Colunistas Marina Camargo Tecnologia

O futuro não será digital se não for humano

mm
Escrito por Marina Camargo
O que sua empresa está fazendo para mudar o cenário?

Considerada uma das 100 mulheres do mundo que estão cocriando a nova sociedade e a economia colaborativa, a futurista Lala Deheinzelin nos conta o que esperar das empresas de tecnologia nos próximos 20 anos. Confira matéria exclusiva para o Jornal d’aqui.

Jornal d’aqui: Lala, olá! Quais são as perspectivas para o mercado de trabalho, principalmente para as empresas de TI, dentro do âmbito de Economia Criativa e Futurismo?

Lala Deheinzelin: Olá, Marina! Precisamos entender o contexto atual que estamos atravessando e o trabalho com o futurismo. Estamos na maior transição da história da humanidade, tanto cientificamente falando quanto na forma que nos relacionamos e temos uma vida em rede e criamos conexões.

Vivemos o dia a dia desconhecido, o de “dinâmica exponencial”, no qual a quantidade de informação produzida e a rapidez com que o futuro chega é exponencial. Então, o que se previa anos para acontecer, vem em meses, por exemplo. O futuro hoje demora um ano para chegar e não mais milênios.

A “dinâmica exponencial” permite que o futuro nos próximos anos seja diferente do que conhecemos ou pensamos. Em 2025, será diferente do que é hoje e do que foi ontem. Precisamos nos guiar pelo futuro. Todas as nossas atuais tomadas de decisão, principalmente as estratégicas, são norteadas pelo passado. Agora, precisamos aprender a pensar de outra forma.

Daqui a alguns anos, ninguém poderá mais programar ou projetar algo sem entender o impacto que isso trará na sociedade, humanização, socialização e sustentabilidade.

As empresas de TI são organizações que atuam no campo de Economia Criativa, mesmo sem saber, pois geram riquezas a partir de recursos intangíveis, ou seja, não-materiais, como dados, redes, ativos intangíveis, entre outros.

Aquilo que define o valor de um produto, serviço ou empresa é a sua reputação. Ou seja, para quem, que, o quê e como ela atua e cuida de algo.

Algumas empresas são parte do que chamamos de “empresa b”, ou seja, que buscam o lucro, mas também geram benefícios para sociedade pensando a longo prazo. Nos próximos anos, as organizações que não gerarem além do valor monetário, seja social, físico, mental e ambiental, não se sustentarão por muito tempo, não terão longevidade, principalmente as de tec. É preciso repensar para quem elas cuidam ou o porquê estão criando valor.

Há uma grande diferença daquilo que gera receita e o que gera valor.

 Jornal d’aqui: Quais os tipos de valores que as empresas devem pensar no cenário dos próximos 20 anos? E por quê?

Lala Deheinzelin:

  • Você é sustentável?
  • Você cuida do seu ambiente de trabalho, funcionários e clientes?
  • O que você está fazendo pelo futuro agora?

Isso precisa existir e ser comunicado. A receita é limitada, mas valor é exponencial.

As empresas que mais valem hoje geram valores e não só receita. E, quando você tem uma empresa atuante desta forma, as pessoas percebem o valor e investem nisso. Aquilo que tem valor, é útil.

Jornal d’aqui: Dentro do futurismo, como é possível prever como serão as tomadas de decisões? Elas serão baseadas em quê? A Inteligência Artificial será necessária na hora de bater o martelo? Obrigada pela entrevista, Lala!

Lala Deheinzelin: A Inteligência Artificial não poderá ser mais inteligente do que os humanos. Para o futuro, as pessoas devem compreender o seu presente. Não o subestimando. A tecnologia é indispensável, mas não vai resolver se não focar em pessoas. Não devemos viver sem ela, mas precisamos entender que isso não é a solução para tudo. Ela é o meio, não o fim. Fica claro, cada vez mais, que é necessário um lado humano em cada área do mundo dos negócios.

A vida em rede faz de nós, como sociedade, interdependentes. É como se cada empresa fosse um órgão dentro da sociedade e analisa uma parte, mas não tudo. As decisões serão boas se forem integradas.

Obrigada você e ao jornal, Marina.

Recado da editora: Meus queridos leitores, neste ano, Lala está em busca de startups para alianças tecnológicas que identifiquem resultados multidirecionais. Você pode entrar em contato com ela por meio do site http://laladeheinzelin.com.br/sobre/

Foto: Lala Deheinzelin, nossa entrevistada

 

Sobre o autor

mm

Marina Camargo

Marina Camargo é jornalista e pós-graduada em comunicação nas Mídias Digitais e Branded Content. É editora de texto para diversos segmentos e coordena projetos de comunicação no Brasil e no exterior. É fotógrafa voluntária em ONGs da capital paulista e uma das autoras do livro Viver é um Ato de Revolução.

Marina escreve mensalmente para a coluna de Tecnologia do Jornal d'aqui.

1 Comentário

Deixe um comentário