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Negócios precisam morrer para renovar competitividade empresarial

Escrito por Marina Camargo

Especialista ressalta que competição digital abre espaço para que novas tecnologias cheguem rápido

O poder de viralizar ideias tem um grande alcance com o uso da internet. A possibilidade de contabilizar dados se estendeu para as empresas ao redor do mundo, ajudando no engajamento interno e externo e na criação de novos processos e produtos, impactando o tempo de vida ou sustentação de empresas. “Temos competidores digitais se movendo rapidamente e condições favoráveis que formam uma “tempestade perfeita”, unindo investimento, estabilidade econômica e estabilidade social (neste caso, a ausência de conflitos globais, como a guerra). É motivador ver o potencial transformador em que as tecnologias são aplicadas para resolver os grandes problemas da humanidade”, comenta Felipe Testolini, diretor de TI em uma multinacional de tecnologia.

Com o barateamento do custo tecnológico, devido ao investimento e à procura de modernização, o empreendedorismo digital também surgiu como uma forma de acelerar o processo de disrupção destes produtos, modelos ou processos. “Podemos reduzir a fome global, popularizar o acesso a saúde, qualidade e infraestrutura, redução da emissão de carbono e proteção ambiental e diminuir os efeitos das mudanças climáticas. O desenvolvimento de modelos digitais, explosão de dados, conexão para todos em todo lugar e tecnologias “vestíveis”, nos colocam na luta pelo crescimento sustentável. As cidades do futuro serão centros de inovação inteligentes, verdes e conectadas”, diz Testolini.

Junto à tecnologia, outros setores são impactados por essas digitalizações. Embora gere um mundo de oportunidades para novas profissões, a humanidade ainda não se preparou para a transição. Um estudo de 2018, com dados do Laboratório de Aprendizado de Máquina em Finanças e Organizações da Universidade de Brasília (UnB) mostrou que essas máquinas movidas por tecnologia de inteligência artificial, por exemplo, vão substituir postos de trabalho ano a ano. Segundo a pesquisa, até 2026, 54% dos empregos formais do país podem ser compostos por robôs e programas de computador. Esta porcentagem representa aproximadamente 30 milhões de vagas.

Nos anos 2000 era impossível imaginar uma força de trabalho vinda de startups e investimentos em “unicórnios”, que definiriam o jeito que agimos como sociedade. Em quatro anos, de 2015 até 2019, o número de startups no país mais que triplicou, passando de 4.151 para 12.727 – um salto de 207%, segundo a Associação Brasileira de Startups (Abstartups) -. “As startups são as catalizadoras da mudança. As empresas precisam fazer a própria disrupção (antes que alguém faça) para sobreviver. O fato é que pouquíssimas empresas conseguiram fazer sozinhas. Por isso, conexões com ecossistemas e startups são fundamentais. A disrupção deve ser vista como algo que vai nos tirar empregos, mas será importante perceber a maneira que as novas posições de trabalho serão criadas, aumentando a capacidade do mercado”, expõe Testolini, citando o estudo do professor Yven Moyen, da USP/ESALQ, de Novos Paradigmas, os quais considera significativos e impactantes e em que é preciso identificar e saber os desafios desta nova era, como:

Demolir e flexionar: tensionando regras, testando comportamentos e arriscando. Ele usa como exemplos a Uber e Airbnb, que desafiaram o mercado instituindo modelos disruptivos apoiados em tecnologia.

Desmaterializar e desmonetizar: um exemplo são os mercados de música digital e de geração de conteúdo.

Compressão dos ciclos de desenvolvimento: Atualmente, demoramos 6 anos para desenvolver uma nova molécula. Com a computação quântica, logo serão semanas ou até mesmo horas.

Compartilhamento e desintermediação: Ou seja, a economia colaborativa atendendo a necessidade real de consumo e sua demanda por um mundo mais sustentável e saudável. Podemos citar iniciativas como compartilhamento de guarda-chuvas, em São Paulo. A nova realidade é exponencial, pois utiliza todo o potencial da economia em rede.

Testolini acende a discussão de que, para sobreviver à letalidade do ambiente empresarial atual, as cias e seus líderes precisam promover as próprias mortes de aprendizado e negócio, de forma radical e acelerada, ao mesmo tempo em que trabalham nas estratégias para sobreviver e refazerem esta transição, para que estas instituições não fiquem em um vácuo estratégico que pode levar à morte completa de seus negócios. “Lideranças precisam ser formadas conhecendo todos esses contextos. Formações tradicionais e experiências são importantes, claro, mas complementam as especialidades que um profissional precisa ter. Crescemos aprendendo nos modelos tradicionais de educação e todo conhecimento foi desenvolvido para operações de estratégias em um ambiente que demorava anos para mudar. Esse mundo não existe mais. A diferença é agora e é a única constante entre a coragem de se lançar no aqui e agora ou ficar no vazio não crescente do negócio. A visão de futuro, literalmente, é o que definirá quem terá sucesso posteriormente”, completa.

Sobre o autor

Marina Camargo

Marina Camargo é jornalista e pós-graduada em comunicação nas Mídias Digitais e Branded Content. É editora de texto para diversos segmentos e coordena projetos de comunicação no Brasil e no exterior. É fotógrafa voluntária em ONGs da capital paulista e uma das autoras do livro Viver é um Ato de Revolução.

Marina escreve mensalmente para a coluna de Tecnologia do Jornal d'aqui.

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