Colunistas Põe Poesia Sílvia Rocha

Da dura Poesia Concreta de tuas Ruas Repletas

Escrito por Sílvia Rocha
A Manifestação pela Educação de 30 de maio de 2019 em Sampa: #30M

“Não é balbúrdia, é solução. A rua é nossa, o país é nosso. O povo está na rua pela educação!”

Isabela Lefevre (foto: Alberto Lefevre)

Isabela Lefevre é educadora, trabalha na Ciranda Educação, em Cotia, tem 22 anos e mora na Granja Viana.

Estava lá, fazendo a parte dela, da Manifestação #30M, quinta-feira, dia 30 de maio. O ato era, principalmente, contra cortes de verba na educação. Outras manifestações ocorreram e outras bandeiras também foram levantadas em centenas de cidades brasileiras de todos os estados.

“É emocionante estar no meio dessa gente que faz acontecer, de poder me reconhecer como sujeito histórico coletivo. Por tantas vezes, me arrepiei cantando, lendo cartazes, ouvindo e dizendo e seguindo junto. Fica fácil se reconhecer quando declaram “formigueiro!”, “tsunami!”.

Acho incrível como tantos dias na minha vida, caminhados por São Paulo, e é ali, pelos gritos das ruas, que se trocam olhares e se sorriem as bocas. Se torna espaço de troca, que nem dá pra chamar de sala de aula, porque o que se aprende não cabe em quatro paredes.

É um momento de insurgências que estão acontecendo por toda parte. Acredito e confio na potência das ruas, nos seus gritos, na sua união e na sua poesia. O manifesto é grande gerador de mudanças, de despertares, o gatilho para um diálogo mais sincero e real.

A pauta da educação está além da briga entre o governo Bolsonaro e a oposição a ele.

Essa luta é contra os cortes, mas é também contra as barreiras de classes sociais e por um pensamento livre. Isso é indissociável de uma indignação com a reforma da previdência e da pergunta que também não se cala, quem mandou matar Marielle e Anderson?

“A alegria não chega apenas no encontro do achado, mas faz parte do processo da busca. E ensinar e aprender não pode dar-se fora da procura, fora da boniteza e da alegria”, nas palavras de Paulo Freire.

Que possamos seguir de mãos dadas, conscientes e despertxs, fazendo a nossa parte.”, finaliza Isabela.

Alunos, professores e representantes de união de estudantes e centrais sindicais estavam nas ruas, e uma das frases que eram repetidas em voz alta era: “Não é balbúrdia, é solução. A rua é nossa, o país é nosso. O povo está na rua pela educação!”

Minha filha Júlia Rocha e eu com meu poema sobre a Amazônia

Eu também estava lá, sou professora desde que me conheço por gente e tive o privilégio de ter feito 80% de meus estudos em escolas públicas magníficas: Fundamental I na escola estadual Instituto Caetano de Campos; o Fundamental II no IMEP (Instituto Municipal de Educação e Pesquisa); graduação e mestrado em jornalismo na USP.

E meus pais – ambos professores, dentre outras ocupações – só estudaram em escola pública, com direito a latim e francês no currículo da época. Tudo o que os dois construíram e nos transmitiram deveu-se à formação pública e democrática de qualidade que tiveram. Não é possível aceitar os cortes, a discriminação de matérias de ciências humanas, a decadência da educação brasileira, que significa a decadência do nosso próprio País.

“Não é balbúrdia, é solução. A rua é nossa, o país é nosso. O povo está na rua pela educação!”

“Não é balbúrdia, é solução. A rua é nossa, o país é nosso. O povo está na rua pela educação!”

Escola Ágora representada por professores e ex-professores: Beta, Leo, Felipe, Pato e Anita

E a Granja Viana se faz presente na #30M.

“Não é balbúrdia, é solução. A rua é nossa, o país é nosso. O povo está na rua pela educação!”

Sampa: a dura poesia concreta de suas ruas estava presente, literalmente, em suas ruas.

 

“Não é balbúrdia, é solução. A rua é nossa, o país é nosso. O povo está na rua pela educação!”

“Não é balbúrdia, é solução. A rua é nossa, o país é nosso. O povo está na rua pela educação!”

“Não é balbúrdia, é solução. A rua é nossa, o país é nosso. O povo está na rua pela educação!”

 

Sobre o autor

Sílvia Rocha

Sílvia Rocha mora na Granja Viana desde 1994.
É graduada e mestre em Comunicação Social – Jornalismo – pela Escola de Comunicações e Artes da USP.

Pratica o haikai – micropoemas de origem japonesa, inspirados na natureza – desde 1984. Publicou a segunda edição de Estação Haikai e Gestação Haikai, pela editora É selo de língua, 2015. Ganhou o Concurso de Poesia Falada do Café das Flores e da Revista Escrita com As Quatro Estações do Ano, em 1987.

Escreve matérias, artigos e crônicas para veículos impressos e virtuais e conduz a oficina Haikai: universo em três versos em grupos, individualmente, presencialmente e à distância.

Site: www.silviarocha.com.br

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