Educação

Desenvolvendo uma atitude empreendedora: como podemos estimular nossos filhos?

Escrito por admin

Por: Marise Barbosa Uemura (*)

Recentemente fui convidada para participar de uma Live, promovida por uma médica pediatra da região, para falar sobre atitude empreendedora e como podemos estimular nossos filhos. Diante dos comentários de pessoas próximas sobre o conteúdo, decidi escrever e agradeço a oportunidade desse jornal.
Esse assunto é bastante familiar para mim, não apenas porque trabalho e pesquiso a respeito, mas também pelos aprendizados que adquiri desde criança. Assim, aproveitemos esse espaço para discutir um pouco a respeito e, quem sabe, inspirar mais pessoas para o tema.

Empreender, de acordo com o Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa (2001), decidir, realizar (tarefa difícil e trabalhosa), tentar (empreender uma tarefa arriscada), pôr em execução. O empreendedor é aquele que empreende um projeto ou atividade significativa, que tem disposição ou iniciativa de realizar, transformar. Isso pode acontecer na escola, no bairro e no trabalho buscando soluções criativas para os problemas e mudando sua condição de vida e a de outras pessoas para melhor (Sampaio, 2014). Cada vez mais, ser empreendedor não está somente relacionado a ser dono do próprio negócio, mas sim ter atitude perante o mundo, agir para melhorar as coisas, seu entorno, seu trabalho. Empreendedorismo é muito mais do que um trabalho, é um mindset, uma mentalidade, um jeito de pensar. E aí entra a atitude empreendedora: predisposição para agir de forma inovadora e criativa no seu ambiente, gerando valor para si e para a comunidade (Sampaio, 2014).

E como desenvolver desde cedo a atitude empreendedora nas crianças e jovens? Não tem fórmula mágica, mas dá para praticar, trabalhar aos poucos nossa forma de pensar e agir e dar o exemplo a nossos filhos. Em geral, começo minha aula ou palestra perguntando assim: vocês conhecem alguém que já solicitou à Prefeitura o fechamento de um buraco de uma rua? Esse é um exemplo prático, voltado à cidadania, que merece atenção, pois muitos de nós nos queixamos da situação em que está a cidade, mas pouco fazemos para melhorá-la. Uma das figuras que apresento e costuma causar burburinho é aquela das 3 filas: a maior é a “fila para criticar”, a do meio é a “fila para sugerir o que deve ser feito” e a outra, sem ninguém, é a “fila para fazer”. Provocativo, não é? Mas precisamos refletir e ajustar nossas atitudes, afinal, como ensinaremos nossos filhos sem dar o exemplo?

Voltando para o contexto da casa e da família, se algo está precisando de reparo, de melhoria, tem como envolver seu filho nisso? Ensinar a mexer no jardim, consertar algo simples, ajudar no planejamento de uma viagem, de uma festa. Desde cedo dá para ensinar a criança a fazer pequenas tarefas em casa (como arrumar seu quarto, guardar os brinquedos, guardar as roupas), mostrar que ela faz parte. Aos poucos, é possível envolvê-la mais em questões mais complexas, como o planejamento das refeições, incluindo as compras no supermercado, por exemplo, além de ajudar no preparo propriamente. Precisamos dar mais oportunidade para nossos filhos fazerem, errarem, aprenderem. Quanto mais fazemos, mais aprendemos! E mais nos encantamos com o fato de sermos capazes! Nunca me esqueço do comentário que ouvi de uma colega de trabalho da minha mãe, quando eu tinha 15 anos e fiz um bolo de aniversário para ela levar ao escritório. Ela exclamou “nossa, com a minha idade eu não acerto fazer bolo assim e você tem só 15 anos e já faz, parabéns!”. Que incentivo isso significou!

Outro exemplo que costumo contar: quando eu tinha uns 13 anos tive vontade de experimentar bisteca de porco, mas minha mãe não comprava esse tipo de carne, pois tinha tido alergia quando criança, então ficou com trauma. Quando falei para ela sobre minha vontade, ela disse “você pode comprar no açougue e aprender como faz e preparar sozinha, sem problemas!”. E foi o que fiz! Nunca mais comprei ou comi, era só para matar a curiosidade e deu tudo certo!

Claro que as famílias têm suas particularidades e as crianças e jovens também, com diferentes perfis e características. Mas tentemos, experimentemos, façamos nossa parte para proporcionar aos nossos filhos a oportunidade de aprenderem, de desenvolverem a autonomia e atitude empreendedora! Com certeza, isso fará muita diferença na vida adulta para eles.

Sampaio, M. (2014). Atitude Empreendedora: descubra com Alice no País das Maravilhas. São Paulo -SP: Editora Senac.

(*) Marise Barbosa Uemura   
      Pesquisadora e professora na Área de Empreendedorismo e Projeto de Vida  
    Moradora na Granja Viana há 15 anos
@profmariseuemura  

 

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