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O INSTITUTO livro de Stephen King

Escrito por Délia Costa

Já leu Stephen King? Se a resposta for SIM, sei que você pegou o livro e só o largou quando virou a última página. Este novo livro não é diferente.
Desta feita, Stephen King nos leva numa estória com crianças paranormais, homens bons, homens ruins, mulheres boas, mulheres ruins, mulheres MUITO MAS MUITO ruins. Também há mulheres ruins que viraram gente boa.

Como sempre e em quase tudo tem-se uma constante: o mal versus o bem.
Mas, desta feita, Stephen King nos coloca uma novidade que eu não me lembro de ter lido nos seus outros livros: a verdade absoluta, como valor único de uma sociedade, em que ações dúbias ou ilícitas são validadas por um determinado grupo.

PROVOCAÇÃO: você concordaria em matar algumas crianças em pról de um bem maior, mesmo que seja apenas uma crença?

Trecho do livro O INSTITUTO livro de Stephen King:

“Incluindo a redação, o vestibular durou quatro horas, mas houve uma pausa misericordiosa no meio. Luke sentou num banco no saguão do colégio, mastigando sanduíches que sua mãe embalou para ele e desejando um livro. Ele trouxe Almoço Nu, mas um dos inspetores se apropriou dele (junto com seu telefone e os de todos os outros), dizendo a Luke o devolveria depois. O cara também folheou as páginas, procurando por imagens indecentes ou por anotações.

Enquanto ele comia biscoitos em forma de bichinhos, ele percebeu outros vestibulandos de pé perto dele. Grandes garotos e garotas, estudantes do segundo grau.

“Menino,” um deles perguntou, “que porra você está fazendo aqui?”

“Fazendo a prova,” Luke respondeu. “Assim como você.”

Eles ponderaram isso. Uma das garotas disse, “Você é um gênio? Como num filme?”

“Não,” Luke disse, sorrindo, “mas eu realmente fiquei no Holiday Inn noite passada.”

Eles riram, o que era bom. Um dos garotos levantou a mão, e Luke bateu nela. “Para onde você vai? Qual faculdade?”

“MIT, se eu conseguir entrar,” Luke disse. O que não era sincero; ele já tinha obtido admissão provisória nas duas faculdades que escolheu, desde que fosse bem hoje. O que não iria ser um problema. Até agora, a prova estava sendo fácil. Eram os garotos e garotas ao redor dele que ele achava intimidante. No outono, ele estaria em aulas cheias de pessoas assim, garotos e garotas muito mais velhos e com o dobro do seu tamanho, e é claro que eles todos irão encará-lo.

Uma das garotas – uma ruiva bonita – perguntou se ele entendeu a questão sobre o hotel na seção de matemática.

“Aquela sobre Aaron?” Luke perguntou. “Sim, quase certeza que entendi.”

“Qual opção você disse que era a correta, você lembra?”

A questão tinha sido como descobrir quanto um cara chamado Aaron iria pagar por seu quarto de hotel for x número de noites, se o preço fosse $99.95 por noite, com uma taxa de 8%, mas um adicional de cinco dólares cobrado uma única vez, e é claro que Luke lembrava. Era uma questão ligeiramente sórdida devido a quantidade de fatores. A resposta não era um número, era uma equação.

“Era opção B. Veja.” Ele pegou sua caneta e escreveu na embalagem do almoço: 1.08(99.95x) + 5.

“Você tem certeza?” ela perguntou. “Eu marquei A.” Ela se curvou, pegou a embalagem – ele sentiu o cheiro do perfume dela, lilás, delicioso – e escreveu: (99.95 + 0.08x) + 5.

“Excelente equação,” Luke disse, “mas é assim que as pessoas que fazem esses testes ferram você.” Ele apontou a equação. “A sua só reflete a hospedagem de uma noite. E também não considera a taxa do quarto.”

Ela se lamentou.

“Não tem problema,” Luke disse. “Você provavelmente acertou as outras.”

“Talvez você esteja errado e ela, certa,” um dos garotos falou. Foi aquele que o levantou a mão para ele bater.

Ela balançou a cabeça. “O menino está certo. Eu me atrapalhei com a porra da taxa. Eu sou péssima nisso.”

Luke a olhou ir embora, a cabeça baixa. Um dos garotos foi atrás dela e pôs a mão em sua cintura. Luke o invejou.

Um dos outros, um cara alto usando óculos de grife, sentou ao lado de Luke. “É esquisito?” ele perguntou “Quer dizer, ser você?”

Luke ponderou sobre isso. “Às vezes,” ele disse. “Normalmente é somente, você sabe, a vida.”

Um dos inspetores se inclinou e tocou a sineta. “Vamos lá, crianças.”

Luke se levantou com certo alívio e jogou a embalagem do almoço na lixeira perto da porta do ginásio. Ele olhou para a ruiva bonita uma última vez, e enquanto ele entrava, a lixeira se movimentou oito centímetros para a esquerda.”

Ficha Técnica:
Editora: SUMA
Código de Barras: 9788556510853
ISBN: 855651085X
Encadernação: BROCHURA
Altura: 23,00 cm
Largura: 16,00 cm
Comprimento: 2,80 cm
Peso: 0,74 kg
Nº de Páginas: 544
Edição: 2019
Idioma: PORTUGUÊS
Ano: 2019

Sobre o autor

Délia Costa

Paulistana da gema, engenheira, amante do cinema.

Nos tempos de faculdade, fez parte do Cine Clube Frango Areia e Farofa carregando projetores, rolos de filmes e fazendo, sem muito sucesso, faixas e cartazes de divulgação (fez uma inusitada faixa de cabeça-para-baixo!).

De engenheira a professora, fundadora do MDGV - Movimento em Defesa da Granja Viana e criadora do Cine Libélula, cineclube da Granja Viana (2013 e 2014), um dos geradores desta coluna.
“Provocações" quer desafiar as pessoas a pensar, assistir filmes, ler livros, ir a peças de teatro, consertos, exposições.

"Provocações" é também uma homenagem ao querido Antônio Abujamra e seu programa na TV Cultura.

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