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Avanços tecnológicos são essenciais para a qualidade de vida e longevidade

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Escrito por Marina Camargo

Com a colaboração de Felipe Testolini*

Observando os avanços da área da saúde, em especial nos últimos 10 anos, vemos como a tecnologia tem sido essencial. Gosto de citar três exemplos: a redução do custo de análise completa do DNA, ou seja, o sequenciamento do genoma – que em 2001, custava USD 100M, hoje, menos de USD 1K – possibilitando a busca completa por predisposições a doenças. Seguido pela telemedicina, que proporciona rápido acesso ao médico em qualquer hora e lugar. E por último, a vacina contra a Covid-19, desenvolvida em tempo recorde. É verdade que já existia uma pesquisa em andamento, mas a vacina foi desenvolvida e testada de forma rápida e eficiente – a aprovação, que costuma demorar 10 anos para ocorrer, foi alcançada em apenas 1.

O uso da tecnologia fica claro em todos os itens. O próprio sequenciamento do genoma humano, pôde ter seu custo tão reduzido, que acabou se tornando algo comum, de acordo com informações divulgadas no site Genoma Medical. Quanto às vacinas, vemos o desenvolvimento para uma contra o HIV, e também, avanços nos estudos e tratamentos para Alzheimer e outras doenças como câncer. Equipamentos como exoesqueletos – membros mecânicos comandados pelo cérebro diretamente – já são uma realidade. Quem diria que seria possível imprimir membros em uma impressora 3D? Esse processo já é real e irá beneficiar inúmeros pacientes ao redor do mundo, visto que as análises sobre como conectá-las ao cérebro seguem sendo realizadas. Além disso, a preocupação das pessoas com a saúde e longevidade fez com as buscas por novos exames e tratamentos fossem potencializadas. Isso consequentemente aumentou os custos das operados e gastos com saúde. Afinal, já que temos todos esses sistemas disponíveis, a população deseja utiliza-los, certo?

O potencial médico que a tecnologia está nos mostrando representa muito mais do que podemos imaginar. Estamos falando de transplante de cérebros, criação/impressão de órgãos através de nosso próprio DNA, vacinas genômicas, roupas e gadgets inteligentes, fraldas inteligentes – esses dois últimos podendo não apenas coletar, mas também, analisar e enviar os dados aos médicos especialistas. E em um futuro próximo, quem sabe até sugerir tratamentos, afinal, atualmente, a Inteligência Artificial já acerta mais laudos de exames do que humanos, em alguns casos. *

Com tantas transformações, torna-se necessário investimentos privados e governamentais em pesquisas, inovações e tecnologias. Nesse ponto, historicamente, instituições de ensino são essenciais, fato este que traz algumas preocupações. Isso porque o Brasil parece ir à contramão, assim como em outros temas como preservação ambiental, desburocratização e crescimento. Tenho receio de que o potencial do nosso país seja jogado fora devido à baixa valorização dos campos e incentivo dos profissionais. O Brasil sempre foi referência e pode ser um dos protagonistas, aliando tecnologia e natureza. Um exemplo disso, é o laboratório Sirius em Campinas, que tem a maior e mais complexa infraestrutura científica já construída no País, incluindo equipamentos de grande porte, que utilizam aceleradores de partículas para produzir um tipo especial de luz, chamada sincrotron. O local é um dos poucos centros do mundo com um acelerador de partículas, utilizado por cientistas de vários países – inclusive para estudar o vírus da covid.

Independente de todo esse avanço, não podemos esquecer que somos humanos. Logo, existem questões éticas, legislativas e todo um ajuste em nossa sociedade que precisa ser adaptado e não vem mostrando a mesma velocidade. Perguntas como: “Se um indivíduo ganha ciência de que terá determina doença no futuro, como tratar? Como fica o lado emocional da pessoa? Quando alguém souber desde criança quantos anos viverá e do que irá morrer, como será a vida? Qual a forma ética de lidar com esses temas? Quais punições para erros tecnológicos de diagnósticos, de robôs? Quem será responsabilizado? E se tudo isso estiver acessível apenas para pessoas com possam pagar muito dinheiro? Criaremos uma casta especial de pessoas beneficiadas pelos avanços tecnológicos? Como governos devem regulamentar e lidar com essa situação?

Precisamos que a sociedade se una para discutir esses temas, visto que envolvem nossa evolução tecnológica. Só assim, poderemos efetivamente aprender com todos os erros do passado e direcionar a humanidade para um futuro onde a tecnologia e os humanos avancem juntos para uma vida melhor, mais inclusiva e igualitária.

 

*Felipe Testolini é formado em Comércio Exterior pela Universidade Paulista, com pós-graduação em TI pelo INPG, MBA em Digital Business pela USP e especializações em Transformação Digital no MIT e Pensamento Exponencial pela Singularity University.

Com mais de 21 anos de experiência no mercado, atua na liderança de equipes ágeis, operações críticas e projetos estratégicos em uma multinacional de Tecnologia, com foco LATAM, onde é CIO. Pai de dois meninos, Pedro e Gustavo, fora do trabalho, Testolini é entusiasta de startups e conselheiro estratégico, apoiando empresas a utilizarem novas tecnologias para a transformação de seus negócios

*https://www.nature.com/articles/d41586-020-00847-2

 

Sobre o autor

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Marina Camargo

Marina Camargo é jornalista e pós-graduada em comunicação nas Mídias Digitais e Branded Content. É editora de texto para diversos segmentos e coordena projetos de comunicação no Brasil e no exterior. É fotógrafa voluntária em ONGs da capital paulista e uma das autoras do livro Viver é um Ato de Revolução.

Marina escreve mensalmente para a coluna de Tecnologia do Jornal d'aqui.

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