Bem estar Território

Em parceria com a Comitiva do Bem, Instituto ComViver distribui mais de 2800 refeições

Escrito por Redação
Criado há seis anos com foco em educação e cultura, a entidade redirecionou seus esforços
para apoiar grupos em situação de risco

 

Às vésperas do isolamento social, o Instituto ComViver estava para inaugurar uma “biblioteca pública container” no bairro Parque Miguel Mirizola, periferia de Cotia. O projeto, voltado para o estímulo à leitura,contação de histórias, um espaço cultural para jovens e crianças da região, era uma das diversas ações daentidade, que nasceu da experiência de mais de 20 anos de educação inovadora do Colégio Viver.

“Entretanto, com a tragédia da pandemia e as medidas de contingenciamento como o isolamento social de uma hora pra outra, não fazia sentido promover essas nossas ações”, conta Daniel Brito, gestor do Instituto e professor de Português no Colégio Viver. “O que nos fez sentido foi atender as demandas básicas da manutenção da vida nos territórios onde a gente atua, que são de uma fragilidade social imensa”. O foco então foi redirecionado para minimizar os impactos econômicos da pandemia.

O Instituto ComViver começou a arrecadação de cestas básicas e no meio desse processo, soube de uma ação espontânea no bairro de três cozinheiras profissionais, uma delas desempregada, que estavam pedindo aos vizinhos ingredientes e fazendo refeições para uma comunidade extremamente carente, o Mandelinha. Mais de 900 quentinhas haviam sido distribuídas em três sábados.

Maria do Carmo Silva, 46, a irmã, Maria Aparecida Pereira da Silva, 42 anos e Edvânia Valentim, 49, carinhosamente, Duca, Cida e Vane, passaram a receber todos os insumos para fazer as refeições do Instituto ComViver, inclusive embalagens e até o empréstimo de um fogão industrial. Os ingredientes são comprados
pelo instituto na quinta, os alimentos são preparados na sexta e sábado, às quatro da manhã, os caldeirões já estão no fogo.

Equipadas com luvas, tocas, máscaras, distanciamento e todos os cuidados sanitários que a pandemia exige, mais de 160 quilos de alimentos são transformados em 300 refeições por semana.

“A comida é feita com todo carinho, sempre com proteínas, legumes, além de arroz e feijão. É a mesma comida que faríamos para nossas famílias”, conta Duca, que trabalhou como cozinheira em escola particular por oito anos.

A ação agrega cerca de 20 voluntários que ajudam a encher as quentinhas, tampar, acondicionar em sacolas recicláveis e colocar nos carros que vão até as comunidades. Também já ganhou um nome: Comitiva do Bem. Uma das voluntárias, moradora do Mirizola, a publicitária Renata Tamara Silva Salazar, 23 anos, criou uma logomarca para identificação do grupo, nas marmitas e camisetas, para facilitar o acesso às comunidades.

Desde a primeira distribuição, novas comunidades foram atendidas, como a “Pioneiras” (atrás do templo Zulai) e “Morro dos Macacos” (próximo ao Atacadão de Cotia). Elas também recebem roupas e cobertores dos moradores arrecadados pela Comitiva do Bem para doação nos dias que distribuem as quentinhas.

“Queremos estender essa ação até dezembro, para isso estamos fazendo campanhas de arrecadação em nossas redes sociais e no site do Instituto ComViver. Os valores mínimos de doação são de R$ 5,00, valor do custo de uma quentinha. Mas temos certeza de que muitas empresas podem contribuir com quantias mais qualitativas”, explica Marceli Augusta Cesar Cereser Alves, advogada e coordenadora de projetos do Instituto ComViver.

Outras ações emergenciais – O Instituto ComViver também doou centenas de cestas básicas para grupos de refugiados e famílias em situação de vulnerabilidade social do “EMEF Educandário Dom Duarte, Jardim das Esmeraldas, São Paulo, capital. E para manter a inclusão na rotina escolar, criaram a campanha “Nenhum aluno a menos”, com a doação de 40 chips de Internet para estudantes da instituição até o retorno às aulas presenciais. No site do instituto é possível escolher para qual ação emergencial fazer a doação.

O Instituto ComViver – O foco do Instituto ComViver, criado em 2014, é compartilhar a experiência acumulada do Colégio Viver com ações educacionais e culturais. Localizada em Cotia (SP), a escola é reconhecida pela sua inovação pedagógica, inclusive pelo MEC e pelo Instituto Ashoka, como uma das 21 instituições do país certificadas como Escola Transformadora. Participa ainda da Rede de Escolas Democráticas. O Instituto ComViver é certificado como OSCIP e auditado pela Conatus.

Quem faz Instituto ComViver:
Maria Amélia Cupertino ( Formada em Ciências Sociais pela USP, com mestrado em Educação pela Unicamp, foi professora de Ensino Fundamental, Médio e Superior. Trabalhou como pesquisadora na Unicamp na área de políticas públicas voltadas a crianças e adolescentes. Trabalhou na Fundação Abrinq na análise e financiamento de projetos para melhoria do ensino público. Desde 98, trabalha como coordenadora no colégio Viver, uma escola particular que se empenha na busca de alternativas mais humanas, democráticas, inclusivas e transformadoras de educação formal. Desde 2014, é Conselheira Executiva do Instituto ComViver.

MARCELI AUGUSTA CESAR CERESER ALVES – Coordenadora dos Projetos Sociais do Instituto ComViver, é advogada, e empreendedora social. Graduada pela Faculdade de Direito da Universidade de Taubaté, especialista em Direitos Difusos e Coletivos pela Escola Superior do Ministério Público do Estado de São Paulo. Fez cursos na Lab negócios sociais, Yunus Social Business Brasil; Planejamento orçamentário e financeiro, Instituto Filantropia; PMD: Certificação Internacional em Gestão de Projetos Sociais, Instituto Filantropia; Educação Continuada em Gestão em Terceiro Setor pela FGV.

Daniel Brito, 43, é gestor do Instituto ComViver onde coordena diversos projetos de educação e cultura. Com a pandemia, coordena a ação emergencial da Comitiva do Bem. É mestrando em Ensino da Língua Materna pela FFCHL,USP. Professor de Português no Colégio Viver, Daniel também é ativista na luta pelo ensino público gratuito e de qualidade. Em 2018, foi responsável pela cozinha coletiva na ocupação da Creche Aberta da USP.

Mais informações:
Jornalista Fabíola Lago
11 99687 9052

 

Sobre o autor

Redação

O Jornal d'aqui digital é uma prestadora de serviços que atua com comunicação na região da Granja Viana, Cotia (SP). Nasceu originalmente em 1979 como mídia impressa e assim atuou durante 35 anos. O formato atual surgiu a partir de um movimento de amigos/leitores inconformados com o encerramento de suas publicações.

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