Colunistas Crônica Jany Vargas

A Gaiola da ladainha!

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Escrito por Jany Vargas

Ando sintonizando sem querer faixas de ondas específicas da Rádio Vida. Há algumas semanas parece que um portal se abriu e eu só via muito sofrimento onde quer que eu olhasse. Tudo o mais tinha sumido e só estava o sofrimento visível em todas as vidas. Durou um tempo e não vi mais. O cotidiano logo voltou com sua paleta mais pastel.

Depois sintonizei as histórias… a vidinha de cada um. Parece que tinham posto um amplificador na cidade e eu ouvia histórias, que se tornaram historinhas, de tanto que se pareciam. E quando eu olhava para quem contava percebia que a pessoa estava presa naquela narrativa que ela mesmo contava. Os limites da sua vida eram construídos pelas suas crenças nas historinhas.

A gota d’água foi quando ouvi uma pessoa reclamar da postura do namorado na cozinha. Eram as minhas palavras! Também sofro dessa historinha. Ouvi naquele minuto milhões de vozes entoando a mesma ladainha.

Como se levar a sério nessas circunstâncias?

Como supervalorizar posturas óbvias, condicionadas? Junta-se algumas circunstâncias: uma cozinha e um homem e pronto: eu e zilhões vamos dizer e pensar e sentir e agir igual?

Oh não! Me inclua fora dessa!

Não quero ser uma pecinha boba e inconsciente de uma engrenagem chamada vida.

Dane-se minha narrativa, dane-se a cozinha, essa eu, esse homem assim tão pouco original também!

Antídoto: não dar tanta realidade às narrativas. Não dar tanta importância a esse Eu que quer, que não quer, que acha isso, que acha aquilo, que se defende, que ataca, que se melindra.

Pegá-lo no pulo! Quando começo uma historinha já me ouço. Já vejo minhas estratégias. Já vejo as cartas na mão, os companheiros de baralho, e lá de cima posso ver a mesa, todos nós ali jogando…

E se subo mais: bilhões de mesas, com bilhões de jogadores entretidos em viver e contar suas histórias. Encenar seu teatro.

E, para minha surpresa, quando consigo tirar a historinha, encontro esse ser que está escrevendo aqui. Que tem uma existência hiper particular. É um encontro instigante… muito por conhecer desse ser… especialmente se me permito descobrir todas as suas faces, todas suas verdades, para bem além das historinhas…

Beijos, ser único você também…

Sobre o autor

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Jany Vargas

Transita no universo das Danças Circulares e é escritora. Escreve para levar ideias daqui para ali. Para contar histórias, falar do seu tempo, participar do diálogo, contribuir.

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