro, via “Zoom” – no qual teremos contato com comparações e particularidades da arte na sua História – será apresentada uma técnica para uma verdadeira “degustação do fazer”, sob orientação da artista plástica e arte-educadora Heloisa Reis.

Os objetivos vão, desde desafiar o tédio em tempos de isolamento, até refletir sobre os episódios e as personagens da História, procurando, talvez, contribuir para uma possível reestruturação da vida no mundo, criativamente.

Com ARTE, tudo é possível!
Ao longo dos encontros semanais de 1 hora e meia, faremos pontes entre artistas e examinaremos os contrastes entre passado e presente, e – grande diferencial! – a cada encontro, teremos uma proposta de “pôr a mão na massa”, como um convite para sair do plano teórico e despertar – ou aprimorar – o talento e a criatividade de cada um.

História da Arte com Arte
Com Heloisa Reis
Sextas-feiras
Das 15h00 às 16h30
Via “Zoom”
Contribuição espontânea
Inscrições: heloisareis@globo.com

Sobre o autor

Heloísa Reis

Artista visual e arte-educadora, pesquisa a linguagem da arte contemporânea e sua importância enquanto instrumento de transformação. “Pinta e borda”, constrói objetos e gosta de ler e escrever. Atua em grupos como MDGV, Transition da Granja e Grupo ArteJunto procurando aprender com eles a arte de refletir a cidadania.
www.encontrosheloisareis.blogspot.com

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