Colunistas Educação Regina Pundek

Como votar: aprender a escolher

mm
Escrito por Regina Pundek

Este é um ano importante na vida do eleitor brasileiro. Decidiremos nosso novo presidente. Diante desta situação que se avizinha precisamos ler bastante, discutir, compartilhar opiniões e refletir as opções que nos são oferecidas.

As dificuldades que temos, para a tomada desta decisão tão importante, passa pela falta de treinamento, pela censura da livre expressão e pelo “Cale a boca!”. Somos raspas de um caldeirão cujo cozinheiro era um militar nos tempos da ditadura. E, agora? Agora precisamos votar! A certeza de uma boa decisão só virá no futuro, mas a preocupação pelo futuro da nossa sociedade é um sentimento latente.

Cuidar para que todos tenhamos mais dignidade e sejamos respeitados em nossa diversidade é nossa responsabilidade de cidadãos.

Vale citar aqui palavras de Martin Luther King: “O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons!”

Como não poderia deixar de ser, ao refletir como cidadã, meu pensamento volta-se para a educação das crianças que no futuro terão também a mesma missão de votar. Como as estamos preparando? Que estratégias são usadas com este objetivo?

Rever nossa prática como família e como escola é determinante para que nossas crianças se tornem adultos resistentes à influência de uma mídia tendenciosa e de poderes interessados em determinar ideologias, sejam eles econômicos, religiosos ou políticos.

Através de nossa atuação, ajudando-os a desenvolver um pensamento crítico em relação ao que assistem na TV, ao que leem, ao que ouvem, contribuímos para que futuramente não se permitam simplesmente absorver e aceitar a tudo.

Sentar ao lado do seu filho e assistir junto com ele um programa, provocando-o a pensar sobre o tema, questionando o que ele compreende, verbalizando a sua opinião, é uma orientação simples, mas muito eficaz. Isto também pode ser feito através de leituras dos mais diversos gêneros.

Estimule seu filho a questionar, a duvidar e buscar outras respostas para as mesmas perguntas. É produtivo conhecer muitos pontos de vista, diversas facetas da mesma informação. Mostre-lhe que a mesma história pode ser contada de diversas formas, que é preciso perceber as intenções implícitas de cada versão.

Ouça seu filho, permita que ele faça perguntas, responda honestamente e sempre com a verdade. Proteja, respeite e estimule seus interesses, ajudando-o a desenvolver suas opiniões e a se posicionar frente aos pequenos problemas e situações familiares ou escolares que possam permitir o treinamento social necessário para a formação do cidadão justo que esperamos que ele se torne.

Aproveite toda a oportunidade que tiver para oferecer-lhe opções de tomada de decisão e jamais deixe de questioná-lo, para que ele mesmo compreenda os motivos que o levaram a escolher tal opção. Coisas simples do dia a dia podem ser usadas, por exemplo a roupa que deseja vestir. Coloque sobre a cama duas ou três sugestões completas e ofereça a seu filho a oportunidade de decidir com qual delas deseja vestir-se e por que?

O tempo dedicado neste objetivo reverterá em benefícios para seu filho e quero acreditar para toda a sociedade quando ele for adulto, considerando que muitas famílias tomem os mesmos cuidados.

Aprender a posicionar-se criticamente e a escolher consciente das consequências é um processo a ser vivido. Entenda-se por processo a ação continuada com firme objetivo a atingir. Desafio aos pais e educadores, que cientes da importância deste desafio não podem esmorecer até que a criança se torne autônoma e saiba tomar decisões com bons argumentos.

Vamos lá! Trabalhar com carinho e foco, nesse importante processo que vai reverberar para o individuo e para a sociedade!

Sobre o autor

mm

Regina Pundek

Escritora, Professora da Educação Infantil, Diretora Pedagógica,Psicopedagoga, Engenheira Civil, Educadora apaixonada pelo respeito ao Ser Humano.

Esposa, mãe, avó. Nascida em Santa Catarina e moradora da Granja Viana há 15 anos.

Deixe um comentário