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Meio ambiente e Felicidade

Escrito por Geni Alburquerque

Ser feliz é experimentar o bem-estar em forma de satisfação com a vida reagindo de forma positiva aos obstáculos que surgem no dia-a-dia.

A felicidade pode ser descrita como uma sensação de plenitude, envolvendo o equilíbrio físico, químico e espiritual.

Estamos sempre buscando a sensação de controle sobre tudo para darmos sentido às nossas vidas construindo relações sociais positivas, procurando transformar sentimentos negativos em alegria intensa.

Como exemplo, cito um jogo de futebol, onde a ansiedade detona uma explosão de sentimentos quando a bola ultrapassa por completo uma barreira imaginária e se transforma em gol.

Na grande maioria das vezes, o gol é comemorado com gritaria histérica e rojões, que mesmo sendo perigosos e fonte de poluição sonora, são tão desagradáveis quanto os palavrões e insultos.
Reações em cadeia acionadas pelo tempo, me permitem estabelecer uma relação entre rojões, as bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, assim como os desmatamentos que ocorrem na Granja Viana, Cotia e região.

Temos assistido, alguns de camarote, as consequências de supressões de árvores, palmeiras e arbustos, sem termos noção completa do que acontece em tempo real quando se destrói um ecossistema completo.

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Tal como ocorreu em Hiroshima e em Nagasaki, centenas de vidas são imediatamente exterminadas quando ocorre um desmatamento e os que fogem, tal como refugiados, não sabem para onde ir, uma vez que perdem referências locais e regionais.

Filhotes e feridos são abandonados com sede, fome e doenças que se alastram, sendo dizimados com as máquinas que aterram, enterrando afloramentos hídricos, herbáceas e principalmente muitas vidas.

 

Os que sobrevivem, são atropelados, eletrocutados, envenenados ou invadem residências, áreas comerciais e industriais em desespero.

Quando questionamos o propósito e significado de nossa existência, demarcamos o nosso relacionamento com o mundo.

Imagino que os inventores da bomba atômica, assim como os que devastam uma área, não se orgulham do feito, porque demonstram na prática, a estupidez humana.

E a estupidez revela a insensibilidade das pessoas que se julgam inteligentes, como também infelizes.

A perplexidade invade o semblante das pessoas que já residem na Granja Viana, Cotia e região quando uma área de preservação, ou que supostamente deveria ser, é reduzida à terra plana e árida, porque prova não apenas a facilidade com que licenças são concedidas, como demonstra a ambiguidade de nossas leis, tornando evidente a existência das vidas que esta área alimentou e abrigou durante muito tempo, gerando sentimentos de que somos vítimas também da manipulação, violência, frustração e incompetência.

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Infelizmente, os que aqui estão apenas se revoltam isoladamente ou se conformam e aqueles que estão para chegar resvalam na ignorância, mas embalados no sonho da qualidade de vida a um baixo custo por metro quadrado de um lugar para chamar de “seu”, desdenham o alto custo de vida que se impõe no dia-a-dia.
E o alto custo começa pela insegurança que gera infelicidade.

Todos os caminhos que desembocam na Granja Viana, Cotia e região estão “dominados” pelo crime extremamente bem organizado e infiltrado em todas as esferas.

Prepare o celular, a carteira e a bolsa do “Ladrão”, porque cedo ou tarde, você vai precisar deles ou mande blindar o seu carro, porque eles estão muito bem armados.

Como sempre, idosos, mulheres sozinhas ou com crianças pequenas costumam ser o alvo preferencial, mas até neste quesito a bandidagem está mais generalista.

Você conseguiu chegar seguro sem ser seguido ao seu lar-doce-lar com holofotes, câmeras e escolta, porém com aquela sensação constrangedora de que finalmente percebeu o quanto a desigualdade social está aumentando e que nada está sendo feito na prática?

Melhor permanecer em seu bunker em vez de sair para desfrutar a região, porque além de estar perdendo a colorida paisagem e o seu principal atrativo, o convívio com a biodiversidade brasileira, empreendimentos que devastam o meio ambiente estão oferecendo a poluição do ar gerada pelos escapamentos dos veículos, luz e temperaturas controladas artificialmente, a poluição sonora crescente, incontrolável, desagradável aos ouvidos e vou logo avisando, não estão imunes aos arrastões pelo lado de fora.

Sinto compaixão por aqueles olhos que brilham fascinados pela ideia do lucro rápido, fácil e que inexoravelmente estão fadados a perder o valor investido, num curto espaço de tempo, por devastarem a região, substituindo a alegria inicial pela angústia por terem construído um “Mico” ou “Elefante branco”, tal como um “gol” contra.

Árvores?
Animais silvestres??
Pra que???

Cargos, Secretarias, e Órgãos públicos municipais, estaduais e federais que deveriam zelar pela nossa segurança, saúde, educação e Meio Ambiente promovem devastações ambientais expondo animais silvestres mortos pelas ruas da cidade e como consequência social, crianças assaltando adultos.

Em algum momento, você vai se perguntar se realmente é ou se vai ser feliz por aqui com tanta destruição e violência à sua volta, porque a aquisição do estado de felicidade plena é considerada desde sempre, a característica mais elevada e desejada.

Para ser feliz por aqui será necessário muito mais do que uma goleada na criminalidade imposta pela corrupção e uma autêntica explosão atômica de consciência e ação em fazer valer a sua cidadania!

Esta matéria é uma homenagem com muito amor e respeito à Sel, (Sciurus aestuans) uma esquilo fêmea que sempre me ajudou espontaneamente a dispersar sementes por aí e que morreu atropelada, provavelmente pela abominável combinação de rojões e desmatamento!

 

Sobre o autor

Geni Alburquerque

Autodidata multidisciplinar. Sócia-proprietária da Taúna e consultora em paisagismo ambiental e jardinagem.

Blog: qualidadedevidaejardim.blogspot.com.br

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